terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Datas comerciais


O calendário comercial começa com o Carnaval e quase termina no Natal. Tem ainda a do Ano Velho e do Ano Novo, tudo será patrocinado e filmado pela Rede Globo. E é assim, mais um ano começa de novo. Vem o Carnaval, que não faz realinhamento social porem vende “abadas”. No Rio de Janeiro e em São Paulo, fazem com que os pobres fiquem em baixo desfilando para a corte que se instala nos camarotes carnavalesco.

Daí vem a Páscoa. Uns vendem bastante peixe, outros comem lixo, outros comem ovos de chocolate enquanto uns vendem ovos de dezoito quilates.

Daí vem o dia das Mães, dos Namorados, dos Pais, dia de tudo, dos Avôs e das Crianças. A mídia apela na emoção, fragiliza seu coração, te da à sensação que seu filho não vai gostar de você mais não. Enquanto isso abafa as noticias de juízes envolvidos em corrupção e as Emissoras de TV devendo impostos à nação.

Por fim vem o Natal, enquanto uns comem Peru outros ceiam a sopa da pastoral. Uma data legal, presentinho para as crianças e reforça a segurança para que não tenha nenhum furto por um marginal. Porem é Natal, se perdoa tudo, o vizinho que espia sua filha tomando banho, o patrão que não te deu aumento, tem até amigo oculto (para entregar presente tem que descrever um talento), e alguns passam o dia 25 ao relento.

Mas isso não importa, o ano está acabando, tudo deve ser esquecido, pois a tarefa deste Ano Velho foi cumprida, deseje paz aos palestinos que sofrem pela guerra. Vamos esquecer a mídia explorando o caso da menina Isabela, e esquecer-se das eleições, vamos deixar os políticos quietos, daqui a quatro anos velhos pensamos nisso. É hora de festejar, ver os fogos de artifício caindo enquanto outros acertam crianças nas favelas. Afinal, um novo ano tem que ter novas coisas, novos sabores, novo ano de promessas.



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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Manifesto da falta da democracia cultural



Imaginar que por mais tentativas de democratizar a “Cultura” no Brasil infelizmente a maioria dos brasileiros que produzem cultura não sabem o que é Lei Rouane.

Quantos brasileiros já foram a peças de teatro, ou melhor, quantos têm acesso a frequentar livrarias. Comprar livros no Brasil está fora da realidade da maioria da população, além de caros, grande parte com linguagem rebuscada diferente da qualidade do ensino nas escolas públicas, não se tem política real de incentivo para que os leitores comprem a preços populares.


Algumas políticas públicas trabalham na lógica perversa de trazer o acesso aos meios culturais pra tirar jovens da criminalidade e de trazer um passatempo para evitar homicídios. Porém a cultura nesta perspectiva perde a dimensão de direito universal e constitucional. Perde o valor de conquista e passa a ter o caráter de favor tanto do estado quando das entidades que trabalham com a temática.
A dificuldade de saber o que são as leis de incentivo a cultura, tanto no escrever a lei quanto no captar recursos fazem com que apenas os cineastas do eixo “Rio - São Paulo” consiga produzir cinema.

A cultura local como em Belo Horizonte como os grupos de quadrilha junina e os grupos de congado não conseguem viver ativamente o ano todo, sua produção resumo aos dias estimados para apresentações e o resto do ano morrem no esquecimento da cidade.

Consumimos o tempo inteiro cultura de outros países e não valorizamos a produção das periferias e do interior brasileiro, consome-se pirataria no Brasil por não poder pagar R$ 80,00 num DVD original onde encontramos o mesmo por cinco reais.

Por fim, entre estes e outros questionamentos, antes de pensar na produção da cultura, devemos entender que a cultura é um direito e não uma ajuda.



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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Paradoxo social

Os anormais
Aqueles que não seguem as normas sociais.
Não ache certo ser diferente
Nem pense que não somos iguais.

Aqueles que não se habitam as normas,
Existe aos desviantes castigos de todas as formas.

Aqueles que manifestam loucura
No hospício, choques e torturas,
Quem sabe ali está a cura.

Aqueles que ganham do mundo a frustração
Um divã com objetivo de salvação.

Aqueles que não aceitam do mundo a pressão,
Não se calam em atos e fatos na repressão
São levados a prisão.

Para que as normas sociais sejam seguidas,
Mesmo não sendo, nos querem iguais.



Um dia será de:
Liberdade aos desiguais
De todos os padrões sociais....
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Eu tenho um sonho de liberdade


Obama tem um sonho, ou melhor, Barac Hussein Obama tem um sonho de mudar a cara da nação norte americana. O sonho do novo presidente estadunidense é bem próximo do sonho e dos ideais de Martin Luther King na década de 60, porem Martin Luther King nunca precisou de financiamento para ser considerado um dos maiores mitos pelos direitos civis americanos e nunca disputou a presidência.

A eleição de Obama nós Estados Unidos não foi uma tarefa fácil, porém muitos fatores convergiam a seu favor como nunca ter tido um presidente negro nos Estados Unidos, a economia do país em uma crise nunca esperada pela população qual trouxe um sentimento de mudança, um governo desastrado do atual presidente. Isso sem contar com apoios inesperados como do Presidente do Brasil, de Raul Castro e até mesmo Hugo Chaves, mesmo não sendo norte-americanos todos fizeram declarações nada tímidas a respeito do presidente Obama.

Agora o maior desafio do novo presidente dos Estados Unidos é colocar em prática um novo modelo de pensar seu país, sem acreditar que a tão cineasta América é a “dona do mundo”. Tentar administrar tanto os grandes burgueses sem ferir o interesse dos trabalhadores norte-americanos, quais pagam a conta pela irresponsabilidade de um governo mínimo sobre uma economia descontrolada.

Grandes mudanças no cenário sócio-político dentro do Modo de Produção Capitalista não haverá com a nova gestão presidencial, porém administrar o Racismo desenfreado da Kon Klux Klan, o medo dos americanos pelos árabes (Obama é filho de um pai Mulçumano nascido na África), a onda capitalista que trabalha na dialética da economia flexível. Entre outros desafios que já fizeram Abraham Lincoln morrer assassinado em 1865 na cidade de Washington, John Kennedy assassinado em 1963. Todos estes presidentes norte-americanos tinham algo em comum, Lincoln lutava pela emancipação dos escravos e Kennedy recebeu o primeiro negro na Casa Branca, o mesmo primeiro negro que tinha um sonho, Martin Luther King.

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um militante solitário


E nas tripas do ultimo enforcado penso em me enforcar. Não sei se acelero no suicídio ou fico parado, já nem mais sei o que questionar.

Meus amigos, agora inimigos, pelegos do sonho que antes vínhamos compartilhar, a mágoa continua, mas não sai lagrimas dos olhos, porque não é tempo de parar. E desistir, palavra qual não existe, um militante solitário, persiste, caminha triste, mas caminha na escuridão. As mágoas, estas vou esquecendo, o verão vem nascendo e vem um novo tempo junto de uma nova estação.

Contudo, ao invés de chorar aprendo como diz o poeta, “apesar de você amanhã a de ser outro dia”, daí não sobrará tempo para costurar a bandeira rasgada, tempo apenas para se confessar em poesia.

Se confessar, apenas assim posso, pois neste momento nada posso dizer. Quem defendia aqueles que de fome morrer, hoje defende seus próprios interesses, sei que irão de me esquecer. E que me esqueçam, pois destes não quero, consciência limpa é memória fraca e certamente um dia terão que lembrar. Apenas um militante solitário, pois em época de ditadura nada se pode declarar.

Os ventos que jogam nossos cabelos ao longe, não escondem a tristeza de um rosto frio erguer. Ernesto Guevara dizia morrer de pé ou viver de joelhos, no último suspiro se limpa a farda e se levanta, mas de pé vem preferir morrer.

domingo, 12 de outubro de 2008

A cerca da discussão entre o Novo PT e o Velho PT

Ultimamente alguns setores do PT em todo país fazem a pergunta sobre o novo e o velho PT. Não se necessita ter um Novo Partido dos Trabalhadores, o que é de extrema importância é compreender qual é o papel atual Partido dos Trabalhadores na sociedade, qual momento vivemos, nosso esquecimento da base partidária e do esvaziamento de suas pautas políticas frente aos movimentos sociais.

