sexta-feira, 18 de maio de 2018

Governo Temer tenta mais uma vez convencer sobre o golpe na primeira infância e sucateia a assistência social


Aconteceu hoje (18) a visita do Ministério do Desenvolvimento Social MDS ao estado de Minas Gerais para dialogar com a população e conselheiras/os do Conselho Estadual de Assistência Social CEAS-MG sobre a adesão do programa Criança Feliz. 

De acordo o material apresentado pelos representantes do Ministério, a primeira infância faz do carinho e cuidado sendo que segundo “pesquisas” as crianças e mães pobres, assim como suas famílias podem estar sendo afetas no seu entendimento cognitivo e neurologia pela falta deste “carinho”. Neste sentido o Governo Federal reduziu o orçamento das políticas sociais e lançou da alternativa de criar novos programas como o Criança Feliz. 

Entre as falas os Conselhos de Psicologia, Serviço Social e mesmo o COGEMAS reiteram a posição de ser contrário a adesão ao programa. Desde a sua criação o que foi debatido em comum é a ausência de espaços de participação na elaboração de sua proposta e descumprimento das deliberações das conferências e espaços de pactuação. 

Culpabilizar as mães pela pobreza não pode ser uma diretriz de um programa social. A falta de carinho e cuidado não são causadoras da pobreza e sim a desigualdade social, que pós 2016 se amplia, trazendo milhões de desempregadas/os, retração dos investimentos no Serviço Público e no contraponto aumento de isenções tributárias e fiscais às grandes empresas privadas no país. 

Promover a infância e a juventude é garantir mais direitos, que só se faz com justiça, democracia e igualdade em condições.

sábado, 5 de maio de 2018

200 anos de MARX


Há exatos 200 anos, em uma família judia de classe média da Renânia, a sudoeste de uma Alemanha dividida, atrasada e despótica, nascia Karl Heinrich Marx. Poeta apaixonado quando jovem, filósofo por formação, revolucionário profissional, político e organizador, matemático amador, fumante compulsivo, suas ideias definiram em grandes linhas a história da humanidade ao longo do século 20 e até hoje. Marx não inventou nem descobriu a luta de classe, mas a explicou de uma maneira que ninguém jamais havia feito antes. 

Por detrás dos conflitos aparentemente acidentais entre patrões e empregados, escravos e senhores, servos e nobres, Marx viu profundas bases materiais, poderosas forças econômicas e sociais: a luta pelo controle sobre as riquezas extraídas da natureza e transformadas pelo trabalho humano. E o mais importante: deu a esses conflitos um sentido, um objetivo, formulou um programa, uma saída, um meio de superá-los. 

Marx também não inventou o socialismo, que já existia como corrente filosófica e movimento político muito antes dele. O que Marx fez foi dar ao socialismo bases científicas. Transformou um sonho romântico em um objetivo alcançável. Em meio aos diferentes conflitos das diferentes classes sociais, Marx identificou que a classe dos trabalhadores assalariados, por não possuir nenhuma propriedade e por ser encarregada de mover, com seu trabalho, a gigantesca roda do capital, concentrava em si todas as explorações e todas as opressões de todas as outras classes exploradas e oprimidas. 

E que por isso a sua libertação do jugo do capital acarretaria a libertação de toda a humanidade. Ao contrário do que se diz, Marx não era economista, mas sim um crítico da economia. Sentou-se durante 20 anos em um gabinete úmido e mal iluminado para provar ao mundo que a assim chamada “ciência econômica” não passava de ideologia. Que por detrás das fórmulas impessoais dos economistas, o que havia era trabalho humano, suor e sangue. Nessa busca, Marx desvendou o verdadeiro mecanismo da exploração capitalista: ao oferecer uma certa quantidade de dinheiro ao trabalhador em troca de uma certa quantidade de horas de trabalho, os capitalistas arrancavam dos trabalhadores uma quantidade de riquezas muito maior do que aquela que pagavam na forma de salário. Era um “valor a mais”, que Marx chamou de mais-valia ou mais-valor. 

Não havia nenhuma liberdade na relação capital-trabalho. A igualdade jurídica entre patrões e empregados escondia a desigualdade real entre despossuídos e possuidores, mascarava a obrigatoriedade dos trabalhadores se submeterem à exploração para não morrerem de fome. Marx não se contentou em explicar o mundo. Ele queria transformá-lo. Construiu partidos, uma associação internacional, organizou, ensinou, escreveu, agitou, conclamou. Atacou governos, políticos, papas e generais. Abriu mão de uma confortável cátedra em sua universidade natal. Pagou o preço. 

