quarta-feira, 1 de maio de 2019

Dia das trabalhadoras e trabalhadores e não dia do trabalho




Sim, no século 19, com toda a pobreza e outros problemas gerados pela ganância dos donos das fábricas, as trabalhadoras e trabalhadores do mundo se organizaram e se colocaram como sujeitos, protagonistas da disputa societária.

Não é pouca coisa, não foi , não será e até hoje trabalhadoras e trabalhadores, mesmo convivendo com toda exploração no capitalismo dizem em todo o mundo basta a opressão. São todas e todos? Ainda não são a totalidade que está nos atos e nas lutas, mas não podemos esquecer que o dia 1 de maio marca o dia destes que lutam, resistem e sonham.

Tem o dia das mães e não da maternidade, o dia das crianças e não da infância, o dia dos namoradxs e não do namoro. Então não é o dia do trabalho, mas de quem é protagonista e que muda a realidade através das suas mãos e intelectualidade, unindo a natureza e as necessidades humanas.

O dia é de quem é o ator principal do trabalho, dos que trabalham no comércio, nas escolas, nas políticas públicas, nas fábricas, nos campos, nas ruas e não dos que exploram o trabalhador(a) e se enriquecem com o lucro do próprio trabalho alheio.

Não podemos nos confundir, o capitalismo quer é isso mesmo. A chamada no Shopping é dia do trabalho, mas este dia tem alguém que deve ser lembrado, possivelmente quem recebeu este texto é Trabalhadora e Trabalhador, e não patrão.

Você que está lendo merece uma dica: trabalhadoras e trabalhadores de todo o mundo: em unidade somos mais fortes. Mais fortes não seremos explorados e consequentemente podemos ser livres e felizes. Pensem nisso!

O dia é nosso e não do trabalho!




Leonardo Koury: Assistente Social, Professor e Coordenador da Comissão de Direitos Humanos do CRESS-MG, militante da Frente Brasil Popular

segunda-feira, 25 de março de 2019

Moçambique, Brasil, Cuba e Estados Unidos: distantes proximidades




Em Moçambique chegaram 270 médicos cubanos enviados pelo Governo de Cuba. Os Governos dos EUA e do Brasil não mandaram nenhuma ajuda humanitária. Lá não tem petróleo.

Importante refletir sobre os seguintes aspectos: o Brasil e Moçambique tem em comum a língua portuguesa, a cor da pele e por se localizar no hemisfério sul. Os dois países são assolados por um triste histórico de colonização.

Porém, o Governo Federal brasileiro idealiza um país próximo dos Estados Unidos de Trump: armado, egoísta e que esconde nas telas de cinema a realidade vivida pelo povo estadunidense.

E Cuba? Tão relegada pelos embargos econômicos, foi solidária aos pobres brasileiros que não tinham atendimento médico e agora continuam na sua incansável prática de solidariedade internacional.

Enquanto isso, nosso país não se pronunciou oficialmente quanto as ações para Moçambique. O Governo Federal do Brasil preferiu fragilizar a soberania nacional não exigindo visto dos norteamericanos, e claro, não houve a mesma reciprocidade quanto o outro lado.

Proximidades distantes!



Leonardo Koury Martins, Assistente Social, Professor e coordenador da Comissão de Direitos Humanos do CRESSMG

sábado, 23 de fevereiro de 2019

O petróleo é o nome da ajuda humanitária





Se querem, vamos falar sobre a Venezuela.

O Brasil faz o jogo dos Yankees ao levar Dipirona e Leite em pó pela sua fronteira e pode com esta impensada atitude romper quase 200 anos de paz na América do Sul!

Falar em ajuda humanitária?

A mídia chama Maduro de "ditador" e o Guaidó de "presidente interino". A grande maioria do povo da Venezuela reconhece Maduro e o interino tem apoio de quem? Países liberais como Israel, Estados Unidos e do Brasil de Bolsonaro, claro!