Ser novo ou ser velho, o que importa é lembrarmos para que viemos, porque sonhamos com um mundo justo onde os trabalhadores e trabalhadoras estejam no primeiro plano societário e na construção de um país próximo dos princípios socialistas.


Não acredito em um PT “antiquado”, menos ainda em um PT "novo", acredito em um partido de Massas, que defenda as bandeiras do Socialismo e da Democracia, que faça das massas um instrumento de transformação e politização e não de manobra eleitoral no PED. Que façamos das massas um instrumento de libertação dos valores capitalistas e não como hoje fazemos, colocamos as massas apenas no biênio eleitoral onde eleger e manter o poder é mais importante do que transformar.


Sonhamos quando nascemos na década de 80 em um Brasil com justiça social, mas se não refletirmos internamente e periodicamente sobre esse nosso sonho, não teremos motivos para existir dentro da esquerda brasileira.


Devemos voltar a repensar e priorizarmos a organização dos núcleos, dos movimentos sociais, fortalecer os setoriais e sua juventude, pois fora isso faremos do PT um partido com cara de “centro” ou até mesmo de direita e não mais de partido de esquerda, pois em várias cidades como Belo Horizonte já temos clareza da nossa falta de dialogo com a população onde nossa posição quase ditatorial enfraquece o debate partidário em nome de projetos pessoais.


Não acredito em um PT burocrata, pois quanto mais o PT se afasta dos movimentos sociais e das lutas do povo, mas longe ele fica da confiança de seus milhões de simpatizantes e militantes anônimos que ajudam a construir o Brasil que queremos. Na discussão do PT Velho ou do PT novo, quero é meu PT junto com o povo.

domingo, 14 de setembro de 2008

Liberdade aos desiguais

Liberdade entre os escravos da economia, igualdade a todos, donos do capital ou não. A democracia é algo necessário, mesmo você tendo mais acesso ao programa eleitoral de dez minutos ou tendo apenas 30 segundos para colocar suas propostas ao eleitor.

Liberdade de escolha, algo importante dentro do cartel das telecomunicações. Para que pobreza se todos podem competir, pobre é você que não conseguiu chegar no “topo dos stars”.

Ganhar arroz, feijão, que bom, o governo pensou em mim, que viva os benefícios sociais dos novos liberais. Quero melhorar subir de vida, mesmo que os degraus da escada sejam diferentes, entre o mais baixo e o mais alto. Ficarei na média, a classe comédia, qual puxa saco do patrão para ter um carro à prestação, ta mais perto de pedir esmola, mas acha que vai conseguir um dia ter um avião.

Liberdade aos desiguais, quem pode isso confirmar é aquele que limpa a sala de estar, qual ganha 400 reais para na Bolsa de Valores de São Paulo honestamente trabalhar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Democracia da Leitura...

                                               
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E-book - Popularização de literatura

Com o objetivo dos escritores popularizarem sua forma de expressão cultural no século 20, começaram a surgir os primeiros E-books, ou livros virtuais.

Seu custo zero para o leitor, faz com que o mesmo possa reproduzir, ler pelo computador e enviar a alguém de presente, popularizando assim o hábito da leitura. Mesmo a Academia Brasileira de Letras não querendo reconhecer este novo espaço da literatura, a lei: nº 9610/98 protege este escritor virtual de direitos autorais.

De acordo com a Pesquisadora Leila Míccolis, hoje existe em atividade no Brasil 9.602 poetas e com a consciência política a cada dia esses milhares de poetas tentam produzir algo cada vez mais acessível para seu leitor. O importante da arte não é receber financeiramente por ela, mas sim o conhecimento de quem a busca.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Pacto pela Juventude, participação popular e período eleitoral

Ao observar a história dos povos ao longo da humanidade numa perspectiva materialista histórica dialética vamos perceber que as transformações vieram das bases sociais e não dos governos, reinados ou impérios presentes.

Até mesmo a revolução burguesa que se emergiu entre França e Inglaterra e se alastrou por toda a Europa no século 18, vinha de uma necessidade do povo, modificando assim toda uma estrutura e concepção de política e sociedade que permanece até hoje com o Sistema Capitalista, finalizando no mundo ocidental o autoritarismo dos Absolutistas.

O Império Romano não deu espaço ao feudalismo e aos reinados apenas por perder o seu sentido ao longo do tempo, mas se não houvesse diversas manifestações populares como os povos saxões, norte africanos e espânicos, a dinastia dos César teria terminado por volta do século 4. Até mesmo a decadência da Jerusalém Cristã dependeu de milhares povos muçulmanos revoltados pelo sectarismo das cruzadas para ter seu fim a mais de mil anos atrás, ou Escravidão no Brasil se não fossem as revoltas dos negros, como o Quilombo de Palmares.

De acordo com o Conselho Nacional da Juventude, espaço consultivo formado por diversas organizações juvenis em todo Brasil, o Pacto pela Juventude é uma forma de comprometer a manutenção das Políticas Públicas voltadas ao segmento jovem nos municípios, estado e união.
A complicação é que em período eleitoral, exista um oportunismo de se utilizar o Pacto pela Juventude como forma de conquistar mais adeptos da juventude nas campanhas, pois o Pacto da Juventude não necessariamente é um mecanismo de pressão, mas o desdobramento da sociedade civil é o verdadeiro mecanismo para provocar não apenas a manutenção, mas o aprimoramento e inovação nas Políticas Públicas para o segmento jovem.

Entender que o desdobramento de qualquer Política Pública não depende necessariamente de compromissos eleitorais, principalmente no Brasil onde não há financiamento público, amarrando a estrutura governamental a interesses privados, causando assim uma balança desigual entre os diversos sujeitos sociais na construção e manutenção de qualquer política institucional.

A juventude tem que entender que o mecanismo de participação popular é importante não apenas para manter as Políticas Públicas voltadas ao segmento jovem, mas manter toda e qualquer Política Pública Social, onde nada valerá a manutenção de um equipamento público que trabalhe Políticas de Juventude sendo que o acesso as Políticas de Educação, de Saúde ou até mesmo as Políticas de Assistência Social forem deficitários na mesma esfera pública.

Assumir o compromisso com a juventude é importante, mas não pode ser numa perspectiva eleitoral, deve ser numa visão de obrigação do Estado com a população a qual este tem o papel de representar, além de não esquecer que o papel da sociedade civil é fortalecer a pressão para a manutenção, monitoramento e ampliação das políticas públicas como um todo.

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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Pobreza, desigualdade e Transferência de Renda


Podemos caracterizar o conceito de pobreza estabelecer uma comparação entre pobres e não pobres observando parâmetros de seus rendimentos, bem como, sua participação na renda nacional.

Devemos destacar também a linha de pobreza, uma vez que com a mesma, observa-se o mínimo da renda e critérios a serem observados de cada indivíduo dentro da sociedade se estão ou não fora da linha da pobreza.

De acordo com o estudo de Sérgio Henrique Abranches, a desigualdade pode ser reduzida num programa de Transferência de Renda, sem afetar a medida da pobreza, ou seja, beneficiando os mais pobres sem alterar a vida dos mais ricos.

Acreditam também alguns teóricos da Política Social que para diminuir a linha da pobreza, devem-se manter cada vez mais padrões de renda e faixas salariais iguais com o objetivo de alcançar a igualdade entre os indivíduos, porém existe uma clara tendência do mercado em diferenciar os salários causando níveis de ganhos diferentes aumentando o abismo cidadãos de uma mesma localidade.

Do ponto de vista econômico, pode se transferir renda sem efetivamente modificar a situação dos mais pobres, sendo assim contraditório, pois transferir renda deveria ser um modo de combate a pobreza e não a manutenção dela.

Na perspectiva social, a desigualdade é um fenômeno que não se finaliza apenas com a transferência de renda, pois é necessário mexer na estrutura da sociedade, na cultura que a cerca, dos sujeitos sociais que demarcam seus interesses politicamente.

Sem alterações significativas como no perfil distributivo em todos os níveis, renda, patrimônio, cultura social, não se alcançará a diminuição dos níveis de pobreza e não se alcançará o fim desta sociedade desigual marcada por pobres e não pobres.

A ação governamental reflete escolhas em um quadro de conflitos. Se entendermos que cada sujeito social move a sua concepção de sociedade. Os interesses distintos atuam dentro da mesma sociedade fazendo pressão a ação governamental, portanto o estado faz-se em plena disputa refletindo substancialmente nas escolhas governamentais, no destino de verbas na construção e condução de projetos, além da aplicação de políticas públicas necessárias.

