sábado, 2 de abril de 2011

Esquerda dividida, direita feliz!

Esquerda dividida é sinal de direita forte, não temos que ter ilusão, os donos do capital adoram ver nossas brigas e nossa divisão pelos caminhos esquecendo que todos querem no final o socialismo.

Como dizia Marx, proletários de todos os países uni-vos. Por uma nova ordem societária com a união de todos @s trabalhador@s. Um mundo diferente se faz pela união do povo e vai além das eleições.

Uai, que trem lotado sô!


Acredito que ao perceber a dificuldade de entrar no metro belo horizontino, depois de três a quatro tentativas se consegue pegar o metro e ir ao trabalho ou outra atividade diária em horário de pico.

Os governantes enrolam aqui, enrolam ali nesta novela de quase 20 anos em nossa cidade. Portanto a população acha engraçado ficar apertada nos trens, fazendo piadas e não percebem que o que acontece é um profundo desrespeito aos trabalhadores da estação que acabam catalizando as reclamações sendo que a população deveria utilizar toda revolta para cobrar melhorias.

Nada muda de forma solitária, tento através desta singela denúncia, propiciar uma discussão sobre qual papel temos frente aos problemas de transporte público na nossa cidade. Se a saída for todos irem de carros, não terá estradas a todos como já convivemos diariamente com o engarrafamento nos grandes centros brasileiros.

Se formos de ônibus, as empresas que lucram com este transporte vão deixar a mesma quantidade de ônibus para toda população que o utiliza, assim poucos veículos e os mesmos lotados. Portanto o metro é uma saída, mas desde que seja vista para além do lucro e sim como oportunidade de mobilidade urbana aos cidadãos e cidadãs de Belo Horizonte.

Espero que ao invés de rirmos com o aperto dos trens, indignemos e possamos juntos lutar por uma cidade melhor para se viver. Entre governo federal, estadual e municipal quero cobrar um transporte mais humano a tod@s.






domingo, 20 de março de 2011



Carta do Movimento de Ação e Identidade Socialista MAIS-PT

em contribuição a plenária Metropolitana do Mandato do Dep.Fed. Reginaldo Lopes

São novos tempos. Tanto aos novos rumos, quanto aos novos desafios como descreveu Guimarães Rosa, mineiro que tentou ao longo de Grande Sertões Veredas imprimir uma nova visão sobre o que a totalidade da sociedade de sua época era visto como diferente.

Portanto, nós do Movimento de Ação e Identidade Socialista, o MAIS-PT, tendência interna do PT, temos o direito e o dever pela familiaridade em que encontramos e pela fraternidade em que conjuntamente construímos a juventude, a educação mineira e brasileira e o Partido dos Trabalhadores.

E no rumo de Guimarães Rosa nos comprometemos com todos os apoiadores e apoiadoras do mandato do Deputado Federal Reginaldo Lopes dialogar sobre tempos, rumos e desafios na perspectiva de construirmos sempre caminhos por este sertão que trata da realidade mineira.

Sobre o “tempo”. Estamos em tempo de propor cada vez mais. Para que nós, militantes do MAIS-PT, possamos propiciar aos demais apoiadores do mandato o nosso conhecimento e experiência na construção dos Movimentos Sociais e organização juvenil. Dialogamos sempre numa ótica revolucionária que não abandona a luta de classe. Entendemos que o mandato é estratégico, sendo assim, devemos agir como nos ensinou Gramsci: dialogar aos próximos (os apoiadores e não apoiadores) a importância de uma “nova cultura política” pautada na práxis de uma educação formadora de conhecimento.

Sobre o “rumo”, categoria proposta por Paulo Freire de perceber que o tempo talvez não mude as pessoas de forma tão avassaladora quanto as pessoas podem mudar o tempo, reafirmamos que a Escola Nacional de Formação Política do MAIS-PT aliada a demais espaços de formação como a Secretaria Nacional de Formação Política do PT e os Movimentos Sociais tem como objetivo mudar idéias e percepções, além de organizar o mandato de forma orgânica e consciente tanto no partido, quanto nos movimentos sociais.