Foi exilado e perseguido. Morreu pobre, mas com sua honra intacta. Seus últimos dias foram particularmente difíceis. A morte da esposa amada com um câncer doloroso. Marx morreu deixando para trás uma obra impossível de ser medida, um conjunto grandioso de ideias tão poderosas quanto eternas. Marx morreu no dia 14 de março de 1883, mas – coisa estranha – sua morte foi anunciada milhões de vezes desde então! Sempre é a “morte definitiva”. 

E a cada vez os inimigos da liberdade e do progresso humano comemoram mais e soltam mais fogos. Há algo que não se entende sobre Marx: que suas ideias adquiriram vida própria, que o que ele revelou não pode mais ser escondido porque toda a humanidade caminha exatamente no sentido que ele disse caminhar: para disjuntiva entre a barbárie e o socialismo. 

O mundo mudou muito desde Marx. Mas não os pressupostos de sua teoria: a exploração do capital sobre o trabalho segue sendo a pedra fundamental sobre a qual se erguem todas as maravilhas e todas as desgraças da espécie humana. O socialismo segue vivo nas ideias de Marx e na luta da classe trabalhadora do século 21. Diz um ditado espanhol “los muertos que vos matáis gozan de buena salud”. Assim é Marx. 

Anunciem a sua morte! Toquem as trombetas! Não importa. Nascido há 200 anos, ele segue vivo, e goza de perfeita saúde. 

Por: Esquerda on-line

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Falando sobre classes de forma simples




Por: Leonardo Koury Martins


Quem realmente produz a riqueza? Não há dúvidas seja pelo acúmulo teórico ou pelas experiências práticas de dois séculos do modo de produção capitalista.


Quem produz a riqueza que vem das fábricas e do campo?

Os operários e operárias que em seus postos de trabalho atuam constantemente. Não é diferente as situações das lojas dos comércios em que as vendedoras e vendedores se desdobram
para vender o que está ali exposto. Das lanchonetes das periferias, no serviço público e até mesmo nas empresas de comunicação.

Quem vive de salário é trabalhador, é trabalhadora. Diretores de empresas, chefes de repartição não são patrões. São também funcionários, que vendem sua força de trabalho.

Em resumo, quem trabalha é a classe trabalhadora.

Mas não é ela quem fica com a riqueza. Por quê? A resposta está na diferença entre tudo que se gastou para produzir e o total do que se vendeu. O excedente é o que se chama mais-valia.

Essa diferença fica para os patrões, que engana o povo trabalhador oferecendo o salário como recompensa pelo trabalho produzido. O salário é apenas parte, e uma parte pequena, da riqueza produzida pelo trabalhador.

Precisamos ter a consciência que o dono de uma rede supermercados, o patrão (não estamos falando do gerente este é o trabalhador também) em nenhum momento esteve no caixa, no estoque ou mesmo cultivando legumes e hortaliças.

Enquanto escrevo este singelo texto, meus patrões (a burguesia) voam possivelmente para a Suíça com vistas de aproveitar o inverno europeu. Trabalharam muito? Férias? Não. Apenas contratam quem administra nossas vidas e suas riquezas que foram produzidas por nossas mãos.

A consciência é o momento em que paramos de competir pela vaga do trabalho do outro, de julgar os colegas, de compreender que todas as dores ali têm uma causa. Esta causa a cada dia se torna mais esquecida pela alienação. A alienação é o Alzheimer social que nos deixa a cada momento mais distante de romper com a possibilidade de termos um futuro livre.

Ah! A liberdade.

Para os ricos, nossa liberdade tem o preço de sua morte econômica, mas para nós, a nossa liberdade tem o preço de não mais ter preço. A vida e a liberdade não têm preço.

*Leonardo Koury Martins é professor, assistente social e militante na Frente Brasil Popular

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

As 12 vitórias de Maduro em 2017 destacadas por Ignacio Ramonet



O jornalista e analista político Ignacio Ramonet destacou nesta segunda-feira (1º), em um artigo opinativo, 12 triunfos obtidos em 2017 pela Revolução Bolivariana, liderada pelo presidente Nicolás Maduro. Ramonet assinala que o mandatário venezuelano confirmou assim que continua sendo, como dizem seus seguidores, “indestrutível”.