Quanto maior o peso deste sujeito social, mais influência ele terá na condução das ações de governo.
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Documentário: A História das Coisas


Parte 1:


Parte 2:




Acho que não precisa de muitos comentários, não são poucas pessoas que acham que um outro mundo longe da lógica do capital é necessário...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Luta popular e aqueles que não entraram na história


Todas e todos militantes de esquerda, temos como missão ao longo da nossa militância, lembrar daqueles que não tem nome, não tem corpo, não tem identidade nos livros da história.


Como diz o sociólogo Florestan Fernandes, a história no mundo ocidental teceu a idéia de mitos, reis e heróis tornando-se muito mais importante do que as pessoas anônimas que tornaram tal fato possível.


Portanto, falar da abolicionista Princesa Isabel é mais conveniente do que falar de milhares de escravos que morreram em busca da tão sonhada liberdade. Enaltecer da coragem dos imperadores romanos como Julio César ou Nero é mais cômodo do que se lembrar das centenas de milhares de soldados que deram a vida por um Império que não os pertencia.


Lembrar dos nobres e não dos “populares” é como diz Paulo Freire uma arma da burguesia com o objetivo de continuar no poder e não mostrar a força de seu povo, este que está fora dos livros, mas derrubou reis e impérios e foi responsável pelas verdadeiras revoluções.
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quarta-feira, 23 de julho de 2008

Orçamento Participativo, a arma do povo

Adicionado ao modo petista de governar fazendo não o governo chegar a cada cidadão, mas sim cada cidadão chegar ao governo, o Orçamento Participativo torna-se a arma do povo e melhor idéia enquanto projeto petista nos municípios.
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Além de experiências como em Porto Alegre ou Belo Horizonte, cidades pioneiras na implantação do Orçamento Participativo ou em cidades pequenas dominadas pelo coronelismo tiveram grande salto de qualidade de vida como é o caso de João Molevade em Minas Gerais.

O Orçamento Participativo, conhecido como OP tem proporcionado um espaço efetivo no exercício da democracia. A população decide os investimentos da cidade e as prefeituras realizam em locais onde o poder público jamais tinha atuado como nas periferias, zonas rurais e em regiões carentes.


O que faz o OP ser uma poderosa arma de democratização é a sua metodologia, que soma o número de população residente naquele espaço da cidade e o Índice de Qualidade de Vida Urbana - IQVU, qual mede aspectos relativos à oferta de equipamentos e serviços urbanos. Exemplificando, quando mais populoso for este pedaço da cidade chamado de Unidade de Planejamento – UP e menor for o IQVU, maior será o recurso destinado para este local.


Assim faz-se o OP um espaço de democratização da receita municipal, entendendo que antes do Orçamento Participativo, a maioria da população pobre não tinha a atenção dos governos municipais. Contudo foi através do Orçamento Participativo que as periferias das grandes cidades começaram a poder decidir sobre obras importantes como Postos de Saúde, Escolas ou Moradias Populares como o OP da Habitação iniciado em Belo Horizonte no ano de 1993. Outras obras como saneamento básico, abertura de ruas e espaços de lazer só chegaram de fato nos locais mais pobres das cidades através do OP.


Promover a Inclusão Social e Urbana, trazer a população para as decisões da cidade, construir nas regiões mais pobres o conceito de cidadania é um compromisso das administrações municipais petistas e um passo a frente na construção de uma sociedade pautada nos princípios do socialismo democrático e de massas.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Os desafios do Movimento Estudantil Secundarista


Não dá para passar pelas páginas da história brasileira sem falar do Movimento Estudantil, menos ainda do Movimento Estudantil Secundarista, que desde antes de sua criação em 1948 os secundaristas representavam força aos movimentos sociais.

Diferentemente da maioria dos estudantes universitários, os estudantes secundaristas são formados por uma grande massa de jovens de baixa renda, vivem permanentemente espremidos pela exclusão social e estão nas grandes cidades em periferias vivendo problemas como cobrança familiar e forçados a alcançarem a ascensão social.

A principal diferença entre os demais estudantes brasileiros é que a fase de vida aliada às baixas condições socioeconômicas faz com que a luta do movimento estudantil secundarista esteja mais perto das lutas da população brasileira. Problemas com precariedade do estado, dificuldade de transporte, falta de acesso a cultura estão presentes também nos movimentos populares, mas agravados quando tratamos de estudantes secundaristas, pois estes problemas são estruturantes no futuro de qualquer estudante de ensino médio ou de escola técnica.

Entre as lutas por uma educação de qualidade, pelo acesso gratuito ao ensino superior, pela tão importante bandeira do passe-livre, o Movimento Estudantil Secundarista em meio a suas multidões consegue fazer algo que vai além das suas jornadas de luta. Os secundaristas trabalham na formação de quadros politizados, sensíveis as causas sociais, pois desde muito jovens conseguem na base da pirâmide fazer um alicerce estruturante para a formação de uma sociedade cada vez mais de luta, de massas e quem sabe um dia, uma sociedade socialista.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Crônica sobre as visões de esquerda e direita juntas


Minha mãe que gosta de mim, se aliou com meu pai, me pediu para ser assim e não me endireitar jamais. Que eu poderia ter outros amiguinhos e passear a caminho da escola, mas se aprende diferente a mesma lição, pois economia também é ponto de vista e o meu ponto é bem mais amplo da maioria dos que zeram toda hora.


E que circulo social que nada, alguns dos meus amigos vivem no canto a chorar, eu não, por não acreditar no individualismo eu saio nas ruas a cantar, e pela eu vou guiando, vou fazendo a direção, que cantinho de poucos que nada, pois quero estar com meu povo e não, não fico de mãos amarradas, não deixo que me façam voltar de caminho, meus super heróis são outros, e nessa eu não fico sozinho.


Quero me unir nessa caminhada, aplicar tudo que aprendi na escola, não tenho medo de ameaça e sei que a calçada da direita e da esquerda não dão a mesma volta, um se guia por um lado, o lado da má distribuição, passa por ruas bem asfaltadas, gente elegante e endinheirada e eu não me encanto não.


Vou mesmo é pela esquerda, pois sei que por esta calçada eu não vou sozinho, vou com todo o meu povo e por este povo, a todos e todas que guiam o meu caminho.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Juventude Petista pede Fóruns Livres Já!

Entendendo que a o aprendizado coletivo varia entre métodos e dinâmicas, que através de todo este aprendizado se formula concepções e se forma politicamente como Paulo Freire explica em diversos artigos relacionados a educação crítica e a sociedade.

Dentre as várias formas de aprendizado coletivo, os Fóruns Livres conseguem romper com as tradicionais barreiras daqueles que escutam e daqueles que falam (formas comuns em seminários e palestras), trazendo uma dinâmica igualitária, podendo assim recorrer a toda e qualquer experiência dos diversos assuntos e temáticas que se dialoga na juventude e na sociedade.


A Juventude Petista, antes de qualquer outra juventude partidária tem como obrigação estabelecer os Fóruns Livres como forma de dialogo entre as diversas juventudes.


A formação do Partido dos Trabalhadores, criada meio a união de diversos setores da sociedade, classes sociais e segmentos políticos, identifica como um partido de massas, deste modo tende a surgir de dentro do PT o continuo diálogo com a sociedade.


Trazer dentro do mesmo Fórum Livre filiados do Partido dos Trabalhadores, profissionais da educação, estudantes, dentre outros seguimentos nos faz formular melhores e mais reais propostas relacionadas a educação local e brasileira além de fazer com que a Juventude Petista seja referência na sociedade.


Dentro dos Fóruns Livres a Juventude Petista tem como obrigação fomentar assuntos como Homofobia, Aborto, Gênero, Igualdade Racial, Mídia, Socialismo, Meio Ambiente, entre outros assuntos que estão na pauta da juventude do PT e de toda população brasileira.


Temos que fazer dos Fóruns Livres uma inovação na politização e no dialogo com a sociedade. Uma forma de trazer o PT cada vez mais para dentro das massas e as massas cada vez mais próximas do PT é uma obrigação da Juventude Petista e daqueles que tem identidade com o Socialismo. Como descreve Rosa Luxemburgo, a identidade socialista passa pela discussão entre todos e todas para formularmos uma sociedade com igualdade e democracia.


