quinta-feira, 1 de abril de 2021
A Arte de Governar a Si Mesmo: uma caravana pelo interior
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
De 2016 para cá! Os ministros e o novo Ministério da Cidadania de João Roma
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
A Reforma Administrativa e o fim do serviço público no Brasil
segunda-feira, 5 de outubro de 2020
COMER E ESTUDAR: O DIREITO INTEGRAL NA VIDA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Em plena pandemia, a volta às aulas ameaça a vida não apenas das crianças e adolescentes, mas se constitui como o grande conflito entre a saúde pública e os interesses econômicos. Porém, como pano de fundo, dialogar sobre Comer e Estudar é fundamental a qualquer tempo.
No cotidiano sempre ouvimos que “o Brasil tem o seu futuro ligado à Educação”, seja por especialistas ou por pessoas comuns. Também sempre ouvimos que “comer faz bem para a saúde”. Essa segunda frase não é uma frase equivocada, ao contrário, tem toda razão seja no âmbito nutricional ou na sua relação com a cultura alimentar e a natureza. Não é incomum o sentimento que a Escola faz parte destas duas frases e que tem um papel fundamental na vida especialmente de crianças e adolescentes.
Educação, escola e alimentação
A Escola é o equipamento mais presente na vida das pessoas e no Brasil e configura, aproximadamente, por oito anos em 200 dias em aula. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE e apresentam que a Educação e a Escola se interligam aos direitos mais procurados pela população.
O acesso ao conhecimento no país se formaliza através da Lei Federal nº 9394/96 ao reconhecer a Escola, na garantia da educação formal e, por sua vez, responsável pelo processo de sociabilidade das e dos estudantes e familiares. Pelo tempo escolar e por ser parte da jornada em horas, a Escola tem na garantia da Alimentação uma estratégia ímpar, ainda mais se tratando da realidade do nosso país.
Mas, as palavras conjugadas: Educação, Escola e Alimentação não podem se distanciar da reflexão mais ampla sobre o que se compreende enquanto direito. A realidade se encontra no baixo acesso à renda, à moradia, à empregabilidade, entre outras condições familiares e sociais, e precisam deste conjugado de direitos como intermédio para superar tal realidade.
Programa Nacional de Alimentação Escolar
As crianças e adolescentes desta geração têm na Educação e, por sua vez, na Escola a garantia de viver seu ciclo de vida com maior qualidade em relação aos seus familiares. Não por acaso, segundo o próprio IBGE, a ampliação da escolaridade entre pessoas abaixo de 14 anos e seus familiares adultos é de 35% maior quanto à escolaridade alcançada em duas décadas. Mas apenas a educação formal e os conhecimentos aplicados em sala de aula são suficientes para esta garantia? Outras reflexões são importantes para pensar o Brasil e a sua realidade social que se equilibra na pobreza e na fome enquanto um fenômeno secular.
É a partir do início do Século 21 com a aprovação da Emenda Constitucional nº 64, que inclui no Art. 6º a alimentação entre os direitos fundamentais, e da Lei Federal 11.947/09, que dispõe sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que se ampliam as possibilidades e o conjugado destes direitos sendo a Alimentação, a Educação e a Escola interligadas à realidade da população.
Lei da Cantina Saudável em Minas Gerais
Em Minas Gerais, neste primeiro quarto do século a aprovação da Lei Estadual nº 15.072/2004 se apresenta como destaque. A legislação apresenta a promoção da Educação Alimentar e Nutricional, formulação de cardápios saudáveis, alimentação advinda da agricultura familiar e o olhar apurado sobre consumo dos alimentos na comunidade escolar.
Apesar de todos os avanços no marco legal, o desafio é colocar em prática este conjugado de direitos. Em 2018, após 14 anos da lei que fala sobre a política de Educação Alimentar e Nutricional nas escolas mineiras, foi aprovado em Minas Gerais o Decreto Estadual 47.557/2018 que regulamenta a política, porém, em 2019 o mesmo foi suspenso.
Até o presente momento não há possibilidade de efetivar os princípios da Lei Estadual nº 15.072/2004, pois este decreto é fundamental para a regulamentação da política e para garantir o debate sobre a Alimentação Saudável nas Escolas Públicas e Privadas no Estado.
Garantir com que o decreto seja novamente validado pelo poder público é avançar em especial nos direitos das crianças e dos adolescentes, público alvo desta política.
Por que precisamos regulamentar a Lei 15.072 em Minas Gerais?
O Estatuto da Criança e do Adolescente, no art. 4º, compreende a Alimentação enquanto um direito e de responsabilidade do Estado. Mas como efetivar este direito sem a garantia de que a alimentação seja adequada para este público? Qualquer alimentação serve?
Considerando, em especial, que a desigualdade social traz para a Escola a garantia de, muitas vezes, a única refeição para boa parte de crianças e adolescentes, não pode ser ofertada qualquer Alimentação. Comida de verdade é aquela que conversa entre as realidades do campo e da cidade, produzida de forma saudável. Se o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), nas escolas públicas, define diretrizes para a alimentação adequada e saudável, para as escolas privadas nós precisamos da regulamentação urgente da Lei 15.072 em Minas Gerais.