Leia aqui no Teoria Versus Prática os 12 triunfos descritos por Ramonet:


1 – Exercícios de Ação Integral Anti-imperialista Zamora 200, manobras cívico-militares organizadas pelo presidente Maduro em 14 de janeiro, com a finalidade de enfrentar o golpe parlamentar promovido pela direita. Na atividade participaram 578.230 homens e mulheres entre profissionais da Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb), milicianos e movimentos sociais.

2 – Massiva participação do povo em 23 de janeiro ao chamado que Maduro fez a uma marcha para conduzir os restos mortais de Fabrício Ojeda ao Panteão Nacional, no mesmo dia em que se realizava uma manifestação da oposição.

“Pôde-se ver claramente como o chavismo popular domina as ruas, enquanto que a oposição exibia suas divisões e sua fraqueza extrema”, expressa Ramonet.

3 – Solidariedade diplomática da maioria dos Estados latino-americanos e caribenhos, frente à campanha de ingerência contra a Venezuela, assim como os constantes ataques desde a Organização de Estados Americanos (OEA) respaldados pelos setores mais extremistas da oposição e dirigentes políticos de direita na América Latina.

Depois desta constante ingerência por parte da OEA, a Venezuela decidiu em abril iniciar o processo de retirada dessa organização.

4 – Convocação, eleição massiva e instalação da Assembleia Nacional Constituinte (ANC). Diante do chamado que o mandatário fizera em 1º de maio do ano passado, mais de oito milhões de venezuelanos respaldaram a instalação da ANC, com a finalidade de garantir a paz e derrotar as ações violentas perpetradas pela oposição entre abril e julho, ações violentas que deixaram um saldo de mais de 120 mortos e mil feridos.

“No dia seguinte, como havia vaticinado o presidente, as ‘barricadas’ se dispersavam, a violência se desvanecia, a paz voltava a reinar (…) O presidente Maduro conseguiu desse modo derrotar as ‘barricadas’ e abortar a evidente intentona golpista”, enfatizou Ramonet em seu artigo.

5 – Vitória eleitoral de 15 de outubro nas eleições regionais, em que 18 dos 24 governos do país passavam às mãos da Revolução Bolivariana, e em 10 de dezembro se somou o de Zúlia.

6 – Triunfo nas eleições municipais de 10 de dezembro, com a obtenção de 308 prefeituras do total de 335 – 93% dos municípios do país -. A Revolução Bolivariana obteve a maior vitória que uma força política já recebeu na história da Venezuela, “enquanto que a contrarrevolução confirmava sua impopularidade com uma queda vertical de seus eleitores, perdendo mais de dois milhões e 100 mil votos”.

7 – Criação da comissão para consolidar o refinanciamento e a reestruturação da dívida externa, anunciada em 3 de novembro, com o propósito de superar as agressões financeiras. Depois do anúncio, o Governo Nacional se reuniu com um grupo de credores da dívida venezuelana procedentes dos Estados Unidos, Panamá, Reino Unido, Portugal, Colômbia, Chile, Argentina, Japão e Alemanha.

8 – Diante do bloqueio para adquirir medicamentos, o presidente concretizou, também em novembro, a chegada ao país de importantes carregamentos de insulina procedentes da Índia.

9 – A criação da moeda digital Petro, criptomoeda que estará lastreada pelas reservas energéticas e minerais da nação, contribuirá com o processo de recuperação e relançamento econômico em 2018, ao fortalecer o sistema financeiro, contrapor-se ao bloqueio à nação e aceder a novas formas de financiamento internacional.

10 – Avanços sociais através do Carnê da Pátria, que permitiu fortalecer toda a política de proteção ao povo das missões e grandes missões impulsionadas pela Revolução Bolivariana, com programas que abordam diretamente os setores mais vulneáveis do país.

11 – Grande ofensiva contra a corrupção no setor petroleiro.”Nada parecido havia ocorrido em cem anos da indústria petroleira venezuelana. Esta foi sem dúvida a vitória mais comentada do presidente Maduro nos finais de 2017″, diz Ramonet.

Desde agosto de 2017 foram feitas 69 prisões, que incluem 18 altos cargos dentro da Pdvsa e no Ministério do Petróleo. Entre eles destacam-se as ordens de apreensão contra Rafael Ramírez, ex-ministro do setor e ex-titular da Pdvsa durante 10 anos; de Eulogio del Pino e Nelson Martínez, também ex-presidentes da estatal.