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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Direitos iguais, mas acessos e cores diferentes


Os primeiros direitos específicos da população negra foram os direitos que finalizaram na abolição dos escravos, como Lei do Ventre Livre em 1871, Lei Sexagenário em 1885 e por fim a tão esperada Lei Áurea em 13 de março de 1888 assinada pela Princesa Isabel, mas concedida meio a pressões de outros países, abolicionistas e acima de tudo dos próprios escravos.

Apesar de ter sido concedido estes direitos, a população negra ficou as margens de uma sociedade branca que detinha os meios de produção e mesmo com o fim da escravidão ainda vinham os negros como objeto.

Entendendo que a Lei Marshall pressuponha que uma democracia para se consolidar deveria seguir caminhos como efetivação de direitos civis, políticos e posteriores a estes direitos os direitos sociais, a população negra na prática não abdicava de nenhum destes direitos, mesmo as leis sendo para brancos e negros, a maioria da população negra não tinha acesso as escolas e menos ainda a entender o significado de cidadania.

O direito a voto eram para homens brancos e aristocratas, sua evolução veio na década de 30 quando as mulheres tiveram acesso ao voto e o mesmo passou a ser secreto, mas ainda sim os analfabetos não podiam votar, se entendermos que a maioria dos negros nem mesmo tinham acesso as escolas, quem diria estes teriam acesso ao voto e as decisões nacionais ou locais.

O voto no Brasil e os direitos civis, passaram por períodos conturbados, meio a ditaduras e sobreposições de direitos sociais meio a governos populares. Pós democratização e Constituição 88 garantiu a igualdade de direitos independente de cor, raça ou classe social, em 1989 a Lei 7.716/89 foi um dos maiores avanços para a população negra, conhecida como Lei Anti-Racismo pois considerava que atos racistas fossem considerado crime inafiançável.

Outras Leis que vieram posteriores a ela como a Lei 10639/03 que coloca como diretriz curricular, trabalhar assuntos relacionados a ritos, costumes entre outros espaços relacionados a cultura negra, entendendo que assim ajudaria na conscientização e evitaria o preconceito racial.

Na prática, estes diversos direitos positivados ainda não funcionam, ou se funcionam não chegam a formar dados estatísticos, o que temos como descreve José Murilo de Carvalho em seu livro Cidadania no Brasil é que existem dois mundos quando falamos de efetivação entre brancos e negros.

Dados de 1997 fornecidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, mostra que o analfabetismo entre os brancos é de 9,0%, já entre negros e pardos chega a 22%. Os brancos que recebem salário mínimo estão em 33,6% já os negros é de 58%, e dados de 2004 do Ministério de Educação do Governo Federal – MEC aponta que apenas 6% da população universitária se declara negra. Em 2006 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, a população negra e parda é maioria no Brasil entendendo que o IBGE conseguiu nesta década atingir um número maior de domicílios que antes não eram visitados, mas entre como contraste dados do IPEA do mesmo ano que a população negra ganha 53% da renda do branco.

Tanta contradição torna-se marca e aflora a desigualdade racial, sendo os negros os mais pobres, os que tem menos dificuldade para entrar no mercado de trabalho, os que ganham salários mais baixos, os que tem menos acesso a universidade, os que estão mais próximos da agressão policial e mais distantes diante deste quadro ao acesso a justiça. Assim percebe-se que a população negra ainda está longe de conseguir efetivar a maioria dos seus direitos.

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domingo, 11 de maio de 2008

A democracia como desculpa para atrocidades

Não gosto daqueles que utilizam a democracia como desculpa para cometer algo que foge da ética ou das condições políticas históricas como as relações entre esquerda e direita ou para iniciar guerras como fazem os estadunidenses.

Desde o fim da democracia ateniense no século 5 a.C. o homem utilizou a força para poder governar, a opressão e a tirania eram práticas comuns entre os impérios e reinados em todo mundo, dentre este modelo absoluto não se precisava dar satisfações para atuar em estâncias políticas.

Dentre o século 18 e 19 com a volta do discurso democrático veio na humanidade o capitalismo, os políticos liberais utilizavam da concepção de liberdade de produção e que “os fracassados” têm culpa de seu fracasso, pois todos tinham as mesmas chances e assim começou a deturpação da democracia.

O sistema capitalista dizia que no voto todos são iguais, mas esqueceu de falar que não somos iguais na hora de concorrermos enquanto representante do povo, quem não tem dinheiro não consegue fazer uma boa campanha eleitoral.

Utiliza hoje o discurso da democracia para estancar de vez as visões socialistas e anarquistas ou qualquer visão que tenta nos mostrar um mundo diferente das injustiças causas pelo capital.
Utiliza o discurso da democracia para promover guerras como fez no Afeganistão e no Iraque. Se levar democracia para o Oriente Médio é matar inocentes e “pseudo culpados” não acredito nesse novo modelo de democracia, aquele modelo que justifica inventar dossiês de armas químicas para obter o controle do petróleo iraquiano


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quarta-feira, 30 de abril de 2008

De Freiras a Prostitutas, todas são iguais e tem direito a luta


Vocês devem achar estranho, um homem tentar em texto dialogar sobre movimento feminista e as relações entre os seres humanos. É importante fazer esta discussão entendendo que não é apenas o terrível habito machista que faz um ponto de barreira das lutas feministas mas também o sistema capitalista.


A mulher oriunda da burguesia, torna-se cruel quando faz de outra mulher sua empregada doméstica, quando a explora pagando baixos salários a troco de uma função qual esta mesma poderia exercer. Quando a indústria de cosméticos demarca o certo e o errado, fazendo padrões de mulheres gerando desigualdades, como se uma mulher obesa não tivesse valor dentro de um padrão de mercado ou modelo sexual.


Até mesmo aquelas mulheres, que em um contexto de moral positivista, se dessem no direito de falar que a atitude de outra mulher em relação aos seus desejos estivesse errada, que fosse mais ou menos vulgar de acordo com um comportamento pré produzido, como se as mulheres não fossem livres para poderem escolherem seu caminho, entre freiras ou prostitutas. O que fazem freiras mais corretas e o que fazem das prostitutas mais erradas se todas devem ter minimamente o direito da isonomia.


Shere Hite, dialoga que não é apenas os espaços de poder que as mulheres querem, mas o direito de serem vistas como iguais, de não ocupar espaços de poder por serem simples mulheres, mas por terem plenas condições de fazerem tal função.


Os desafios das questões de gênero estão muito além do machismo, estão engendradas no sistema capitalista que não nos dá igual condição de luta, faz vidas diferentes com condições diferentes entre mulheres ricas e pobres, mulheres brancas e negras, que não dá a muitas mulheres condições de poder reconhecer direitos e menos ainda condições de cobrá-los. Um mundo igualitário como Rosa Luxemburgo diz, seria um mundo entre iguais e não entre competidores.





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sábado, 26 de abril de 2008

O Papel do povo frente às transformações

É tão importante entender nosso papel frente às transformações no mundo quando entender o porque existimos. José Murilo de Carvalho em seu livro Cidadania no Brasil conta o como nós acreditamos no Messias, nos salvadores da pátria, quanto glorificamos apenas os heróis.

Entender que o povo é o principal protagonista das revoluções e não heróis é fundamental para podermos continuar a mover a maquina da transformação, sabendo que se não fosse as massas nenhuma revolução seria feita.

Os heróis emergiram de onde? Começaram e foram impulsionados por quem? Será que existia apenas um líder como a história tradicional nos colocava ou será que vários heróis existiram e alguns apenas foram destacados, será que estes destacados são heróis sozinhos? Nós, o povo tem que aprender a fazer estas perguntas para que senão viveremos a espera de um “Messias Salvador”, alguém que nos tire das trevas da pobreza e da quase escravidão.

Nós o povo, não devemos esperar dos governos as transformações, pois ao longo da história nenhum governo, nenhum rei, nenhum sistema implantado fez com que as vidas das massas melhorassem nos quesitos econômicos, políticos e sociais. As revoluções emergiram do povo, dos trabalhadores, das trabalhadoras, dos desempregados, dos mais pobres, dos ploretários como Marx ressalta em seus estudos, pois sem estes nenhuma revolução daria certo, os lideres apenas serviram de interlocução escolhidos por nós nas disputa das transformações no mundo.