A Educação e a Escola somente irão contribuir com uma outra história para o desenvolvimento das crianças e adolescentes e de suas famílias, seja nas escolas públicas e nas privadas, caso estejam presentes nos cardápios e no debate escolar a Alimentação Saudável. Comer e estudar nunca foram tão articulados e ao mesmo tempo tão desafiadores, Ao mesmo tempo são fundamentais para o enfrentamento às desigualdades e a pobreza e para a promoção da saúde de uma forma integral.
Comer e estudar são fundamentais para crianças e adolescentes, pauta da agenda política que queremos para Minas Gerais e para o país.
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Artigo por Leonardo Koury Martins, assistente social, professor, conselheiro do Conselho Estadual de Segurança Alimentar de Minas Gerais CONSEA-MG e do Conselho Regional de Serviço Social CRESS-MG, e integrante da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável – Núcleo Minas Gerais.
terça-feira, 29 de setembro de 2020
Resistência dos movimentos durante a pandemia alimenta a esperança
"A resistência alimenta a esperança na história da humanidade, construindo condições objetivas para uma sociedade nascida do poder popular"
Lutar, resistir e sonhar são verbos que se fazem presentes nos longos meses de pandemia
Frente as dificuldades pela situação de emergência em saúde provocada pela pandemia do coronavírus, o Brasil, se flagela entre as queimadas dos maiores biomas do país, a volta precipitada de serviços e o aumento da miséria. A população fica assim ainda mais vulnerável a toda forma de opressão.
Porém é neste cenário que se reinventam brilhantemente os movimentos sociais.
A população de baixa renda no Brasil vive na penúria entre a alta dos preços dos alimentos e a diminuição do auxílio emergencial. No momento mais difícil já vivenciado pela história da humanidade, perceber que os mais pobres assistem aumentar a desigualdade social como consequência das decisões do governo federal e de seus aliados.
Esta difícil realidade é resultado do golpe de 2016, a partir do qual, percebe-se uma correlação de forças que produziu um governo sem nenhuma participação da classe trabalhadora. O avanço do neoliberalismo trouxe uma agenda desfavorável aos mais pobres. O sucateamento das políticas públicas, o fim dos conselhos de direitos, a Emenda Constitucional 95, as reformas trabalhistas e da Previdência enfrentaram a resistência dos movimentos sociais, mas ainda assim, se realizaram.
As ações que se instituem no campo da solidariedade de classe, vem sendo promovidas em todo país e tem sido uma forma de denunciar tais violências na busca por minimizar o caos vivenciado no campo e na cidade. A alta dos preços dos alimentos é resultado do esvaziamento das políticas de segurança alimentar e nutricional e do apoio a agricultura familiar. E por outro lado assistimos a ampla expansão do agronegócio, principal responsável pelos incêndios criminosos nos biomas da Amazônia, Cerrado e Pantanal dos últimos anos.
A população de baixa renda no Brasil vive na penúria entre a alta dos preços dos alimentos e a diminuição do auxílio emergencial
Nas cidades, os cortes nas políticas sociais e o aumento do desemprego, se somam a decisão de redução de 50% no valor do pagamento do auxílio emergencial. Os responsáveis pela pasta da economia do governo federal pretendem ainda este ano reapresentar o programa Renda brasil, configurando o fim do positivo histórico do Bolsa Família.
Nos últimos meses se destacam e se intensifica as ações de base, entre elas as ações promovidas pelo Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD). O movimento está organizado em diversas periferias brasileiras e ao promover ações de diálogo sobre o direito à alimentação e os cuidados básicos em saúde, consolida a aproximação com a população em situação de baixa renda de forma politizada.
Também, a produção de alimentos pela produção da reforma agrária, em especial do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mostra a força da agroecologia. Esta ação promove a resistência do campo frente aos ataques sofridos, como no sul de Minas Gerais, na cidade de Campo do Meio.
Não é possível viver pela metade. A resistência da classe trabalhadora e dos movimentos organizados tem feito frente à adversa agenda imposta pela pandemia e aos neoliberais. Entre atos nas redes sociais, atividades de formação, gritos de excluídos e excluídas e ações da juventude, os movimentos se reinventam.
A resistência alimenta a esperança na história da humanidade, construindo condições objetivas para uma sociedade nascida do poder popular. Lutar, resistir e sonhar são verbos que se fazem presentes nos longos meses de pandemia. Bem como as ações dos movimentos e frentes de lutas que acreditam na classe trabalhadora!
Leonardo Koury Martins é assistente social, professor, conselheiro do CRESS-MG e militante da Frente Brasil Popular.
segunda-feira, 15 de junho de 2020
Polícia Política
quarta-feira, 10 de junho de 2020
A transparência é um valor democrático e não será possível em tempos de Fascismo
domingo, 12 de abril de 2020
Os direitos são uma conquista, inclusive na calamidade
terça-feira, 7 de abril de 2020
NOTAS SOBRE A PANDEMIA VISTA ENQUANTO CALAMIDADE PÚBLICA – UM DEBATE NECESSÁRIO PARA O SERVIÇO SOCIAL
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
Como é andar de ônibus na região metropolitana de Belo Horizonte
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
Bolsa família: o início do fim
“Acordei com um sonho e com o compromisso de torná-lo realidade"
Leonardo Koury Martins
"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
Saramago
"Teoria sem prática é blablabla, prática sem teoria é ativismo"
Paulo Freire
"Enquanto os homens não conseguirem lavar sozinhos suas privadas, não poderemos dizer que vivemos em um mundo de iguais"
M.Gandhi
"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres"
Rosa Luxemburgo