12 – Fazer com que a oposição se sente à mesa de diálogo. “Desta vez no cenário neutro da República Dominicana, sobre a base do respeito e do reconhecimento mútuo (…) Semelhante avanço rumo à paz foi talvez a mais apreciada vitória do presidente”, ressalta Ramonet.

Desde 2013, o presidente Maduro fez 338 chamados ao diálogo e à paz. Somente em 2017 fez 269 convites à oposição venezuelana para encontrar uma solução aos problemas, pela via do diálogo permanente e do estabelecimento de um acordo mínimo de convivência, sendo estes 11 e 12 de janeiro uma nova jornada de diálogo para a paz.

domingo, 17 de dezembro de 2017

O povo decide, Diretas Já



Por Clara Maragna e Leonardo Koury

Primeiro a gente tira a Dilma, rasga a Constituição Federal, fortalece o Estado policial, e nos resta saber: Quem controla o judiciário?

Entender o processo político que o Brasil vem sofrendo, é uma tarefa árdua e emblemática para todos nós. Mas de certo, é notório que a surpresa tornou-se um elemento central desse arranjo golpista, que tem como pano de fundo a ação do Poder Judiciário.

Traições, malas, chips invisíveis, Família Neves, Lava Jato, Temer, retirada de direitos, capas de revistas, prisões decretadas, almoços, judiciário desequilibrado e a ampulheta do tempo correndo contra o povo brasileiro.

Em meio a tanta fumaça sentenciada, é importante perceber que os atores do golpe não possuem cadeira cativa no Congresso Nacional, e tão pouco se resumem aos aliados de Temer.

Se assim, o fosse, a rejeição de Temer não seria exorbitante, e não estaríamos aqui falando desse novo capítulo, que além da cassação do Presidente golpista trará também uma corrida de atores pela linha sucessória da Presidência da República.

Quem opera o golpe não deseja que ele acabe, mas que ele se estruture e naturalize de modo a dificultar qualquer reação do povo brasileiro, afinal de contas a história nos ensinou que toda expansão de regimes totalitários sempre esteve relacionada aos problemas econômicos e sociais de um Estado imerso em ações ilegais sob os olhos do judiciário.

A sensação de que ha um distúrbio social é inerente ao processo vivenciado por todas e todos nós, especialmente porque essa anomalia se inicia através de uma ação contra os nossos direitos garantidos num Diploma Legal violado.

Com a previsão da saída de Temer, o golpe toma novos contornos, a Constituição Federal começa a ser avocada através das eleições indiretas por setores golpistas, de modo a legitimar o processo realizado por Michel Temer.

PORQUE NÃO DEVEMOS ACEITAR AS ELEIÇÕES INDIRETAS?

Podemos começar a falar que não devemos aceitar eleições indiretas porque não queremos a continuidade dessa orquestra golpista. Além disso, esse desejo por eleições indiretas não passa pela polarização entre coxinhas e não coxinhas, ou pelos projetos de poder ideológicos de esquerda ou direita, mas por uma estruturação anti democrática que será corroborada por interesses privados.

Não é legítimo avocar normal legal de uma Constituição violada, posterior a retirada do Estado Democrático de Direito, para consolidar uma violação nacional.

Defender eleições indiretas é legitimar o golpe na medida em os atos anteriores à sucessão presidencial produzirão efeitos concretos. A estrutura de poder é determinada pelo conteúdo da sua ação, e de fato os interesses da maior rede de televisão se resumem em apropriar -se do processo mais do que a população que constrói esse país.

É preciso entender que a ordem de um Estado Democrático destina-se a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna e pluralista.

Exigir o cumprimento desses princípios que regem a Constituição Federal, é construir uma disputa justa, e a possibilidade da escolha de representatividade pelos cidadãos e cidadãs brasileiras.
Estamos diante de um capítulo que nos aparece sob a corda bamba à beira de um abismo, recheado de fatos que nos dá elementos suficientes para lutarmos pela Democracia brasileira. Não é apenas a conexão de uma nova fase da conjutura, mas uma etapa da tática que a elite brasileira avança no objetivo central que é a volta do liberalismo e o estado mínimo.