Os grandes heróis são o povo, pois estes morreram, mataram, viveram na pele o pauperismo, a escravidão e todas os problemas econômicos, políticos e sociais, nenhum governo muda sem a participação popular, nenhum rei foi deposto pela sua própria vontade.



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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Feira das almas



Quem paga mais leva essa é a verdade
para que humildade, se não é humilde
esse capitalismo covarde, selvagem.


Outro dia em uma igreja, doava meu
belo cardio ao senhor
cantava um canto de alegria,
vivia em pleno e sacro louvor.


Agora, o diabo quem me comprou mais caro,
nem mesmo precisou de prestação,
este bicho carrancudo, escuro, perverso,
coisa ruim é o capetão.


Parecido as vezes como meu patrão,
quem paga leva rápido, realmente,
como Bertold diz, primeiro comer depois a moral,
neste mundo coberto de dinheiro, eu friamente,
me vendo hora para o bem, e quando preciso
me vendo para o mal.


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segunda-feira, 14 de abril de 2008

O descaso com o Materialismo Histórico Dialético

Antes mesmo da existência de Karl Marx e suas contribuições na humanidade já havia os conflitos entre pobres e ricos, nobres e escravos, súditos e reis.

Alejandra Pastorini nos lembra de fazermos sempre uma pergunta essencial, a pergunta de quem são os agentes envolvidos, quem são os exploradores e explorados, a pergunta do quem nos faz refletir sobre qual papel temos e como agir dentro deste teatro real e dinâmico conhecido como vida.


Enquanto alguns não tem clareza das verdadeiras disputas entre pobres e ricos, acreditando que existe um lindo mundo de harmonia e que seus interesses são conciliáveis, que os bons cidadãos são maiores que as idéias que perpassam estes distintos projetos.


As perguntas muitas vezes incomodam, pois para estes que acreditam num bom aperto de mão entre direita e esquerda, não fazem questão de lembrar que os donos do capital hoje, são os mesmos que nos escravizaram, nos enganaram, que a vida inteira nos pagaram baixos salários em pró do seu conforto e manutenção do poderio financeiro.


Para relembrar, na pós revolução francesa, o interesse totalitário de eliminar o rei do poder foi feito por todos os lados, tanto na alta burguesia quanto dos heróicos jacobinos, passado este momento, quando a reforma agrária toma palco das assembléias francesas, percebe-se claramente o lado direito defendendo a manutenção da ordem social, pois para eles bastava a saída do rei para continuar seus interesses. Para os defensores dos oprimidos, os denominados san-culotes, estes defendiam mudanças na estrutura do poder, para que ele não apenas deixasse de ser real e virasse burguês, mas para que este estado passasse a ser popular nos princípios da revolução francesa, da liberdade, da igualdade e da fraternidade.


Todos os momentos que a esquerda se aproximou da burguesia com o princípio ingênuo da resolução de conflitos, ela foi esfacelada porque os conflitos não estão apenas nas pessoas, mas nos projetos, nas visões, nos interesses, na vontade de uns poucos que querem continuar tendo muito e outros de não quererem continuar com tão pouco.



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domingo, 6 de abril de 2008

Comunicação Alternativa


Ao longo destas últimas décadas, com a facilidade que a tecnologia trouxe e seus avanços na área da comunicação, podemos hoje contrapor a grande mídia, expor idéias, além de não ficarmos reféns de uma única opinião.

Os mecanismos virtuais como os sítios de busca dão oportunidade de conhecer extremos em determinados assuntos além de imagens e artigos acadêmicos, que por mais prejudiciais que alguns teóricos dizem, nenhum deles ao mesmo tempo poderia dizer que por trás destes prejuízos existe um novo mundo que se forma em bits.

Imaginar que poderemos que segundos ter noticias que acontecem em todo espaço terrestre ou assistir ao vivo as duas torres sede do capitalismo mundial sendo atacadas sem cortes e posteriormente a isso não ficarmos reféns apenas as informações do New York Times, mas poder acessar além de outros grandes meios de comunicação à opinião dos internautas e blogueiros que contribuem muito para democratizar a informação e nos fazer ter novas percepções de mundo.

Vislumbrar nas comunidades do Orkut uma forma de debate instantâneo e de busca de velhos e novos amigos sem mesmo sair da sua casa, combater facilmente até práticas de racismo e pedofilia utilizando provas documentais geradas pelos próprios internautas que cometem tal crime, além de fazer deste um espaço para divulgação de eventos, cursos, serviços e projetos pessoais ou coletivos.

Milton Santos quando dialoga sobre a democratização do espaço geográfico vislumbraria na Internet uma nova forma de organização de espaço, qual alguém desfavorecido sócio-economicamente tem condições de se expor e conquistar ares e informações que dentro do nosso modelo de organização atual jamais poderiam ser buscados de forma tão fácil quanto a Internet faz.

O maior ganho da Internet, que quando criada nem mesmo era sua intenção, seria a democracia qual hoje faz levá-la a ser o principal meio de comunicação diário para milhões de pessoas em todo mundo, sendo em e-mail, blog, serviços de mensagens instantâneas, home pages, ver na Internet uma forma alternativa de se poder organizar dentro de um sistema democrático. se para Jean Jacques Rousseau, se a esperança renasce com a democracia, nas linhas virtuais da composição informativa nasce o saber coletivo e o contraponto a “única idéia”.


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domingo, 23 de março de 2008

Utopias vermelhas e construções ao céu

Luz vermelha do alto do céu,
Porque trás a mim uma vaga lembrança?
Símbolo do amor ou de esperança?
Nem mais sou criança.
A luz vermelha, no auge dos ensinamentos,
Das histórias e de um futuro de revolução,
Agora em meu peito não vem com tanto tesão,
Depois de conhecer a natureza humana
Virou apenas ilusão,
Mas não abandono tal vermelhidão.
Os homens, a natureza que guia estes,
Hoje, egoísmo, prédios e coletes,
Nada mais de música, calou-se a canção.
Alguns a espera do sim,
Outros a eterna certeza do não,
Um amor que vira,
Ou a espera em vão.
E descanso no colo de minha mulher,
Para mim o amor vence a razão,
De que adianta as certezas de um terno
Se as utopias não morrem no meu coração,
Ao contrário, me ajudam a cantar,
E a caminhar cantando a canção,
Com orgulho no peito,
E toda vermelhidão,
A luz era um sinalizador de edifícios,
Isso para quem quer ver com os olhos da razão,
Mas para mim que enxergo mais longe,
Com a visão de esperança, pode ser um sinal,
Que ainda por mais anormal que pareça
Busco em uma simples luz,
O sinal da revolução,
Sonhos para quem tem procurado a justiça
Nunca são em vão.



Leonardo Koury Martins

quinta-feira, 20 de março de 2008

A juventude de ontem e hoje

Há séculos discute-se uma classificação etária para o jovem. No início das grandes civilizações, não existia basicamente uma fase juvenil, passava-se da fase criança para a fase adulta.

Em outros tempos, era criada uma fase de preparação entre a infância e a fase adulta como por exemplo jovens de tribos africanas tinham que demonstrar nesta fase bravura e força, àqueles que não demonstravam tais potencialidades eram afastados e ignorados pelos mais velhos do grupo.

Ao longo dos séculos a juventude foi ganhando um perfil diferenciado, na Revolução Industrial, o jovem ganhou um papel estudantil, mas também um papel de submisso em relação ao adulto. Sua militância era regiamente acompanhada pelos mais velhos.

No final do século XIX e no início do século XX, principalmente na segunda década, o jovem começou a requerer seu status de liberdade em relação aos adultos. Com uma fase quase estabelecida entre a fase criança e a fase adulta, o jovem começou a ter um papel transformador na sociedade. Na verdade, os grandes líderes e personalidades se iniciaram quando jovens a vida social, mas na década de vinte do último século, os movimentos juvenis tomaram grande proporção na sociedade. A UNE (União Nacional dos Estudantes) incensando peças teatrais com tema social nas portas das fábricas e nas manifestações como O petróleo é nosso marcaram tal organização juvenil nas mudanças da sociedade.

Nos anos cinqüenta aos anos oitenta, uma parcela da sociedade lutou pela democracia e contra a ditadura, mas uma grande parte dos jovens em um sentimento inicial narcisista começou a preferir reuniões menores do que as grandes assembléias, trocaram as grandes manifestações da época por eventos culturais que não eram censurados, mesmo assim alguns músicos levavam suas ideologias mascaradas nas letras musicais.