E por fim, o “desafio”. Para este propomos construir coletivamente com os demais apoiadores do mandato uma linha pedagógica e crítica que tenha por objetivo a formação e construção de uma militância cada dia mais ousada, pensante e propositiva. Ficamos com os princípios norteadores da grande formadora, libertária e feminista Rosa Luxemburgo: "Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem".

Chega MAIS, apenas começamos!

Assinam esta carta de forma coletiva todos os militantes do MAIS-PT.MG

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Intolerância, Dialética e reflexões sobre os espaços do ME.


Hoje parei para ler o que Trotsky falava sobre Stalin e vice versa, nessa de ler e reler tais opiniões que às vezes nem tão sinceras percebi que no meu passado de militante do Movimento Estudantil reproduzia certas segregações sobre ideologias (muitas das vezes apenas reproduzidas) e não chegávamos a lugar algum.

Nos últimos dias, no credenciamento do CONEB da UNE reencontrei os mesmos companheiros de sempre, os mesmos que antes quando eu era militante assíduo do ME encontrava entre as universidades e congressos e como hoje estive na mesma nostalgia.

Nessa de lembranças resolvi reler um trecho do Manifesto Comunista no qual Marx e Engels escrevem algo muito interessante que tenta mostrar a toda esquerda a necessidade da união para conseguir de forma totalista (e não totalitária) chegar ao Socialismo ou a uma sociedade diferente da ordem imposta nos nossos dias.

Digo uma ordem diferente porque os dois autores entre outros nos ensinaram sobre a dialética, que o não e o sim poderia dar o talvez ou a ordem versus a desordem fossem gerar um ordenado diferente. Mas para isso inicialmente deveríamos entender que os proletários de todos os países deveriam se unir. O ME nesta situação não poderia ficar de fora “né"?

Mas sobre este, estar fora ou lutar conjunto, repensei, seria possível mais um CONEB ao qual falaríamos que somos de esquerda, mas nos separamos apenas porque reproduzimos ideologias que muitas das vezes nem são nossas? Não digo na disputa de forças as quais são legitimas, mas proponho aqui debater a segregação ideológica que muitas das vezes cai na lógica da alienação.

A alienação em sua raiz grega diz ser a reprodução total do que não se é nosso não se é realmente desejado por nós, quando falamos pelo outro e não nos convencemos de fato se falamos por nós. Será que somos tão Marxistas? Leninistas? Stalinistas? Será que não somos apenas o que lemos para nos sentirmos intelectualmente satisfeitos para termos assunto coletivo ou cremos organicamente nas nossas leituras.

Será que podemos dizer que somos socialistas, acreditamos num mundo de oportunidades iguais se na pratica dos nossos DA s e CA s somos machistas e homofóbicos. No nosso dia a dia não sentamos do lado de um portador de HIV e nas idas até os congressos cantamos hinos de guerra na qual o mundo socialista não prega o assassinato coletivo e sim a luta de classe. Será que sabemos o que é luta de classe? Debatemos este tema para dentro e não para fora.

Percebo as forças políticas debatendo concepções que terminam na contagem de seus delegados e no pragmatismo personalista de que seus delegados muitas das vezes sequer sabem quais decisões os seus “lideres” e seus “comitês centrais” decidem.

Debatemos socialismo, mas não damos a oportunidade aos nossos delegados decidirem muitas das vezes sobre seu próprio voto, mas “batemos na tecla” que somos democráticos. Não se pode separar no meu ponto de vista teoria de prática como não se pode separar sonhar um mundo de igualdade da democracia das decisões.