Talvez a pergunta inicial, sobre quem controla o judiciário, aqui, toma outra percepção, a de que é preciso estar nas ruas, em todos os tipos de ações diretas, para tentarmos nesse último respiro, restabelecer um mínimo de razão com as eleições diretas. Estas não podem ser entendidas como apenas a volta de um governante eleito por voto popular, mas a concretude de que todo poder emana do povo, afinal está no parágrafo único do primeiro artigo da Carta de 88.

É preciso estar atentos, fortes, e nas ruas, afinal o poder emana do povo, o povo decide, Diretas Já!


Por Clara Maragna, advogada popular e militante da Frente Povo Sem Medo e Leonardo Koury, professor e assistente social militante da Frente Brasil Popular

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Frei Betto: dez conselhos para os militantes de esquerda



1. Mantenha viva a indignação. 
Verifique periodicamente se você é mesmo de esquerda. Adote o critério de Norberto Bobbio: a direita considera a desigualdade social tão natural quanto a diferença entre o dia e a noite. A esquerda a encara como uma aberração a ser erradicada. 

Cuidado: você pode estar contaminado pelo vírus social-democrata, cujos principais sintomas são usar métodos de direita para obter conquistas de esquerda e, em caso de conflito, desagradar aos pequenos para não ficar mal com os grandes. 

2. A cabeça pensa onde os pés pisam. 
Não dá para ser de esquerda sem "sujar" os sapatos lá onde o povo vive, luta, sofre, alegra-se e celebra suas crenças e vitórias. Teoria sem prática é fazer o jogo da direita. 

3. Não se envergonhe de acreditar no socialismo. 
O escândalo da Inquisição não faz os cristãos abandonarem os valores e as propostas do Evangelho. Do mesmo modo, o fracasso do socialismo no Leste europeu não deve induzi-lo a descartar o socialismo do horizonte da história humana. 

O capitalismo, vigente há 200 anos, fracassou para a maioria da população mundial. Hoje, somos 6 bilhões de habitantes. Segundo o Banco Mundial, 2,8 bilhões sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. E 1,2 bilhão, com menos de US$ 1 por dia. A globalização da miséria só não é maior graças ao socialismo chinês que, malgrado seus erros, assegura alimentação, saúde e educação a 1,2 bilhão de pessoas. 

4. Seja crítico sem perder a autocrítica.
Muitos militantes de esquerda mudam de lado quando começam a catar piolho em cabeça de alfinete. Preteridos do poder, tornam-se amargos e acusam os seus companheiros (as) de erros e vacilações. Como diz Jesus, vêem o cisco do olho do outro, mas não o camelo no próprio olho. Nem se engajam para melhorar as coisas. Ficam como meros espectadores e juízes e, aos poucos, são cooptados pelo sistema.

Autocrítica não é só admitir os próprios erros. É admitir ser criticado pelos (as) companheiros (as). 

5. Saiba a diferença entre militante e "militonto". 
"Militonto" é aquele que se gaba de estar em tudo, participar de todos os eventos e movimentos, atuar em todas as frentes. Sua linguagem é repleta de chavões e os efeitos de sua ação são superficiais. 

O militante aprofunda seus vínculos com o povo, estuda, reflete, medita; qualifica-se numa determinada forma e área de atuação ou atividade, valoriza os vínculos orgânicos e os projetos comunitários. 

6. Seja rigoroso na ética da militância.
A esquerda age por princípios. A direita, por interesses. Um militante de esquerda pode perder tudo: a liberdade, o emprego, a vida. Menos a moral. Ao desmoralizar-se, desmoraliza a causa que defende e encarna. Presta um inestimável serviço à direita. 

Há pelegos disfarçados de militante de esquerda. É o sujeito que se engaja visando, em primeiro lugar, sua ascensão ao poder. Em nome de uma causa coletiva, busca primeiro seu interesse pessoal. 

O verdadeiro militante, como Jesus, Gandhi, Che Guevara, é um servidor, disposto a dar a própria vida para que outros tenham vida. Não se sente humilhado por não estar no poder, ou orgulhoso ao estar. Ele não se confunde com a função que ocupa. 

7. Alimente-se na tradição da esquerda.
É preciso oração para cultivar a fé, carinho para nutrir o amor do casal, "voltar às fontes" para manter acesa a mística da militância. Conheça a história da esquerda, leia (auto) biografias, como o "Diário do Che na Bolívia", e romances como "A Mãe", de Gorki, ou "As Vinhas de Ira", de Steinbeck. 

