segunda-feira, 9 de junho de 2008

Juventude Petista pede Fóruns Livres Já!

Entendendo que a o aprendizado coletivo varia entre métodos e dinâmicas, que através de todo este aprendizado se formula concepções e se forma politicamente como Paulo Freire explica em diversos artigos relacionados a educação crítica e a sociedade.

Dentre as várias formas de aprendizado coletivo, os Fóruns Livres conseguem romper com as tradicionais barreiras daqueles que escutam e daqueles que falam (formas comuns em seminários e palestras), trazendo uma dinâmica igualitária, podendo assim recorrer a toda e qualquer experiência dos diversos assuntos e temáticas que se dialoga na juventude e na sociedade.


A Juventude Petista, antes de qualquer outra juventude partidária tem como obrigação estabelecer os Fóruns Livres como forma de dialogo entre as diversas juventudes.


A formação do Partido dos Trabalhadores, criada meio a união de diversos setores da sociedade, classes sociais e segmentos políticos, identifica como um partido de massas, deste modo tende a surgir de dentro do PT o continuo diálogo com a sociedade.


Trazer dentro do mesmo Fórum Livre filiados do Partido dos Trabalhadores, profissionais da educação, estudantes, dentre outros seguimentos nos faz formular melhores e mais reais propostas relacionadas a educação local e brasileira além de fazer com que a Juventude Petista seja referência na sociedade.


Dentro dos Fóruns Livres a Juventude Petista tem como obrigação fomentar assuntos como Homofobia, Aborto, Gênero, Igualdade Racial, Mídia, Socialismo, Meio Ambiente, entre outros assuntos que estão na pauta da juventude do PT e de toda população brasileira.


Temos que fazer dos Fóruns Livres uma inovação na politização e no dialogo com a sociedade. Uma forma de trazer o PT cada vez mais para dentro das massas e as massas cada vez mais próximas do PT é uma obrigação da Juventude Petista e daqueles que tem identidade com o Socialismo. Como descreve Rosa Luxemburgo, a identidade socialista passa pela discussão entre todos e todas para formularmos uma sociedade com igualdade e democracia.


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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Direitos iguais, mas acessos e cores diferentes


Os primeiros direitos específicos da população negra foram os direitos que finalizaram na abolição dos escravos, como Lei do Ventre Livre em 1871, Lei Sexagenário em 1885 e por fim a tão esperada Lei Áurea em 13 de março de 1888 assinada pela Princesa Isabel, mas concedida meio a pressões de outros países, abolicionistas e acima de tudo dos próprios escravos.

Apesar de ter sido concedido estes direitos, a população negra ficou as margens de uma sociedade branca que detinha os meios de produção e mesmo com o fim da escravidão ainda vinham os negros como objeto.

Entendendo que a Lei Marshall pressuponha que uma democracia para se consolidar deveria seguir caminhos como efetivação de direitos civis, políticos e posteriores a estes direitos os direitos sociais, a população negra na prática não abdicava de nenhum destes direitos, mesmo as leis sendo para brancos e negros, a maioria da população negra não tinha acesso as escolas e menos ainda a entender o significado de cidadania.

O direito a voto eram para homens brancos e aristocratas, sua evolução veio na década de 30 quando as mulheres tiveram acesso ao voto e o mesmo passou a ser secreto, mas ainda sim os analfabetos não podiam votar, se entendermos que a maioria dos negros nem mesmo tinham acesso as escolas, quem diria estes teriam acesso ao voto e as decisões nacionais ou locais.

O voto no Brasil e os direitos civis, passaram por períodos conturbados, meio a ditaduras e sobreposições de direitos sociais meio a governos populares. Pós democratização e Constituição 88 garantiu a igualdade de direitos independente de cor, raça ou classe social, em 1989 a Lei 7.716/89 foi um dos maiores avanços para a população negra, conhecida como Lei Anti-Racismo pois considerava que atos racistas fossem considerado crime inafiançável.

Outras Leis que vieram posteriores a ela como a Lei 10639/03 que coloca como diretriz curricular, trabalhar assuntos relacionados a ritos, costumes entre outros espaços relacionados a cultura negra, entendendo que assim ajudaria na conscientização e evitaria o preconceito racial.