Essa acomodação continuou nos anos noventa, o Fora Collor era organizado pelos movimentos sociais, mas levavam em sua maioria um público não politizado, sem rumo próprio, o sentimento ideológico passou a ser exclusivo de alguns poucos jovens.

As organizações juvenis se diversificaram, os jovens que lutavam pela democratização do país, deixa a cultura política para seus filhos. As ONG’s juvenis começaram a discutir também tecnologia e meio ambiente, isso ajudou também no crescimento das discussões sobre política públicas para a juventude.

O desafio atual é começar a instituir políticas públicas para a juventude, pois o direcionamento de tais políticas públicas que hoje atingem o jovem são na verdade políticas públicas para as classes mais baixas e não basicamente para a juventude.

O jovem não é o problema social e nem mesmo o futuro, mas sim ele é o agente construtor e o presente, o estudante, o trabalhador, aquele que mata e que morre, não pode ser tratado com políticas secundárias, este é o sentimento que move a vontade de construir políticas públicas para a juventude.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Discurso, cotas, cores e desigualdade racial


De todos os discursos, os que falam de “desigualdades”, o que percebo mais justo em nosso país, (não em uma relação hierárquica aonde existe prioridades no ramo da desigualdade) no sentido de tomada de espaço e consciência é o discurso da desigualdade racial.

Alguns brasileiros não conseguem fazer a leitura histórica de mais de trezentos anos de escravidão em território nacional, esquecem até mesmo dos dias atuais e das condições precárias que a maioria da população negra se encontra meio ao preconceito e demais formas de opressão gerados pelo capitalismo como a fome e a falta de condições sociais.

O discurso que não existe preconceito racial é tão bem arquitetado entre os brancos dominantes e alguns negros de cabeça branca como diria Malcolm X, que em algum momento chego a acreditar que venho a cometer injustiças por colocar o negro em uma situação desprivilegiada no quesito social.

O discurso hipócrita como exemplo que as cotas universitárias para negros em universidades públicas é uma forma de preconceito, de “novo apartheid”, me faz lançar a todos aqueles que se vestem destes dizeres algumas perguntas: Quem está com a maioria dos bancos docentes, brancos ou negros? Quem é chamado de mulato (na escravidão mulato era o filho de uma negra “mula” com um homem branco “anta”, dando um ser nem negro e nem branco, bastardo e rejeitado pela família paterna), este que se acha branco para fugir das piadinhas racistas, que se cria uma casta clara virtual para se defender das agressões dos “indivíduos mais claros”. Quantos estudantes negros existem nas universidades públicas? É questão de mérito ou de problemas históricos a falta do negro nos espaços de poder?

Aproveitando as perguntas, venho com outros questionamentos do porque da preferência entre meninos brancos nas adoções? Porque de dizer “este negro é lindo”, será que existe negro feio e negro lindo enquanto o branco não tem esta subdivisão? Porque o negro é subdivido em mulato, escurinho, clarinho, moreninho, isso para não falar da chacina em Ruanda gerada pela subdivisão dos negros fomentada pelos próprios europeus brancos. Este tipo de política existe até hoje no mundo para vender armas, vejamos os últimos vinte anos quando falamos de Serra Leoa, Congo e o pacifico americanizado Quênia. Sem falar na atitude americana de criar a Libéria!

Mesmo não generalizando, o gosto das “loiras” namoradas dos jogadores de futebol, dos artistas musicais, das personalidades negras, mas se você é um negro pobre e tenta puxar conversa com estas mesmas “loiras” na rua pode ocorrer o equivoco de ser confundido com um tarado ou até mesmo com um ladrão.

Para alguns é muita coincidência de que a maioria das periferias do Brasil morem negros, como antes dito, não é importante para os brancos fazer uma análise fria sobre escravidão e pós-escravidão no Brasil, tudo é um mero contexto social, agora se o branco sair de terno da favela e dirigir um carro importado a meia noite e ser parado por uma blitz policial, este será chamado de doutor. Já o negro com o mesmo terno e o mesmo carro importado, parado na mesma blitz pode ser inicialmente o motorista ou até mesmo em condições mais extremas como o ladrão do carro qual este dirigia antes da blitz.

Martin Luther King, um grande mobilizador e pioneiro nos Estados Unidos na luta pelos direitos civis, relata em seus escritos de que quando pequeno não entendia o porque de sentar em um lugar diferente no ônibus em Atlanta e nós aqui no Brasil ainda também não entendemos o porque da dificuldade de se conseguir emprego como recepcionista quando se é negro.

A dinâmica da desigualdade racial é interligada com a hipocrisia de um povo que um dia justificou na cor da pele a falta de capacidade de pensar e daí veio à escravidão tanto no Brasil quanto em grande parte do mundo, afinal já que estes não tinham capacidade de pensar como os brancos, poderiam ser vistos como animais, vendidos no pelourinho ou por quanto vale ou por quilo.

A tomada de consciência, conceito marxista, deve ser um objetivo claro dentro dos movimentos que trabalham com a identidade negra. Afirmar a negritude como no Movimento Panteras Negras nos anos setenta e oitenta era uma grande oportunidade de aumentar a estima e politizar este que sofre cotidianamente pela descriminação racial.

Termino lembrando uma frase da música Voz Ativa dos Racionais MC’s que falava “O carnaval era a festa do povo, era... mas alguns negros se venderam de novo. Brancos em cima, negros em baixo. Ainda é normal, natural 400 anos depois, 1992 tudo igual. Bem-vindos ao Brasil colonial”.


Leonardo Koury Martins

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Participação popular e transformação social

Da democracia representativa em seus deputados, vereadores, prefeitos e por ai vai, acredito mais na democracia participativa, nos conselhos, nas práticas populares, nas decisões coletivas.

Acontece neste ano à primeira Conferência Nacional da Juventude, marco importante no debate em caráter consultivo do Governo Federal, com extensão a estados e municípios. Uma grande oportunidade de mostrar o que queremos por uma juventude e por um Brasil mais justo e democrático.

Durante muitos séculos, melhor, durante quase um milênio a democracia deixou de ser falada no mundo, deste a caída das cidades-estados gregas e volta agora este debate principalmente com o governo Lula, entendendo que a participação é algo importante para delinear e acertar mais nas políticas públicas de estado.

O que nós devemos fazer é levantar as bandeiras, ir a luta e mostrar que esta Argentina de jovens, mais de 50 milhões da mesma faixa etária pensa, debate, age dia a dia contra todos os problemas sociais originados pela desigualdade social, principal manifestação deste capitalismo que divide mundos.

Como Sérgio Vaz dizia: a esperança renasce com a democracia, e acreditemos que nossa participação popular fará nascer, reviver, construir e modificar as mazelas do mundo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

As mentiras que o capitalismo conta

Que os comunistas comem criancinha ou que vão acabar com as igrejas isso todo mundo sabe, mas como de costumo, o capitalismo e seu lindo guarda roupa, ou melhor, suas novas roupagens estão agora com umas novas mentirinhas perversas, como aquela que o Lula deu um dedo para o capeta em troca da presidência em 89, coitado, a presidência só veio em 2002, somente 13 anos depois da promessa.

A primeira conto para vocês, mas não espalhem por ai. Fazer com que pensamos que este "sistema escravista" é imortal, entendendo que não adianta se conscientizar, que o classe em si para si para que? Ele quer nos fazer entender que este é o último estágio da humanidade, que não existe nada pós o capitalismo. Coitado de nós proletários que se o capitalismo foi o último estágio, morreremos todos de fome, ou melhor, quase todos, porque nosso dono e empregador não.


Outra mentirinha que o capitalismo conta para nos pobres trabalhadores é aquela clássica, que todo mundo precisa de dinheiro para ser feliz, nada supera o dinheiro, que só se consegue ser feliz consumindo, então para ser alguém tem que consumir.


Adivinhem, essa a melhor de todas, os que sonham com um mundo mais justo são loucos. Os que dizem que o capitalismo é perverso e mata de fome, de guerra, de frio, de toda atrocidade desenvolvida em pró seu sistema estão meramente loucos, estão no mundo da Lua, que se a felicidade está em consumir, estes porque não consomem dizem isso por inveja e estes que falam que um mundo melhor sem capitalismo é possível estão sonhando demais, em plena loucura.