A mesma mídia que apoiou o Golpe em 2016 e hoje o Brasil vive com quase 40% de desempregados e de pessoas em situação de subemprego. Nestes dois anos perdemos boa parte dos direitos trabalhistas e se nós, o povo, não formos para às ruas perderemos o direito à aposentadoria.

O presidente brasileiro deveria cuidar dos inúmeros problemas que já temos no país, mas contribui com o Golpe contra o povo venezuelano proposto pelos Estados Unidos. Não é por acaso.

O preço da "ajuda proposta" tem nome: Petróleo!

Não sejamos ingênuos. Se for enviar remédio e alimentos o governo venezuelano disse em claro e bom tom que pode comprar o que preciso for. A questão é a forma que está sendo realizada a "ajuda" que a curto prazo iremos acabar em uma guerra. É importante lembrar que o estado de Roraima depende da energia elétrica produzida na Venezuela e que a meses ela não paga e nem por isso a Venezuela cortou a luz dos roraimenses.

Quem ganha com a guerra?
Quem perde com ela já sabemos. 
O povo, dos dois países!


#HandOffVenezuela
#VenezuelaEnDefensaDeLaPaz



Leonardo Koury Martins,  Assistente  Social, Professor e militante da Frente Brasil Popular.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Vale Cocais


No barulho
Das sirenes
O coração
Dispara
A perna treme
Por mineração!
E tem que sair
Com toda correria
Com medo
Com receio
De que um dia
Não seja
Brumadinho
Nem mesmo
Mariana.
Quantos sustos
Ainda Viveremos
Como vive agora
Barão de Cocais.
Vale até quando?


Por: Leonardo Koury

sábado, 26 de janeiro de 2019

De quem é a Lama?



De um lado a Lama
Na janela das casas
Na própria cama
Na rua que a criança
Brincava
E agora escoa
A desgraça pública
Do interesse privado.
Os pobres precisam
De bombeiros
Os ricos precisam
De advogados.
Do outro lado
Coloca a natureza
Que sofre como riqueza
E ainda fica de culpada!
Não foi tragédia
Não foi desastre
Foi crime
E a imprensa global
Se sobre isso falasse
Não tinha esquecido
Mariana. Não tinha!
Agora foi Brumadinho.
Até quando?



Texto: Leonardo Koury
Foto: Isis Medeiros

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

TAMBÉM MORRE QUEM ATIRA. HEY JOE!




Por: Leonardo Koury


A música escrita por Billy Roberts expressa o futuro anunciado pelo Jornal O Tempo na região metropolitana de beagá e em todo país não está sendo diferente.

Uma sociedade violenta, autoritária e intolerante que só consegue ver o amor dentro de suas casas, de suas igrejas e dos seus iguais. Odeiam a diversidade, as diferenças e os diferentes. 

São covardes porque lutam apenas para a própria felicidade quando esquecem que a sociedade é muito maior do que o seu ego. 

Não quero morrer e nem mesmo quero atirar. O país não encontrará a paz tendo o próprio brasileiro como inimigo. 

O Bolsonaro não precisa da minha torcida contra, ele persegue a minha linha de pensamento e a minha realidade humana todos os dias. 

Ele luta contra a minha existência e de quem amo nos discursos, nas medidas provisórias e na escolha dos seus ministros que balança do fanatismo aos militares e políticos indiciados por Corrupção.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Reflexões sobre os museus e a cultura enquanto política pública



Por: Leonardo Koury

O Museu Nacional neste final de semana foi queimado vivo, literalmente. Estamos a cada dia estreitando duas condições humanas terríveis, o neoconservadorismo e o neoliberalismo. 

Condições expostas por um sistema econômico que privilegia os ricos e trata o que é público no que deve ser entendido pelo país como gastos básicos e presos na escazes das não prioridades.

O capitalismo  e claro, acelerado pelo Golpe no Brasil, desconsidera a Cultura como um direito. Vale ressaltar que essa política pública está com investimentos insuficientes e trancada dentro da Emenda Constitucional 95 que congela o investimento em políticas sociais até 2036.