Na prática, estes diversos direitos positivados ainda não funcionam, ou se funcionam não chegam a formar dados estatísticos, o que temos como descreve José Murilo de Carvalho em seu livro Cidadania no Brasil é que existem dois mundos quando falamos de efetivação entre brancos e negros.

Dados de 1997 fornecidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, mostra que o analfabetismo entre os brancos é de 9,0%, já entre negros e pardos chega a 22%. Os brancos que recebem salário mínimo estão em 33,6% já os negros é de 58%, e dados de 2004 do Ministério de Educação do Governo Federal – MEC aponta que apenas 6% da população universitária se declara negra. Em 2006 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, a população negra e parda é maioria no Brasil entendendo que o IBGE conseguiu nesta década atingir um número maior de domicílios que antes não eram visitados, mas entre como contraste dados do IPEA do mesmo ano que a população negra ganha 53% da renda do branco.

Tanta contradição torna-se marca e aflora a desigualdade racial, sendo os negros os mais pobres, os que tem menos dificuldade para entrar no mercado de trabalho, os que ganham salários mais baixos, os que tem menos acesso a universidade, os que estão mais próximos da agressão policial e mais distantes diante deste quadro ao acesso a justiça. Assim percebe-se que a população negra ainda está longe de conseguir efetivar a maioria dos seus direitos.

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domingo, 11 de maio de 2008

A democracia como desculpa para atrocidades

Não gosto daqueles que utilizam a democracia como desculpa para cometer algo que foge da ética ou das condições políticas históricas como as relações entre esquerda e direita ou para iniciar guerras como fazem os estadunidenses.

Desde o fim da democracia ateniense no século 5 a.C. o homem utilizou a força para poder governar, a opressão e a tirania eram práticas comuns entre os impérios e reinados em todo mundo, dentre este modelo absoluto não se precisava dar satisfações para atuar em estâncias políticas.

Dentre o século 18 e 19 com a volta do discurso democrático veio na humanidade o capitalismo, os políticos liberais utilizavam da concepção de liberdade de produção e que “os fracassados” têm culpa de seu fracasso, pois todos tinham as mesmas chances e assim começou a deturpação da democracia.

O sistema capitalista dizia que no voto todos são iguais, mas esqueceu de falar que não somos iguais na hora de concorrermos enquanto representante do povo, quem não tem dinheiro não consegue fazer uma boa campanha eleitoral.

Utiliza hoje o discurso da democracia para estancar de vez as visões socialistas e anarquistas ou qualquer visão que tenta nos mostrar um mundo diferente das injustiças causas pelo capital.
Utiliza o discurso da democracia para promover guerras como fez no Afeganistão e no Iraque. Se levar democracia para o Oriente Médio é matar inocentes e “pseudo culpados” não acredito nesse novo modelo de democracia, aquele modelo que justifica inventar dossiês de armas químicas para obter o controle do petróleo iraquiano


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quarta-feira, 30 de abril de 2008

De Freiras a Prostitutas, todas são iguais e tem direito a luta


Vocês devem achar estranho, um homem tentar em texto dialogar sobre movimento feminista e as relações entre os seres humanos. É importante fazer esta discussão entendendo que não é apenas o terrível habito machista que faz um ponto de barreira das lutas feministas mas também o sistema capitalista.


A mulher oriunda da burguesia, torna-se cruel quando faz de outra mulher sua empregada doméstica, quando a explora pagando baixos salários a troco de uma função qual esta mesma poderia exercer. Quando a indústria de cosméticos demarca o certo e o errado, fazendo padrões de mulheres gerando desigualdades, como se uma mulher obesa não tivesse valor dentro de um padrão de mercado ou modelo sexual.


Até mesmo aquelas mulheres, que em um contexto de moral positivista, se dessem no direito de falar que a atitude de outra mulher em relação aos seus desejos estivesse errada, que fosse mais ou menos vulgar de acordo com um comportamento pré produzido, como se as mulheres não fossem livres para poderem escolherem seu caminho, entre freiras ou prostitutas. O que fazem freiras mais corretas e o que fazem das prostitutas mais erradas se todas devem ter minimamente o direito da isonomia.


