sexta-feira, 29 de maio de 2026

Por que a mídia empresarial procura esconder os escândalos de Zema?


Em uma saída imoral, depois de quase oito anos de desastres políticos, dívidas não pagas com a União e o recorrente ataque ao povo mineiro, Romeu Zema (Novo), anunciou a renúncia ao cargo no domingo, dia 22 de março. 

Comprometido por diversos problemas em sua gestão, Zema deixa o executivo estadual com o objetivo de concorrer à presidência da república nas eleições de 2026. Fica como governador o então vice, Mateus Simões (PSD) que assume o cargo e publicamente se apresenta como pré-candidato à reeleição no Estado.

Para a mídia comercial blindar Zema é importante para possibilitar à direita brasileira, mais opções no processo eleitoral deste ano. Os grupos de comunicação empresariais sentem-se desimpedidos para selecionar as vozes que devem falar e ser ouvidas – geralmente aquelas que não ameaçam as suas conveniências políticas e metas mercadológicas. 

O que traduz o desprezo às pautas populares como o fim da escala 6×1 e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$5 mil que garante maior qualidade de vida para dezenas de milhões de brasileiras e brasileiros.

É nesse contexto que se procura blindar Zema, no silêncio de um seleto e muito reduzido grupo de comentaristas, políticos, intelectuais e artistas, que são “especialistas” convocados pelos donos dos meios para expressar a “opinião pública”. 

O controle ideológico que blinda Zema é o mesmo que dificulta a presença de outras vozes no debate de soluções para os problemas coletivos, já que se procura neutralizar visões alternativas e questionadoras, principalmente as que se opõem à supremacia do mercado como âmbito de regulação das demandas sociais.

Além da constante tentativa de privatização em Minas Gerais, vendendo o patrimônio do povo, Romeu Zema renuncia ao cargo e deixa o maior rombo do Brasil, uma dívida que quase dobrou em sua gestão. A mídia empresarial se cala aos dados econômicos, e pouco falam do valor da dívida de R$201 bilhões, do déficit de caixa recorde e das contas no vermelho. 

Nos últimos sete anos, as recorrentes falas midiáticas de Zema sobre os direitos da população pobre, em situação de desproteção social, expressam o flagelo vivenciado em Minas Gerais. O então governador Zema, em 2021, ainda na pandemia de covid-19, afirmou que muita gente gasta o dinheiro do auxílio emergencial em bar. Para Zema, apesar das difíceis condições do período pandêmico, os pobres precisavam trabalhar. 

Não por acaso, Zema em outro momento apareceu em vídeo comendo uma banana com casca como sugestão “para economizar”. Após publicar vídeo nas redes sociais ironizando o Governo Federal, o governador escreveu: “eu recorri a uma nutricionista para saber se podia ou não [comer banana com casca], e ela disse que sim, ri Zema. […] Dá para encarar nesses tempos em que os preços dispararam. Fica aí uma sugestão que pode funcionar”, disse Zema, ignorando a triste realidade da população no país.

Em 2023, “muro já”, foi a expressão da criação de uma frente política em defesa do “protagonismo” de estados do Sul e do Sudeste, apresentada por Zema e que tem sido defendida nos últimos anos por grupos que flertam com o fascismo e que pregam uma separação definitiva entre Sul e Norte do Brasil. 

Mesmo com o silêncio na mídia empresarial, essa concepção absurda repercutiu mundialmente quando Zema anunciou o Consórcio Sul-Sudeste e comparou o país a um produtor rural que dá “tratamento bom para as vaquinhas que produzem pouco e deixa de lado as que estão produzindo muito”.

A herança política de Zema reforça que ele é o pior governador do estado desde a redemocratização. O golpe midiático que o país sofreu nos últimos anos, retirando uma presidenta democraticamente eleita e depois, com a prisão injusta de Lula, reforça que em momento de jogo sujo, a mídia está no time de quem aposta contra a população de Minas Gerais e do Brasil.

Por isso, é tão importante que estejamos lutando contra o processo de desinformação. Construir a comunicação popular é fomentar ações e leituras que sejam comprometidas com as lutas populares e com os direitos da classe trabalhadora. 

Somente os meios que se pautam a partir do alinhamento com o povo brasileiro, podem contribuir para que não sejamos enganados por Zema e pela mídia comercial que usa o falso discurso de “liberdade de imprensa” para contribuir com golpes que vão diretamente afetar os nossos direitos historicamente conquistados.

Leonardo Koury Martins é assistente social, doutorando em Serviço Social pela UFJF e integra a coordenação do Fórum Nacional de Trabalhadoras e Trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (FNTSUAS).


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