Só a luta muda, mas para que nossa identidade nacional seja preservada a luta passa pelo poder popular, por financiamento público para o que é um direito da coletividade. 

Não há cultura que sobreviva em tempos de eolpe!


Leonardo Koury - Assistente Social, Professor e militante da Frente Brasil Popular

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Pinos, Helicoca e o Disco Voador



Trabalho em Neves 
Na manhã bem cedo
Pego o pós madrugada
Atravesso a passarela
Que divide a minha casa
E essa quebrada
Muito pino que rola
Gramas, muita grana
Que desembola 
Uma série de reflexões
Loucuras, felicidades 
Desejo ou dor. Frustrações!
A Questão Social
E suas expressões.

As vezes tem tiros
Todos os tipos de tiros
Em mulheres, crianças
E em meus amigos.
Que psicoativa(mente)
Tem seu valor.

Realidade é chata
Também quase me mata.
Mas o que me causa temor
É saber que o Helicoca passa
E a culpa é nossa?
Mídia de bosta
Nossa: Negras(os) pobres, faveladxs
Nós: assolados, isolados.
Helicoca é mito pra rico
Igual o disco voador.
Que terror!

Por: Leonardo Koury - Escritor, Assistente Social, Professor e militante na Frente Brasil Popular

sábado, 11 de agosto de 2018

NOTAS SOBRE A PROTEÇÃO INTEGRAL, DIVERSIDADE E ENFRENTAMENTO DAS VIOLÊNCIAS





A tentativa de construir um texto curto, de fácil linguagem e entendimento é o que norteará o breve diálogo sobre os termos e conceitos que falam dos desafios postos para a 11ª Conferência Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes. Portanto a perspectiva é que possamos iniciar uma localização do porquê sobre a proteção integral, diversidade e violências (no aspecto dos enfrentamentos) estão colocados neste conjunto.

De início, falar sobre a proteção integral, em especial para esta parcela da população, não se pode descasar com as condições em que a maioria população brasileira na atualidade está disposta. Baixos salários, desemprego, precariedade no acesso das políticas públicas entre outros flagelos. Entender que é neste contexto a difícil tarefa em garantir uma noção de que proteger deve estar concatenada com a Seguridade Social e as políticas sociais.

No que trata de crianças e adolescentes, sujeitos de direitos, viventes numa sociedade adultocêntrica (que não reconhece as diversas formas de representação política deste segmento) e por outro lado o constante desafio de estar com suas vidas garantidas meio à precariedade posta no parágrafo acima que retrata a conjuntura atual.

Não é por acaso que o artigo 227 da constituição federal se inicia com a palavra é “dever” e não é direito. Pois às crianças e adolescentes, para ter os seus direitos resguardados, de forma primária precisam que (no aspecto do dever) a Família, a Sociedade e o Estado garantam o compromisso com a proteção integral que vai de questões relatas na materialidade pública até as políticas sociais, acesso ao mundo do trabalho protegido e resguardá-las de toda e qualquer violência.

É necessário também fazer um recorte que as famílias são um pequeno núcleo da coletividade e quando a entendemos paralelas a sociedade e ao Estado não quer dizer que ela tenha as mesmas condições de garantir a proteção integral. Se é dever da família e da sociedade o cuidado (por exemplo) ele se materializa nas condições em que o Estado construa através de orçamento e políticas públicas o que se expressa no artigo no âmbito da materialização da saúde, educação, assistência social, esporte entre outras.