Não se pode separar construir um mundo diferente nos Movimentos Sociais sendo que acreditamos que força A ou B que tem como teórico orientador X ou Y que não é de esquerda é de direita sendo que a direita esta enquanto debatemos sobre um mundo melhor em suas salas de escritório decidindo por nós salários e formas de opressão. Não proponho união pela união, mas análise crítica como diria José Paulo Netto, pois quem erra na análise erra na ação.

E como Platão dizia não se pode mover o mundo se não começar a mover por si mesmo. Não dá para debater sobre Stalin se não ler as críticas de seus “opositores” e vice versa. Como Marx estaria convencido do Socialismo se não tivesse antes estudado o Capitalismo? E como Rousseau diria que o estado de natureza acabou quando houve a propriedade privada se não lesse o contrato social de Hobbes ou Locke, não é?

Não podemos dizer do que não gostamos se estamos convencidos que o outro lado não é o que quero e estou convencido que quero assim como Milton Santos que outro mundo possível, pois a opressão que vivo e a desigualdade que me perpassa não me agrada.

Do mesmo jeito que não posso falar em uma teoria crítica se minha prática é positivista calcada do que sei é certo e o que o outro diz é errado porque é do outro. Sendo unocentrico, homofóbico e machista apenas para me reafirmar ao coletivo como diferente sem perceber que ser assim é ser igual a esta sociedade que somente me vê enquanto consumidor e não enquanto sujeito / coletivo como dizia Florestan Fernandes.

Proponho que nossas relações de poder se estiguam quando percebemos que uma outra ordem societária é possível, mas não na igualdade pela igualdade, mas sim na igualdade pela diferença, pois ser diferente é a única forma de percebemos quem somos e para que existimos, para que possamos perceber o mundo a cada dia de uma nova forma já que não somos formados para militar e sim militamos nos Movimentos Sociais para conjuntamente irmos nos formando.

Antônio Gramsci já dizia que um intelectual orgânico deve estar em constante formação para que sua arrogância acadêmico-teórica não sobressaia os valores das diferenças.

E somente assim, em constante formação e transformação como a própria juventude no dia a dia nos mostra podemos sermos melhores e termos clareza do que nossas ações iram construir. Se um outro mundo é possível e uma outra ordem é necessária que façamos da desordem a dialética de nossas vidas para formarmos diferentes do que se propõe.

Para isso Enersto Guevara dizia que deveria endurecer sem perder ternura e ler romance é uma forma de amenizar o academicismo apregoado nos discursos revolucionários.

Podemos nisso entender assim como Boa Ventura Souza Santos que para os Movimentos Sociais alavancarem em sua concepção de mundo e de lutas deve-se perceber que aos diferentes o direito da igualdade para que sejam o que são.

Ou como Rosa Luxemburgo declama em seus momentos de reflexão sobre um mundo melhor, que sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Onde anda os Fichas Sujas?

Como poderíamos esperar, onde está o projeto Ficha Limpa que permitiu mais de 200 candidatos poderem concorrer as eleições com liminares tendo como prerrogativa o termino nas eleições para julgar suas pendências.


E ainda a imprensa persegue o Tiririca, como se fosse por conta de sua expressiva votação ou por ele ter a formação de grande parte dos brasileiros o problema (refletindo o nosso descaso com a educação pública), porem nada contra a sua idoneidade foi levantado.


Daí fica uma pergunta para a sociedade! Será que é seletivo apenas o acesso a justiça, na qual os mais abastados da antiga oligarquia perdem acesso? Ou será que continuamos refletindo no nosso judiciário (o papel de cobrar o cumprimento da lei) a falta de compromisso com a igualdade (apenas no âmbito da jurisprudência) e continuando a história que Chico Science nos cantou: No espaço da Ficha Limpa, todos estão surdos e no espaço da igualdade o de cima sobe e o de baixo desce.