Shere Hite, dialoga que não é apenas os espaços de poder que as mulheres querem, mas o direito de serem vistas como iguais, de não ocupar espaços de poder por serem simples mulheres, mas por terem plenas condições de fazerem tal função.


Os desafios das questões de gênero estão muito além do machismo, estão engendradas no sistema capitalista que não nos dá igual condição de luta, faz vidas diferentes com condições diferentes entre mulheres ricas e pobres, mulheres brancas e negras, que não dá a muitas mulheres condições de poder reconhecer direitos e menos ainda condições de cobrá-los. Um mundo igualitário como Rosa Luxemburgo diz, seria um mundo entre iguais e não entre competidores.





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sábado, 26 de abril de 2008

O Papel do povo frente às transformações

É tão importante entender nosso papel frente às transformações no mundo quando entender o porque existimos. José Murilo de Carvalho em seu livro Cidadania no Brasil conta o como nós acreditamos no Messias, nos salvadores da pátria, quanto glorificamos apenas os heróis.

Entender que o povo é o principal protagonista das revoluções e não heróis é fundamental para podermos continuar a mover a maquina da transformação, sabendo que se não fosse as massas nenhuma revolução seria feita.

Os heróis emergiram de onde? Começaram e foram impulsionados por quem? Será que existia apenas um líder como a história tradicional nos colocava ou será que vários heróis existiram e alguns apenas foram destacados, será que estes destacados são heróis sozinhos? Nós, o povo tem que aprender a fazer estas perguntas para que senão viveremos a espera de um “Messias Salvador”, alguém que nos tire das trevas da pobreza e da quase escravidão.

Nós o povo, não devemos esperar dos governos as transformações, pois ao longo da história nenhum governo, nenhum rei, nenhum sistema implantado fez com que as vidas das massas melhorassem nos quesitos econômicos, políticos e sociais. As revoluções emergiram do povo, dos trabalhadores, das trabalhadoras, dos desempregados, dos mais pobres, dos ploretários como Marx ressalta em seus estudos, pois sem estes nenhuma revolução daria certo, os lideres apenas serviram de interlocução escolhidos por nós nas disputa das transformações no mundo.

Os grandes heróis são o povo, pois estes morreram, mataram, viveram na pele o pauperismo, a escravidão e todas os problemas econômicos, políticos e sociais, nenhum governo muda sem a participação popular, nenhum rei foi deposto pela sua própria vontade.



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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Feira das almas



Quem paga mais leva essa é a verdade
para que humildade, se não é humilde
esse capitalismo covarde, selvagem.


Outro dia em uma igreja, doava meu
belo cardio ao senhor
cantava um canto de alegria,
vivia em pleno e sacro louvor.


Agora, o diabo quem me comprou mais caro,
nem mesmo precisou de prestação,
este bicho carrancudo, escuro, perverso,
coisa ruim é o capetão.


Parecido as vezes como meu patrão,
quem paga leva rápido, realmente,
como Bertold diz, primeiro comer depois a moral,
neste mundo coberto de dinheiro, eu friamente,
me vendo hora para o bem, e quando preciso
me vendo para o mal.


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segunda-feira, 14 de abril de 2008

O descaso com o Materialismo Histórico Dialético

Antes mesmo da existência de Karl Marx e suas contribuições na humanidade já havia os conflitos entre pobres e ricos, nobres e escravos, súditos e reis.

Alejandra Pastorini nos lembra de fazermos sempre uma pergunta essencial, a pergunta de quem são os agentes envolvidos, quem são os exploradores e explorados, a pergunta do quem nos faz refletir sobre qual papel temos e como agir dentro deste teatro real e dinâmico conhecido como vida.


Enquanto alguns não tem clareza das verdadeiras disputas entre pobres e ricos, acreditando que existe um lindo mundo de harmonia e que seus interesses são conciliáveis, que os bons cidadãos são maiores que as idéias que perpassam estes distintos projetos.


As perguntas muitas vezes incomodam, pois para estes que acreditam num bom aperto de mão entre direita e esquerda, não fazem questão de lembrar que os donos do capital hoje, são os mesmos que nos escravizaram, nos enganaram, que a vida inteira nos pagaram baixos salários em pró do seu conforto e manutenção do poderio financeiro.