8. Prefira o risco de errar com os pobres a ter a pretensão de acertar sem eles. 
Conviver com os pobres não é fácil. Primeiro, há a tendência de idealizá-los. Depois, descobre-se que entre eles há os mesmos vícios encontrados nas demais classes sociais. Eles não são melhores nem piores que os demais seres humanos. A diferença é que são pobres, ou seja, pessoas privadas injusta e involuntariamente dos bens essenciais à vida digna. Por isso, estamos ao lado deles. Por uma questão de justiça. 

Um militante de esquerda jamais negocia os direitos dos pobres e sabe aprender com eles. 

9. Defenda sempre o oprimido, ainda que, aparentemente, ele não tenha razão.
São tantos os sofrimentos dos pobres do mundo que não se pode esperar deles atitudes que nem sempre aparecem na vida daqueles que tiveram uma educação refinada.

Em todos os setores da sociedade há corruptos e bandidos. A diferença é que, na elite, a corrupção se faz com a proteção da lei e os bandidos são defendidos por mecanismos econômicos sofisticados, que permitem que um especulador leve uma nação inteira à penúria. 

A vida é o dom maior de Deus. A existência da pobreza clama aos céus. Não espere jamais ser compreendido por quem favorece a opressão dos pobres. 

10. Faça da oração um antídoto contra a alienação.
Orar é deixar-se questionar pelo Espírito de Deus. Muitas vezes, deixamos de rezar para não ouvir o apelo divino que exige a nossa conversão, isto é, a mudança de rumo na vida. Falamos como militantes e vivemos como burgueses, acomodados ou na cômoda posição de juízes de quem luta.

Orar é permitir que Deus subverta a nossa existência, ensinando-nos a amar, assim como Jesus amava, libertadoramente. 

Frei Betto é escritor, autor do romance "Entre todos los hombres" (Editorial Caminos, La Habana), entre outros livros.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Educação é poder



Crônica original do Brasil de Fato e publicada no Jornal Brasil de Fato MG


Um país que esquece no presente a sua história não tem em seu horizonte o futuro. A educação deve servir para libertar e não para conservar as coisas como estão.

Nesse sentido é uma injustiça o que querem fazer com Paulo Freire. Não se trata de tirar um título ou uma honraria, mas de não reconhecer este nordestino lindo e amoroso que colocou a educação como prioridade e criticidade não apenas para a sua vida, mas para todo o país e o mundo.  

Paulo Freire foi aquele que tinha certeza que os adultos analfabetos, as crianças, as comunidades urbanas e rurais devem conhecer seus direitos e a educação é um instrumento de transformação não da articulação entre as palavras, mas da mudança da vida do povo oprimido. Aquela educação que não liberta também tem a intenção de manter os pobres mais pobres. Não há escola sem política, sem criticidade, sem partido.

É preciso uma educação para libertar e não para manter a ordem instituída. 

Se tivéssemos um real entendimento e oportunidade sobre a sua contribuição enquanto educador, não deixaríamos estes golpistas, representantes do que é de mais perverso na sociedade burguesa nos tirar até mesmo a democracia. 

Não vamos deixar que tirem nossa memória. Apoiar Paulo Freire é fortalecer o entendimento de que aprendemos no convívio entre nós e na relação com o mundo. Não há hierarquia nos saberes, há culturas diferentes e formas de ver o mundo. É preciso que essas diferentes formas contribuam com o sonho e a luta pela liberdade. 

*Leonardo Koury é do Conselho Regional de Serviço Social CRESS-MG, professor e integrante da Frente Brasil Popular

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

ASSISTÊNCIA SOCIAL É DIREITO TODOS OS DIAS


 Por: Leonardo Koury*


Enquanto assistente social, compreendi que falar a linguagem mais simples e direta contribui para o acesso a informação e fortalece a comunicação enquanto direito. Aprendi que todo Assistente Social é um comunicador em potencial. Gramsci tinha razão quando colocou o conceito de comunicação popular como forma de organizar a população contra aqueles que querem o povo pobre e servil.

Pois bem, é momento de falar, em especial sobre a Assistência Social e os direitos que na sua garantia podemos fortalecer. Dizer desta política pública descrita na constituição e que ainda muito pouco está presente no dia a dia das pessoas mais simples seja na cidade ou no campo.