domingo, 21 de novembro de 2010

Lacerda privatiza 81 bens públicos de Belo Horizonte


Está no noticiário, mas ninguém parece ter se dado conta da importância do fato nesta cidade de imprensa submissa: o prefeito Márcio Lacerda (PSB) vai promover a maior privatização de imóveis públicos que Belo Horizonte e talvez qualquer cidade brasileira já viu. Serão 81 imóveis municipais, que irão a leilão, inclusive o Mercado Distrital da Barroca e a mansão residencial do prefeito, localizada às margens da Lagoa da Pampulha, próximo do Museu de Arte, e que tem um painel de Guignard. A informação é que o painel será retirado, mas até que isso aconteça, é melhor desconfiar.

O pior, porém, é ver dezenas de terremos desocupados, com tamanhos variando entre 1 mil e 10 mil metros quadrados, segundo notícia do Estado de Minas, se transformarem em mais espigões. Se tem uma coisa de que Belo Horizonte não precisa hoje é que áreas públicas se transformem em empreendimentos imobiliários. Muito melhor seria ver esses lotes virarem praças e parques, para lazer da população, com muitas árvores para ajudar a despoluir o ar. Ao contrário do que se diz, Belo Horizonte tem pouquíssimas áreas verdes; tem muitas árvores, mas elas estão nos passeios.

Em Belo Horizonte é impossível até andar nos passeios, tomados por lixos, lixeiras, postes, árvores, canteiros, carros e motos estacionados, obras de construção, mesas de bar, cocôs de cachorro, orelhões, caixas de correio e uma infinidade de obstáculos. Áreas públicas são uma necessidade nas grandes cidades. Quando as pessoas moram em casas, têm quintais e conhecem os vizinhos, a vida comunitária se forma assim. Quando casas são substituídas por edifícios, esse convívio desaparece juntamente com espaços privados.

É preciso, portanto, criar praças, parques, espaços de lazer, com bastante verde, para que as pessoas convivam e façam caminhadas, para que crianças brinquem e idosos possam sair dos apartamentos. O prefeito, que mora num condomínio em Nova Lima e se considera moderno, que é rico e já viajou o mundo inteiro, deveria saber disso, pois as grandes metrópoles mundiais estão preocupadas com espaços públicos. Mas não, sua política é de privatizar os espaços públicos e administrar a cidade como se fosse uma empresa lucrativa.

Foi o que fez com a Praça da Estação, cujo uso agora só se dá mediante pagamento de aluguel. Para que um artista se apresente na Praça 7, agora tem que ter alvará, como mostra notícia publicada neste portal. O prefeito gosta também de transformar áreas verdes em empreendimentos imobiliários, como está fazendo com a Mata do Isidoro, que será transformada na Vila da Copa, visando a abrigar delegações para a Copa da Fifa.

A privatização dos espaços públicos será certamente a marca do mandato do prefeito empresário, que tenta administrar Belo Horizonte como uma empresa: o que não dá lucro – cultura, por exemplo – não tem serventia. Não à toa recebeu vaia monumental do maior auditório da cidade, o Palácio das Artes, durante o Festival Internacional de Teatro (FIT), em agosto passado. Já tinha passado por isso na festa de encerramento do festival Comida di Buteco, em maio.

Empresário da cidade, o prefeito atua como auxiliar do capital, que destrói rapidamente todos os espaços vazios da cidade, derruba casas, escolas e até clubes – como acontecerá, ao que tudo indica, com o centro de lazer do América, no Bairro Ouro Preto – para erguer no lugar enormes edifícios.

É dever da prefeitura conter a especulação imobiliária, em defesa da qualidade de vida para os belo-horizontinos. Em vez disso age ela também a favor da deterioração do município. A intenção, diz a notícia, é fazer um caixa de R$ 200 milhões. O mercado vale no mínimo R$ 19,5 milhões; a casa do prefeito, R$ 1 milhão (só? Este é o preço de um apartamento na zona sul…). O governo FHC mostrou o que acontece com dinheiro de privatizações: desaparece sem trazer nenhum benefício social.