Então, sonhar em um mundo pior, querer a felicidade na prática de consumo e acreditar que este é o último estágio da humanidade, isso é estar bem com sua sanidade mental. Como diria Fernando Pessoa: "Sou louco porque vivo num mundo que não merece a minha lucidez."

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Superlotação - O céu está cheio!



Cuidado, abram a válvula de escape, tente desovar o máximo possível, pois o céu está completamente lotado. Acredita-se que tem espaço para uns cem bilhões de seres humanos e mais alguns bichinhos como Poodle, coelhos e todos outros que se posam de bonzinhos perante os olhos de Deus.


O céu está cheio! Desde a existência da Terra, quando o primeiro toque da varinha mágica de Deus, todos aqueles que não tinham pecados foram para logo neste espaço celestial, onde os mortais descansam por toda eternidade, vagando sem rumo ou até mesmo sem o que fazer,

enfim, já acabou a vida mesmo, porque correr, trabalhar, comer um hambúrguer aceleradamente se não se tem mais motivo. Porque fazer Dieta? Não se há mais razão se a beleza agora é eterna e quem é feio se tiver oportunidade de encontrar com um Leonardo Da Vince, pode pedir um retrato melhorado, pois o céu não abre espaço para cirurgias além as da alma.


Os maridos e as mulheres também não têm mais o porque do compromisso, enfim, até que a morte os separa e agora lá estão, o Padre também aposentou e porque casar novamente, muitos convidados não vão ter a oportunidade de subir de elevador lá de baixo, ou melhor, do inferno que pelo menos não é monótono, pois lá pelo menos quem caiu apanha e tem o que reclamar o dia inteiro, quase igual a um trabalhador semidesempregado brasileiro, pois não se pode chamar de emprego os muitos empregos que hoje temos.


Mas, estamos aqui, presentes neste dilema, se cada vez mais gente for para o céu, onde vai ficar todo mundo? Estaremos todos cada vez mais sem espaço, uma disputa espacial, cotovelos aqui, esbarrões para cá, todos sem poder respirar, lembro-me dos transportes urbanos brasileiros e das embarcações tailandesas dentre os cinqüenta e seis canais que cercam Bancok.


E pergunto, afinal os cristãos que contam essa história para nós quando somos crianças esquecem de um dia explicar estes básicos fundamentos. Onde fica a válvula de escape, porque está ficando lotado o céu, afinal são bilhões e bilhões de moradores neste divino espaço cheio de personalidades como Deus, Alá, Buda, Davi, Moises, Pedro, acho que Pedro não, pois apesar de ter sido o primeiro Papa, mentiu, mas se o perdão estiver valendo ele compõe este espaço mais populoso do que a conurbação BosWash.


Por fim, acredito que já está superlotado, ou melhor só acredito mesmo, porque ainda não estou no céu, por enquanto fico aqui escrevendo crônicas e as registrando em papel.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Crise na economia


Este mundo perdido na economia da vida, na economia das bolsas, na economia para evitar o “apagão”, Na economia de política social nos municípios, afinal, eles já tem demais...

Nestes últimos dias, estamos diariamente vendo, até mais do que as novelas da mídia televisiva escravista, a crise estadunidense. Estamos todos vendo, uns com pipocas curtindo um bom filme de terror “holiudiano”, as casas compradas à prestação acabam de afogar milhares de norte americanos nas dividas de mercado.

E eu pensando que era apenas no Brasil que os bancos tinham seus dias de fúria, mas como citava Marx: o capital não tem pátria, tem lucro, no seu celebre O Capital.

O triste desta história é de ver que a economia parece mais uma criança com necessidades especiais, pois ela é muito mais noticiada do que qualquer vida, ou melhor, ela tem vida. Como se diz, A economia esta nervosa, a economia esfriou, a economia está com sérios problemas, à economia está em alta, está em crise (sentimental?).

Só não vejo a economia com frio, com sede e com fome, nem tomando bala perdida nas perdidas noites cariocas.
Leonardo Koury Martins

domingo, 27 de janeiro de 2008

O Brasil, a ONU e o Haiti.

Será que para entrar no conselho de segurança da Organização das Nações Unidas - ONU, nos brasileiros temos que nos render a tropas de “paz” no pequeno e conflituoso país chamado Haiti.

Mesmo não tendo uma linha direta que ligue os interesses estadunidenses e os interesses brasileiros, é sempre bom lembrar na nossa postura enquanto presente e futura liderança na América Latina, coisa que depende de uma política social sólida e uma relação fraterna com os nossos demais vizinhos de continentes, se tratando da América Latina abranger América do Sul, América Central e o México. Podemos com este levante diplomático ser mais do que uma liderança latino-americana, até mesmo sermos liderança para países africanos e de todos estes subdesenvolvidos no olhar do capitalismo.

Mas o gasto político das tropas brasileiras no Haiti lembra-se muito aos gastos de invasão do Iraque, apenas um simples interesse, no caso norte americano o petróleo e no caso brasileiro uma mera vaga no conselho de segurança da ONU.

O que se discute aqui não são basicamente os motivos, mas se discute o porque da intervenção de um país desestruturado socialmente como o Brasil e da fraca ONU qual depois de deixar indiretamente os estadunidenses invadirem Iraque e Afeganistão calçados em mentiras. O Brasil não é exemplo como tropa de paz, quando ainda não consolidamos as políticas democráticas tendo em vista que não está absolutamente democratizado no Brasil três refeições por dia, saneamento básico e até mesmo a escolaridade a todos os brasileiros.

Uma vaga em um conselho que não teve moral para barrar os estadunidenses da invasão de dois países em menos de dez anos não vale o sacrifício de intervir militarmente em um país que tem o direito de buscar o seu próprio caminho.
Ainda vou escutar do povo cantando: "Fora já, fora já daqui, Bushi do Iraque e o Brasil do Haiti."

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Carnaval na Bahia

Que a Bahia é um lugar maravilhoso, com belas praias e historicamente conservada como exemplo o Pelourinho isso ninguém discorda.

Estamos a poucos dias do Carnaval, daí vem o dilema. Bahia será o melhor lugar para passar o carnaval? Acredito que sim, mas antes, venho trazer algumas recomendações. Se for negro, tome cuidado com o tratamento que a polícia militar pode te dar. Se for morador, fique em casa e nem pense em sair para ver o verdadeiro "navio negreiro baiano".

Alguns músicos negros que conseguiram a fama não aceitam tocar no Carnaval da Bahia enquanto os corredores forem para os ricos e os pobres, os moradores de maioria negros serem jogados para o outro lado do Carnaval, um lado que não reflete alegria e sim desigualdade social.

Gosto de Carlinhos Brown e quando ele disse em entrevista a alguns anos no antigo Programa Livre do SBT: para que tocar no Carnaval da Bahia, se não posso tocar para a população da cidade, esta que trabalha o ano inteiro e não pode pular feliz por estarem do lado do cordão, o lado mais cruel, o lado da exclusão.

Bom, não precisa mais nada depois destas palavras:
clique aqui e veja um vídeo sobre o Carnaval da Bahia, o lado que a imprensa não mostra.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Histórico da FARC-EP, o novo alvo da mídia

*Foto de militantes da FARC-EP tendo aula sobre Simón Bolivar



Desde 1964, no momento em que o país se preparava para o golpe militar, surge em território colombiano entre nativos um sentimento comunista qual cria a atualmente conhecida como força “narcoterrorista”, pelo menos é o que mostra a tríplice aliança brasileira (direita, mídia e empresariado) unidos em um projeto pessoal e não para toda nação.

Pergunto-me, estes mesmos que chamam as FARC-EP (Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia – Exército do Povo), qual o interesse de culpar estes revolucionários por toda cocaína plantada na Colômbia?

Será que esquecemos que até mesmo o café nacional colombiano, o de melhor qualidade do mundo se sustentou escuramente com o dinheiro do mercado da cocaína, que até mesmo o presidente da Colômbia Álvaro Uribe vem sendo acusado de envolvimento com outros cartéis que comercializam e exportam a pasta de coca.

O problema do narcotráfico colombiano vai além da relação comercial ou de quem se sustenta por ele, vem desde os índios que mascavam a planta da coca até a vontade de meados da década de sessenta de fazer da cocaína um produto interno bruto do país.