Para relembrar, na pós revolução francesa, o interesse totalitário de eliminar o rei do poder foi feito por todos os lados, tanto na alta burguesia quanto dos heróicos jacobinos, passado este momento, quando a reforma agrária toma palco das assembléias francesas, percebe-se claramente o lado direito defendendo a manutenção da ordem social, pois para eles bastava a saída do rei para continuar seus interesses. Para os defensores dos oprimidos, os denominados san-culotes, estes defendiam mudanças na estrutura do poder, para que ele não apenas deixasse de ser real e virasse burguês, mas para que este estado passasse a ser popular nos princípios da revolução francesa, da liberdade, da igualdade e da fraternidade.


Todos os momentos que a esquerda se aproximou da burguesia com o princípio ingênuo da resolução de conflitos, ela foi esfacelada porque os conflitos não estão apenas nas pessoas, mas nos projetos, nas visões, nos interesses, na vontade de uns poucos que querem continuar tendo muito e outros de não quererem continuar com tão pouco.



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domingo, 6 de abril de 2008

Comunicação Alternativa


Ao longo destas últimas décadas, com a facilidade que a tecnologia trouxe e seus avanços na área da comunicação, podemos hoje contrapor a grande mídia, expor idéias, além de não ficarmos reféns de uma única opinião.

Os mecanismos virtuais como os sítios de busca dão oportunidade de conhecer extremos em determinados assuntos além de imagens e artigos acadêmicos, que por mais prejudiciais que alguns teóricos dizem, nenhum deles ao mesmo tempo poderia dizer que por trás destes prejuízos existe um novo mundo que se forma em bits.

Imaginar que poderemos que segundos ter noticias que acontecem em todo espaço terrestre ou assistir ao vivo as duas torres sede do capitalismo mundial sendo atacadas sem cortes e posteriormente a isso não ficarmos reféns apenas as informações do New York Times, mas poder acessar além de outros grandes meios de comunicação à opinião dos internautas e blogueiros que contribuem muito para democratizar a informação e nos fazer ter novas percepções de mundo.

Vislumbrar nas comunidades do Orkut uma forma de debate instantâneo e de busca de velhos e novos amigos sem mesmo sair da sua casa, combater facilmente até práticas de racismo e pedofilia utilizando provas documentais geradas pelos próprios internautas que cometem tal crime, além de fazer deste um espaço para divulgação de eventos, cursos, serviços e projetos pessoais ou coletivos.

Milton Santos quando dialoga sobre a democratização do espaço geográfico vislumbraria na Internet uma nova forma de organização de espaço, qual alguém desfavorecido sócio-economicamente tem condições de se expor e conquistar ares e informações que dentro do nosso modelo de organização atual jamais poderiam ser buscados de forma tão fácil quanto a Internet faz.

O maior ganho da Internet, que quando criada nem mesmo era sua intenção, seria a democracia qual hoje faz levá-la a ser o principal meio de comunicação diário para milhões de pessoas em todo mundo, sendo em e-mail, blog, serviços de mensagens instantâneas, home pages, ver na Internet uma forma alternativa de se poder organizar dentro de um sistema democrático. se para Jean Jacques Rousseau, se a esperança renasce com a democracia, nas linhas virtuais da composição informativa nasce o saber coletivo e o contraponto a “única idéia”.


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domingo, 23 de março de 2008

Utopias vermelhas e construções ao céu

Luz vermelha do alto do céu,
Porque trás a mim uma vaga lembrança?
Símbolo do amor ou de esperança?
Nem mais sou criança.
A luz vermelha, no auge dos ensinamentos,
Das histórias e de um futuro de revolução,
Agora em meu peito não vem com tanto tesão,
Depois de conhecer a natureza humana
Virou apenas ilusão,
Mas não abandono tal vermelhidão.
Os homens, a natureza que guia estes,
Hoje, egoísmo, prédios e coletes,
Nada mais de música, calou-se a canção.
Alguns a espera do sim,
Outros a eterna certeza do não,
Um amor que vira,
Ou a espera em vão.
E descanso no colo de minha mulher,
Para mim o amor vence a razão,
De que adianta as certezas de um terno
Se as utopias não morrem no meu coração,
Ao contrário, me ajudam a cantar,
E a caminhar cantando a canção,
Com orgulho no peito,
E toda vermelhidão,
A luz era um sinalizador de edifícios,
Isso para quem quer ver com os olhos da razão,
Mas para mim que enxergo mais longe,
Com a visão de esperança, pode ser um sinal,
Que ainda por mais anormal que pareça
Busco em uma simples luz,
O sinal da revolução,
Sonhos para quem tem procurado a justiça
Nunca são em vão.