É incrível que nenhum representante dos belo-horizontinos, nenhum vereador, nenhuma organização da sociedade tenha ainda se levantado contra a realização desse crime contra o patrimônio público, movendo, inclusive, uma ação na justiça.

domingo, 17 de outubro de 2010

Análise política e compromisso societário


Tenho certeza que algumas coisas são necessárias para uma análise em relação a algumas pautas que vêm sendo colocadas, parte pela esquerda brasileira, parte pela sociedade cristã e conservadora e parte também por aqueles que se julgam diferentes dos atuais modelos e eco-socialistas.

Não podemos esquecer que para uma sociedade ecologicamente pautada nos princípios da sustentabilidade, o capitalismo certamente não é a melhor opção de modelo econômico, pois nada o atrai mais do que a seu papel principal (o lucro). A construção de uma sociedade na qual a harmonia entre homem e natureza não pode se dar apenas como bandeira de governo, mas numa nova hegemonia cultural que percebe a importância de onde chegamos enquanto espécie humana e para onde acreditamos ter capacidade e avançar pensando nos próximos anos e vivendo não ecologicamente, mas humanamente melhor. Daí não podemos pautar o meio ambiente sem esquecer da importância da educação, da cultura, da saúde, da assistência social e demais setores não apenas governamentais que propõe uma qualidade de vida humana e de igualdade e diferença a todos/as cidadãos e cidadãs.

A sociedade cristã e conservadora (pois os cristãos não conservadores poucos deles se organizam na teologia da libertação), deve-se lembrar que a intolerância religiosa e seu papel orientador político no mundo fomentou destruição dos desiguais, morte de índios, ciganos, árabes entre outros povos e culturas ao longo de uma história de cruzadas e de perseguições. Portanto o Brasil conquistou a todos os religiosos e não religiosos algo fundamental para a convivência coletiva, a idéia de um estado laico. Este estado que ainda não se concretiza totalmente por ter mais símbolos religiosos católicos e nada de algum artefato relacionado a Ubanda ou outra religião presente em prédios públicos. Porem a conquista do estado laico faz com que judeus e palestinos possam viver no mesmo bairro de forma harmoniosa.

E por fim, pensando enquanto esquerda brasileira e o desafio a ela coloca, podemos claramente dizer duas coisas fundamentais. A primeira que entre Serra e Dilma não se tem escolha, pois de um lado há um projeto que a menos de 50 anos estava no poder representando a ditadura e a falta de investimentos sociais e de outro um projeto que dialoga com a universidade, com o povo e por mais difícil que seja tenta construir um país de todos.

Agora enquanto esquerda revolucionária, devemos ter claramente a idéia de que não podemos cobrar do PT e de nenhum governo constituído que este faça a revolução como alguns partidos de esquerda querem. Não existe estado fazendo e revolução, o papel do estado não é esse. O papel de construir bases sólidas a revolução vem do povo, da organização dos movimentos sociais e seria injusto querer que pós 500 anos de um passado de governos nada populares apenas o governo Lula / Dilma tenha este papel.

Vamos votar Dilma, mas vamos também nos comprometer que para além das importantes conferências organizadas pelo governo, que tenhamos pautas de reivindicações coletivas, que possamos nas ruas com o povo (principalmente o mais pobre) construir uma idéia de que política não é apenas transferir poder através de um biênio eleitoral, mas a luta do dia a dia acreditando que um outro mundo além de ser possível e necessário pautado na igualdade social, na diferença humana e na possibilidade de sermos totalmente livres como Rosa Luxemburgo um dia deixou este sonho a todos/as nós.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010




"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais,
humanamente diferentes e totalmente livres"
(Rosa Luxemburgo)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cotas também como políticas afirmativas no Brasil



Inicialmente, como Nilma Gomes, intelectual negra no Brasil gostaria de problematizar a necessidade de termos dentro do Serviço Social uma cadeira que discuta a desigualdade e a diferença. Necessidade que já nós esclarece que não temos um país de iguais e de respeito aos diferentes.