O corte proposto no orçamento pelo Governo Federal para a Assistência Social retoma em alguns meses a volta de um modelo que em boa parte já superamos no país. Nas últimas décadas conversamos com a população, gestores públicos, entidades, trabalhadoras e trabalhadores sobre romper cada vez mais com o assistencialismo e o clientelismo e garantir de forma gratuita (sem dever favor para ninguém) a Assistência Social como um Direito.

Porque não o assistencialismo e o clientelismo? Porque assistencialismo é fazer, mesmo que se justificando como missão ou bom coração, remendos na vida das pessoas que precisam muito mais do que ajuda e clientelismo é agir de forma equivocada, imaginando que o direito a alimentação fica só na cesta básica, ou mais, fica só no favor e que o mesmo pode ser retribuído, as vezes com outro favor ou até mesmo com o voto que deve ser visto como um direito político inegociável, porem estas distorções tiram dos mais pobres o caráter de cidadania.

Pois bem, direitos não podem ser vistos como favor. Não estarei aqui para falar de números, mas para facilitar o entendimento do corte orçamentário no Sistema Único de Assistência Social SUAS, imaginem que antes você tinha 3000 reais e amanhã terá para fazer as mesmas coisas apenas 79 reais. Imagine quando estes três mil deixam de ser mil e se transformam em Bilhões e estes reais pouco passam de mil para financiar todos os estados e municípios brasileiros.

Mas que direitos são estes? Vamos lá! Direitos para todos os seres humanos se organizando enquanto direitos socioassistenciais. Direito da mulher em situação de violência em ser atendida, de que as pessoas em situação de rua possam ter garantido diálogo com o estado de forma ética e respeitando sua cultura e vivências, direitos da população idosa e de pessoas com deficiência de serem compreendidas sobre suas vulnerabilidades temporais.

E como se dão estas vulnerabilidades e risco referente ao trabalho da Assistência Social? Através da oferta de serviços públicos em Centros de Referência no âmbito da Proteção Social Básica (os CRAS) e Proteção Social Especial (os CREAS e outros equipamentos).

E são nestes serviços que se garante a melhor qualidade de vida, a transferência de renda, os encaminhamentos para as políticas de Saúde, Educação, Emprego e Renda, Transporte e vários outros acessos, pois não se trabalha o fim da pobreza, por exemplo, sem pensar em todas as possibilidades do povo ter uma condição de vida melhor e seus direitos de forma integral garantidos.


Contudo direitos são direitos. Nenhum direito a menos é reconhecer que mesmo quando não temos como agora o país vivenciando a Democracia, não devemos abrir mão do que já conquistamos, mesmo que o caráter do Golpe seja contra o povo brasileiro. Viva o Dia D proposto pelo COGEMAS e pelos Fóruns de trabalhadores, entidades e usuários da política de Assistência Social. Nenhum direito a menos se faz na garantia do direito a greve, a paralisar os serviços públicos, em garantir o diálogo com a população sobre o que está posto e na garantia de sonhar no que o Chico Buarque cantou. Um amanhã como um novo dia.


Leonardo Koury Martins - Assistente Social, Professor. Servidor Público da Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves e Conselheiro do CRESS-MG

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Eu apoio Felipe Arco





Felipe Arco é um jovem que deixou marcas em Belo Horizonte através da simplicidade de suas poesias, escritas nas lixeiras do hipercentro, passando mensagens sentimentais, intimistas, singelas, com as quais vez ou outra nós identificamos, ao gastar mais uns segundos para ler enquanto depositamos um lixo nestas lixeiras. 

Agora ele está sendo perseguido é processado pela prefeitura, que pretende obrigá-lo ao pagamento de multas e remoção das poesias dos equipamentos, segundo reportado pelo jornal Estado de Minas. 

O retrocesso surfa não só na censura e proibição de exibição da arte que provoca, mas também na opressão higienista, que restringe a juventude pobre e negra no usufruto do direito à cidade, e na supressão da expressão dos sentimentos da porção urbana viva, produzindo uma cidade fria e inanimada.


#EuApoioFelipeArco
#PeloDireitoaCidade

“Acordei com um sonho e com o compromisso de torná-lo realidade"
Leonardo Koury Martins

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
Saramago

"Teoria sem prática é blablabla, prática sem teoria é ativismo"
Paulo Freire

"Enquanto os homens não conseguirem lavar sozinhos suas privadas, não poderemos dizer que vivemos em um mundo de iguais"
M.Gandhi

"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres"
Rosa Luxemburgo