Leonardo Koury Martins

quinta-feira, 20 de março de 2008

A juventude de ontem e hoje

Há séculos discute-se uma classificação etária para o jovem. No início das grandes civilizações, não existia basicamente uma fase juvenil, passava-se da fase criança para a fase adulta.

Em outros tempos, era criada uma fase de preparação entre a infância e a fase adulta como por exemplo jovens de tribos africanas tinham que demonstrar nesta fase bravura e força, àqueles que não demonstravam tais potencialidades eram afastados e ignorados pelos mais velhos do grupo.

Ao longo dos séculos a juventude foi ganhando um perfil diferenciado, na Revolução Industrial, o jovem ganhou um papel estudantil, mas também um papel de submisso em relação ao adulto. Sua militância era regiamente acompanhada pelos mais velhos.

No final do século XIX e no início do século XX, principalmente na segunda década, o jovem começou a requerer seu status de liberdade em relação aos adultos. Com uma fase quase estabelecida entre a fase criança e a fase adulta, o jovem começou a ter um papel transformador na sociedade. Na verdade, os grandes líderes e personalidades se iniciaram quando jovens a vida social, mas na década de vinte do último século, os movimentos juvenis tomaram grande proporção na sociedade. A UNE (União Nacional dos Estudantes) incensando peças teatrais com tema social nas portas das fábricas e nas manifestações como O petróleo é nosso marcaram tal organização juvenil nas mudanças da sociedade.

Nos anos cinqüenta aos anos oitenta, uma parcela da sociedade lutou pela democracia e contra a ditadura, mas uma grande parte dos jovens em um sentimento inicial narcisista começou a preferir reuniões menores do que as grandes assembléias, trocaram as grandes manifestações da época por eventos culturais que não eram censurados, mesmo assim alguns músicos levavam suas ideologias mascaradas nas letras musicais.

Essa acomodação continuou nos anos noventa, o Fora Collor era organizado pelos movimentos sociais, mas levavam em sua maioria um público não politizado, sem rumo próprio, o sentimento ideológico passou a ser exclusivo de alguns poucos jovens.

As organizações juvenis se diversificaram, os jovens que lutavam pela democratização do país, deixa a cultura política para seus filhos. As ONG’s juvenis começaram a discutir também tecnologia e meio ambiente, isso ajudou também no crescimento das discussões sobre política públicas para a juventude.

O desafio atual é começar a instituir políticas públicas para a juventude, pois o direcionamento de tais políticas públicas que hoje atingem o jovem são na verdade políticas públicas para as classes mais baixas e não basicamente para a juventude.

O jovem não é o problema social e nem mesmo o futuro, mas sim ele é o agente construtor e o presente, o estudante, o trabalhador, aquele que mata e que morre, não pode ser tratado com políticas secundárias, este é o sentimento que move a vontade de construir políticas públicas para a juventude.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Discurso, cotas, cores e desigualdade racial


De todos os discursos, os que falam de “desigualdades”, o que percebo mais justo em nosso país, (não em uma relação hierárquica aonde existe prioridades no ramo da desigualdade) no sentido de tomada de espaço e consciência é o discurso da desigualdade racial.

Alguns brasileiros não conseguem fazer a leitura histórica de mais de trezentos anos de escravidão em território nacional, esquecem até mesmo dos dias atuais e das condições precárias que a maioria da população negra se encontra meio ao preconceito e demais formas de opressão gerados pelo capitalismo como a fome e a falta de condições sociais.

O discurso que não existe preconceito racial é tão bem arquitetado entre os brancos dominantes e alguns negros de cabeça branca como diria Malcolm X, que em algum momento chego a acreditar que venho a cometer injustiças por colocar o negro em uma situação desprivilegiada no quesito social.

