terça-feira, 18 de junho de 2013

Tempos de Manifestação: “Quem são eles, quem eles pensam que são”





No incentivo de tentar organizar as ideias depois de algumas semanas de lutas intensas por todo país. Venho fazer algumas considerações fundamentais para que não façamos um discurso midiático de que é uma explosão de gente sem bandeiras e que o Brasil Acordou.
É fundamental decorrer sobre a história do Brasil. Como antes já escrito, não somos um país de preguiçosos e menos ainda uma manifestação que tem apelo midiático ou por conta do facebook. Certamente que nossa história e os diversos problemas sociais alinhavados com os lindos estádios erguidos na contradição da ausência de serviços públicos para a maioria da população e o valor das passagens de ônibus, que está entre as mais caras do mundo, tornam-se grandes bandeiras mobilizadoras. Usaria aqui um dos slogans publicizados nos últimos dias: Não é por centavos, mas sim por direitos.
Lutamos pelas vias populares desde a chegada dos portugueses, sejam os indígenas pela resistência a invasão europeia e a população negra contra a barbárie provocada pelos navios mercantes da escravidão. Lutamos nas revoltas dos Quilombolas, Emboabas, dos Cabanos, da Conjuração Baiana. Fomos ousados enquanto brasileiros para assumir a cara do Banditismo, nas figuras de Maria Bonita e Lampião, do tirar dos ricos e dar aos pobres e de tantos outros personagens da história que traz uma cara e uma cor nacional. Como diz na letra dos Racionais MC's: "Coisa do Brasil super-herói mulato, defensor dos fracos". Nós brasileir@s temos ao longo de nossa história nossos próprios heróis como Anita Garibaldi e Mariguella, entre outras e outros, mas sempre lembrando o que dizia Florestan Fernandes, sofrendo e estando na mesma luta.
Quem são eles?
São brasileira@, em tese sua grande maioria mobilizad@s nas redes sociais, mas outra grande parte das mobilizações de movimentos sindicais, estudantis e de grupos culturais que há tempos vem tentando unificar suas marchas. Exemplo em Porto Alegre, São Paulo, Salvador e Belo Horizonte que construíram a unificação da marcha contra o estatuto do Nascituro, Marcha das Vadias, Movimento do Passe Livre e Paralisações de categorias profissionais levam em sua unificação mais de 20 mil pessoas nas ruas destas cidades e espalham este grito de luta.
Contudo estes milhares de usuários da internet, mobilizados pelo facebook carregam consigo diversas bandeiras que colorem o movimento social com a cara e a realidade das demandas populares na diversidade e pluralidade de reivindicações.
São legítimas independentes do politicamente e academicamente correto, são gritos num olhar ingênuo de desorganização, mas pautam políticas de  mobilidade urbana, saúde, educação e combate a corrupção no Brasil, eles são militantes com sangue revolucionário, não estão ai para voltar para trás, menos ainda fazer o jogo da mídia e da direita.  Inclusive não são a favor do modelo falido que a política brasileira se atualmente se organiza, que não quer dizer exatamente apolíticos ou despolitizados, como também fazem sua própria mídia, como exemplo as vaias a Rede Globo nas manifestações em Belo Horizonte.
Quem eles pensam que são?
Estas brasileiras e brasileiros que agora se encontram em milhares, nas ruas de todas as capitais e grandes cidades e até mesmo em cima do Congresso Brasileiro certamente são protagonistas de uma nova história dos movimentos sociais.
Marcados pela melhor organização nas redes virtuais, no acesso as mídias e produzindo sua própria opinião pública, trazem uma unidade nas ruas que deve neste momento de explosão ser pactuada na unidade das lutas.
Este dever está na responsabilidade dos movimentos sociais organizados que circulam entre as manifestações. As pautas dos sindicatos, movimentos culturais, dos movimentos estudantis deve ser canalizada para propostas mais claras à agenda nacional e aos governos para que não sejam em vão.
Termino fazendo a análise de que este momento tem o intuito de quebrar paradigmas, de trazer um novo dialogo com a classe trabalhadora, pois os defensores do capitalismo longe passam destes espaços, por mais que querem aproveitar de forma equivocada e pouco crédula, só perceber a desorganização da informação pela imprensa televisiva.
Estão nas ruas as respostas da unidade, no dialogo com o povo e nada diferente disso. Não se oprime bandeiras em tempos de manifestação como este, mas se canaliza para focos prioritários. Em tempos de manifestação, ali está o povo unificado para a construção de um novo momento e apenas El@s pensam que são brasileir@s, cansad@s e oprimid@s pelo sistema vigente.

Um novo Brasil se constrói nas ruas, vem pras luta também.


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Leonardo Koury - Brasileiro. Escritor, Assistente Social e Militante do Movimento de Ação e Identidade Socialista MAISpt

2 comentários:

Cibelle Braga disse...

Boas reflexões. Continue escrevendo, pois é importante mobilizar mais pessoas p estas manifestações q podem significar uma importante mudança de paradigma.
Parabéns!
Abraços,
Cibelle

Priscilla Marx disse...

Leo, sempre nos emocionando e puxando à reflexão do nosso objetivo maior: uma sociedade justa. É importante estarmos atentas e atentos aos sinais que este movimento nos passa. É um tempo diferente, todas as coisas mudaram, inclusive a militância e o povo. Em que mudamos e como essa mudança vai nos influenciar no caminho de fazemos é que será o desafio da Esquerda Brasileira. Compreender tais manifestações é muito mais do que se deixar levar pela beleza que é o povo nas ruas, reivindicando direitos, é olhar à frente e lutar para que este momento de sanidade não seja fugaz e, assim, como em outros momentos, não nos deixemos voltar à alienação.
Saudações.

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