Fazer da FARC-EP um alvo terrorista ou melhor, como denomina a imprensa “narcoterrorista” é não levar em consideração estes aspectos geográficos e sociais que afetam a Colômbia desde sua colonização, onde os espanhóis e seus futuros descendentes tiveram mais privilégios do estado colombiano do que os seus habitantes nativos servos de tamanha brutalidade e genocídio, típica da colonização espanhola na América do Sul.

Enfim, aqueles que chamam a FARC-EP de facção “narcoterrorista” esquece que na ditadura militar no Brasil, políticos como o Deputado Federal Fernando Gabeira seqüestrou um embaixador americano, que a Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff utilizou ações clandestinas para lutar pela liberdade de imprensa, de expressão e de até mesmo intrometer nos problemas do nosso vizinho de fronteira.

O alvo da mídia, o presidente democraticamente eleito na Venezuela Hugo Chaves deixou ficou no esquecimento depois de mostrar uma ação democrática ainda não vista no Brasil que é um plebiscito para aprovar a nova constituição, até mesmo o presidente Evo Morales não é mais alvo depois de mostrar um avanço educacional em seu país, qual desde 1512 nenhum governante teve coragem de subir nos Andes para escutar a população fazendo de La Paz um mundo paralelo às riquezas da província de Santa Cruz.

Assim agora é a vez da FARC-EP ser o alvo do sistema brasileiro de rádio difusão e seus comentários repicados e manipulados, porque o que eles querem é isso, a alienação de nós telespectadores.


Leonardo Koury Martins

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Mendigos, excluídos ou desfiliados?

Perguntaram-me outro dia sobre os excluídos, disse que não os conheço, daí me perguntaram, os mendigos ali, os excluídos do sistema capitalista. Perguntei ironicamente, o capitalismo exclui quem? Aqueles mendigos?

Novamente falaram, sim os excluídos, não queria aproveitar o momento para pregar a teoria marxista qual fala claramente do exercito industrial de reserva, se preferir chame de superpopulação relativa, mas como bom vivente da área social preferi citar Robert Castel quando ele fala dos desfiliados e não excluídos.

Aqueles que servem para servir de piedade para alguns é a melhor forma de persuasão para os capitalistas quando nos dizem “tem certeza que vão fazer greve? E seus empregos?” falei aos que me perguntaram sobre os excluídos que chamo também de desfiliados.

Estes sim são as peças do “xadrez capitalista”, dotados de sua mão de obra cada vez mais barata, amedrontada e por fim não menos pior, alienada.

Chego em casa, ligo a televisão e venho me abastecer de um prato de sopa, engraçado, olhe lá os mendigos, não, quero dizer excluídos ou melhor desfiliados em um certo programa televisivo recebendo um prato de sopa como o meu. Que alma caridosa, dar um prato de sopa a um desfiliado das loucuras do capitalismo, mas filiado na piedade de quem o desfilia.

domingo, 6 de janeiro de 2008

100 anos de Oscar Niemeyer



“A gente tem é que sonhar, senão as coisas não acontecem”. Começo assim a expressar a minha profunda gratidão para este que teve coragem de no reto fazer um círculo.

Além dessa frase dita pelo próprio “arquiteto maior” como ele é chamado por sua categoria profissional no mundo inteiro, Oscar Niemeyer provou que vai muito além de suas obras que marcaram a humanidade neste final de século, ele provou que um sonho nunca se acaba.

Lembram daquela importante lição de vida de Brecht na expressão, aqueles que lutam por um dia são bons, mas aqueles que lutam para sempre estes são imprescindíveis, o “arquiteto maior” no auge de seu centenário ele diz que acredita e lutaria pela revolução.

Em entrevista cedida a revista Caros Amigos na edição do mês de julho de 2006 Oscar declara-se comunista e diz que não podemos aceitar um regime que mata pessoas pela fome, pelas armar e pela exploração. Este conceito de lutar por um mundo melhor, acreditar que é possível faz com que Niemeyer dê esperança e mostre que o trabalho não somente é uma forma de ganhar dinheiro, mas de lutar pelo seu sonho; bem lembrada a Igreja de São Francisco em obra conjunta com Portinari.

“A gente vê que a coisa está melhorando, que há qualquer luz no horizonte, a gente tem uma esperança. Mas é difícil, principalmente para nós que não acreditamos em melhora dentro do regime capitalista”, depois de uma frase desta, não se precisa dizer mais nada. Hasta la victoria siempre compañeros.
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Movimento Estudantil Brasileiro

Os primeiros registros sobre a luta de estudantes no Brasil coincidem com as escolas de ensino superior em território brasileiro, quais existiram na necessidade que a aristocracia brasileira tinha de ter um ensino superior próximo, assim não precisavam mandar seus filhos para a Europa. Estas primeiras manifestações estudantis, tinham como objetivo pedir melhorias nas escolas tendo em vista um padrão europeu de educação, argumenta Arthur Poerner em seu livro Poder Jovem, onde esta bandeira era a principal luta dos estudantes onde o movimento estudantil e a educação eram bandeiras únicas e muito próximas de luta.

Os registros que envolveram lutas com grande aglomeração de estudantes foram documentados décadas depois no Rio de Janeiro, antiga capital federal, qual eclodiu na criação de uma entidade estudantil que pudesse falar pelo estudante, a União Nacional dos Estudantes então foi criada em 13 de agosto de 1937.

Com a criação da União Nacional dos Estudantes, outras bandeiras de lutas foram acrescentadas às bandeiras de uma melhor educação, como a melhoria e baixa de preço nos transportes coletivos das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, o “Teatro de Porta de Fabrica” trazendo cultura e orientando os trabalhadores sobre seus direitos além de um dos momentos mais marcantes da história brasileira, o movimento “O Petróleo é Nosso” mobilizando diversos setores da sociedade em 1957 contra a exploração dos recursos nacional por empresas estrangeiras.

A partir de 1964 até 1986, o movimento estudantil em sua grande maioria teve um caráter de clandestinidade principalmente depois do incêndio criminoso na sede da UNE, na praia do flamengo além de estudantes foram torturados, exilados e mortos como o presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas Edson Luiz de 16 anos em vinte oito de março de 1968 assassinado pelo regime militar.



Mesmo com a ditadura, o movimento estudantil em sua estrutura conseguiu se manter sólido até o fim do regime militar e voltando com grandes congressos como o de reorganização da União Nacional dos Estudantes em Salvador em 1979 e manifestações em torno das Diretas Já no início da década de oitenta.

Essa nova fase da história brasileira que fez com que o Brasil se redemocratizasse também fez com que o movimento estudantil tivesse uma nova estrutura, entre entidades gerais: União Nacional dos Estudantes e União Estadual dos Estudantes na esfera universitária e União Brasileira de Estudantes Secundaristas e Uniões Colegiais Estaduais na esfera secundarista, e entidades de base com o objetivo de ficar mais próximo dos estudantes como os Centros Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes na esfera universitária e na esfera secundarista os Grêmios estudantis, essa estrutura já não mais sofria com a repressão e passou a ter novas bandeiras de luta.

As novas bandeiras nacionais vêm de uma pluralidade conquista pelo movimento estudantil ao longo do tempo, qual também fez com que o Movimento Estudantil fosse o principal interlocutor entre o Jovem e os diversos setores da população além dos governos e do legislativo. Bandeira plural nesta visão tem como exemplo a Bienal da UNE, tentando democratizar e debater cultura, discussões sobre o Meio Ambiente sobre Gênero, além das bandeiras consensuais tiradas no Conselho de Entidades Gerais CONEG’s, entre elas a Reserva de Vagas em Escolas Públicas, a Reforma Universitária, o Passe Livre não apenas para estudantes se locomoveram para a escola, mas para acesso a cidade e seus endereços culturais como Museu e Biblioteca entre outros.

O Movimento Estudantil é marcado como o movimento social que mais lutou pela soberania nacional e por causas sociais e não apenas por questões de classe, sendo assim um movimento respeitado por todos brasileiros, com elogios ou críticas, mas um movimento social indispensável nas lutas do país.





“Acordei com um sonho e com o compromisso de torná-lo realidade"
Leonardo Koury Martins

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
Saramago

"Teoria sem prática é blablabla, prática sem teoria é ativismo"
Paulo Freire

"Enquanto os homens não conseguirem lavar sozinhos suas privadas, não poderemos dizer que vivemos em um mundo de iguais"
M.Gandhi

"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres"
Rosa Luxemburgo