O discurso hipócrita como exemplo que as cotas universitárias para negros em universidades públicas é uma forma de preconceito, de “novo apartheid”, me faz lançar a todos aqueles que se vestem destes dizeres algumas perguntas: Quem está com a maioria dos bancos docentes, brancos ou negros? Quem é chamado de mulato (na escravidão mulato era o filho de uma negra “mula” com um homem branco “anta”, dando um ser nem negro e nem branco, bastardo e rejeitado pela família paterna), este que se acha branco para fugir das piadinhas racistas, que se cria uma casta clara virtual para se defender das agressões dos “indivíduos mais claros”. Quantos estudantes negros existem nas universidades públicas? É questão de mérito ou de problemas históricos a falta do negro nos espaços de poder?

Aproveitando as perguntas, venho com outros questionamentos do porque da preferência entre meninos brancos nas adoções? Porque de dizer “este negro é lindo”, será que existe negro feio e negro lindo enquanto o branco não tem esta subdivisão? Porque o negro é subdivido em mulato, escurinho, clarinho, moreninho, isso para não falar da chacina em Ruanda gerada pela subdivisão dos negros fomentada pelos próprios europeus brancos. Este tipo de política existe até hoje no mundo para vender armas, vejamos os últimos vinte anos quando falamos de Serra Leoa, Congo e o pacifico americanizado Quênia. Sem falar na atitude americana de criar a Libéria!

Mesmo não generalizando, o gosto das “loiras” namoradas dos jogadores de futebol, dos artistas musicais, das personalidades negras, mas se você é um negro pobre e tenta puxar conversa com estas mesmas “loiras” na rua pode ocorrer o equivoco de ser confundido com um tarado ou até mesmo com um ladrão.

Para alguns é muita coincidência de que a maioria das periferias do Brasil morem negros, como antes dito, não é importante para os brancos fazer uma análise fria sobre escravidão e pós-escravidão no Brasil, tudo é um mero contexto social, agora se o branco sair de terno da favela e dirigir um carro importado a meia noite e ser parado por uma blitz policial, este será chamado de doutor. Já o negro com o mesmo terno e o mesmo carro importado, parado na mesma blitz pode ser inicialmente o motorista ou até mesmo em condições mais extremas como o ladrão do carro qual este dirigia antes da blitz.

Martin Luther King, um grande mobilizador e pioneiro nos Estados Unidos na luta pelos direitos civis, relata em seus escritos de que quando pequeno não entendia o porque de sentar em um lugar diferente no ônibus em Atlanta e nós aqui no Brasil ainda também não entendemos o porque da dificuldade de se conseguir emprego como recepcionista quando se é negro.

A dinâmica da desigualdade racial é interligada com a hipocrisia de um povo que um dia justificou na cor da pele a falta de capacidade de pensar e daí veio à escravidão tanto no Brasil quanto em grande parte do mundo, afinal já que estes não tinham capacidade de pensar como os brancos, poderiam ser vistos como animais, vendidos no pelourinho ou por quanto vale ou por quilo.

A tomada de consciência, conceito marxista, deve ser um objetivo claro dentro dos movimentos que trabalham com a identidade negra. Afirmar a negritude como no Movimento Panteras Negras nos anos setenta e oitenta era uma grande oportunidade de aumentar a estima e politizar este que sofre cotidianamente pela descriminação racial.

Termino lembrando uma frase da música Voz Ativa dos Racionais MC’s que falava “O carnaval era a festa do povo, era... mas alguns negros se venderam de novo. Brancos em cima, negros em baixo. Ainda é normal, natural 400 anos depois, 1992 tudo igual. Bem-vindos ao Brasil colonial”.


Leonardo Koury Martins

“Acordei com um sonho e com o compromisso de torná-lo realidade"
Leonardo Koury Martins

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
Saramago

"Teoria sem prática é blablabla, prática sem teoria é ativismo"
Paulo Freire

"Enquanto os homens não conseguirem lavar sozinhos suas privadas, não poderemos dizer que vivemos em um mundo de iguais"
M.Gandhi

"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres"
Rosa Luxemburgo