Ao longo dos 500 anos, tendo mais tempo ainda de escravidão do que de libertação dos negros brasileiros poderíamos assim como Nilma Lino Gomes argumentar a cerca do debate sobre as cotas étnico-raciais no Brasil tomam por parte da imprensa e das elites brasileiras. Uma polêmica que se afasta da construção histórica do nosso país, um debate calcado numa falsa democracia racial, no real medo dos brancos filhos de brancos tenham que competir por igual num mesmo espaço acadêmico e futuramente na mesma vaga de engenharia ou de medicina, cursos, empregos predominantemente brancos.

O tempo todo se escuta dos grandes meios de comunicação o mesmo argumento apresentado por Demétrio Magnoli quando explicita a relação de porque “quase brancos” estão ocupando vagas negras nas universidades que oferecem sistema de cotas, que os brancos saem no sistema de cotas em situação de desvantagem.
Argumento clássico para justificar a não existência de uma das políticas que englobam um sistema de políticas afirmativas no Brasil.
Vale lembrar que a idéia das políticas afirmativas consegue ir muito alem da concessão das cotas nas universidades, Nilma Gomes, a autora descreve algumas já medidas implantadas como:

A reivindicação por cotas étnicas não se limita ao acesso à universidade. Em alguns setores do poder público, elas já são uma realidade: o Ministério de Desenvolvimento Agrário, o Ministério do Trabalho e o Ministério da Justiça já implementaram cotas étnicas. (GOMES, 2003;03)

Poderia trazer a realidade da cidade de Belo Horizonte, na qual a discussão sobre o combate a desigualdade racial entra em cena pública em mil novecentos e noventa e quatro, quando a administração municipal passa a trazer um sistema de cotas na publicidade dos programas municipais e nas esferas de poder dos cargos públicos.

Além de Belo Horizonte, a cidade de Contagem, por volta de dois mil e cinco, implanta uma série de estratégias para que os negros tenham poder no âmbito da administração pública quanto políticas afirmativas como resgate cultural do Quilombo dos Arturos na região central da cidade.


O Professor Kabengele Munaga ressalta em seus argumentos que a defesa da cota é uma busca justa pela equidade já que os negros no Brasil não são tratados de forma igualitária como os brancos, tanto historicamente quanto na vivência cotidiana por mais que o preconceito seja velado. A busca pelas cotas tem como objetivo é provocar no nível acadêmico e na esfera do conhecimento cientifico maiores olhares e vivências sociais que antes eram feitas pelo mesmo público.

Trazer negros pobres para a universidade é fazer com que amanhã um negro possa ter mais sensibilidade e identidade com a Lei 10.639 que regulamenta o ensino da história da África nas escolas, algo que alguns professores brancos fazem questão de muitas das vezes esquecer-se de problematizar em sala de aula.

Porem não basta como Nilma Gomes pontua, apenas o acesso a universidade, mas toda construção de políticas afirmativas, que são imprescindíveis e para que deixem de ser políticas de governo e passem a ser política de Estado. Jamais pode-se pensar tais políticas sem o estatuto da igualdade racial (luta histórica conquistada), este que tem como primazia defender assim como Boaventura Souza Santos respeitar as diferenças dando a todos e todas condições iguais de existência.


“Acordei com um sonho e com o compromisso de torná-lo realidade"
Leonardo Koury Martins

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
Saramago

"Teoria sem prática é blablabla, prática sem teoria é ativismo"
Paulo Freire

"Enquanto os homens não conseguirem lavar sozinhos suas privadas, não poderemos dizer que vivemos em um mundo de iguais"
M.Gandhi

"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres"
Rosa Luxemburgo