Vale ressaltar que nos últimos anos o Estado Brasileiro tem deixado de lado a ampliação de uma série de serviços públicos e a partir da aprovação da Emenda Constitucional 95, e será um grande desafio a proteção não apenas deste segmento, mas para toda a sociedade. Vejamos os números e questões colocadas:

De acordo com Grazielle David, assessora do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), o orçamento do ano de 2017 para as políticas públicas marcou o pior investimento dos últimos 50 anos. União, estados e municípios ampliaram no valor de 2016 apenas 1,17% do PIB em todas as políticas públicas. Em contrapartida, as isenções tributárias e os juros da dívida pública chegam a somar 52,7% do Orçamento Público. O que isto quer dizer? Que até o ano de 2036, quando termina o prazo da emenda 95, os investimentos serão cada vez menores o que acarretará inclusive o fim do orçamento para algumas políticas como a de Assistência Social ou mesmo a terceirização de serviços públicos como Escolas, Unidades de Saúde e Hospitais. Como garantir a proteção integral neste cenário?

Antes de falar da diversidade é necessário dialogar sobre as diversas violências sofridas cotidianamente por crianças e adolescentes no Brasil e no Mundo. As violações de direitos são um tema contínuo e deve ter a atenção deste conjunto de atores sociais (Família, Sociedade e Estado), as crianças e adolescentes estão em todo e qualquer dado estatístico como as mais vulneráveis à violência e exploração sexual, tortura ou mesmo propícias ao abandono. O olhar adultocêntrico deve ser quebrado em nossa sociedade.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, a cada 7 minutos morre uma criança ou adolescente no mundo.

O cuidado passa ao compreendemos que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e suas formas de verbalização e política devem ser compreendidas na sua integralidade. Nos anos de 2016 e 2017 o número de violações no Brasil para este segmento aumentou em 56% no âmbito das denúncias feitas pelo Disque 100 de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos.

Criar políticas de enfrentamento às violências é preciso, mas os números que tratam das diversas violações só irão cair quando a qualidade de vida das crianças, adolescentes e suas famílias forem foco do investimento público. Não se pode investir mais no capital financeiro do que em políticas sociais (vide Emenda 95). Prevenir violências passa por garantir condições de acesso as políticas públicas e que este acesso seja pautado na qualidade da oferta e construída inclusive com a participação das crianças e adolescentes que tem toda a condição e legitimidade de dizer sobre o que demandam e o que esperam desta oferta.

E por onde caminha neste conjunto de conceitos a Diversidade? É importante primeiramente construir a ideia de que diversidade é esta que estamos colocando como desafios para a garantida dos direitos da população entre zero até dezoito anos. O Brasil esconde por uma condição hipócrita de democratismo e passividade sob a realidade de que somos majoritariamente negras/os como exemplo concreto.

Além disso, a condição não pode determinar quem somos, porém, a esperança é que nas crianças e adolescentes, em especial na primeira infância, que o compromisso de desconstruir o preconceito e valorizar nossos saberes, da sexualidade, histórias e cores de uma sociedade brasileira seja potencializada no dia a dia da Família, Sociedade e Estado.

A infância e a juventude podem dar para o presente /futuro a convivência das nossas diferenças sem que se tornem desigualdades. Está presente também neste segmento pessoas com deficiência, mulheres, religiosidade e enquanto classe: a potencial luta por sobreviver ao preconceito construindo alternativas cotidianas de ter o sorriso e a esperança como a estratégia de afirmar nossas diferenças.
O texto termina por aqui, o diálogo não; mas ao parafrasear Rosa Luxemburgo é necessário acreditar em uma sociedade em que crianças e adolescentes sejam farol de um mundo humanamente diferente, socialmente igual e claro, um dia, todas e todos totalmente livres.




Leonardo Koury Martins – Assistente Social (CRESS 15.472 6ª Região), Professor do Curso de Serviço Social do Centro Universitário Unihorizontes, servidor público em Ribeirão das Neves e conselheiro, coordenador da Comissão de Direitos Humanos do CRESS-MG.

“Acordei com um sonho e com o compromisso de torná-lo realidade"
Leonardo Koury Martins

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
Saramago

"Teoria sem prática é blablabla, prática sem teoria é ativismo"
Paulo Freire

"Enquanto os homens não conseguirem lavar sozinhos suas privadas, não poderemos dizer que vivemos em um mundo de iguais"
M.Gandhi

"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres"
Rosa Luxemburgo