segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Desabrigar o Isidoro é ir contra o ECA





Inicio este pequeno artigo com a palavra desabrigar. A mesma sugere segundo o dicionário o entendimento de deixar sem abrigo. No caso oito mil famílias e milhares de crianças e adolescentes que hoje estão morando em suas casas no entorno do Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Desabrigar simboliza desproteger aquelas e aqueles que já tem suas moradias, construídas com as próprias mãos, fruto da resistência de quem um dia se sentiu injustiçado pela falta de políticas públicas e pela escravidão do aluguel.

Um dos grandes avanços sociais presentes na Constituição Federal é a garantia de direitos voltadas a Crianças e Adolescentes. Um conjunto normativo, pós 88, permitiu um sistema integrado de políticas sociais e um vasto arcabouço jurídico que fomentou a cidadania de muitos brasileiros da primeira infância à juventude.

De acordo com a constituição, o artigo 227º diz que Crianças e Adolescentes tem prioridade absoluta e é antes de mais nada um dever do Estado assegurar este conjunto a sociedade civil toda proteção integral a família.

Em Belo Horizonte, a qualquer momento este direito pode ser descumprido por parte da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e do Governo Estadual. Existe um risco das oito mil famílias de três ocupações (Rosa Leão, Esperança e Vitória) nas cidades de BH e Santa Luzia, no entorno da mata do Isidoro, serem despejadas de forma opressora pela Polícia Militar.

A grande questão legal é aonde ficarão as famílias a serem desabrigadas. Em que espaços de acolhimento, uma vez que a cidade não contem vagas a todas as famílias em especial as crianças ali presentes.

Segundo a lei federal 8069/90 o abrigamento dependerá da organização e infraestrutura de responsabilidade do poder executivo (neste caso municipal) e a ordenação da Vara de Infância e Juventude e acompanhamento do Conselho Tutelar. É importante considerar que Belo Horizonte não tem mil vagas de abrigamento para todas as crianças e adolescentes. Portanto aonde ficarão estas famílias? E as crianças e adolescentes? Como se dará o direito ao acesso escolar e outras garantias de cidadania?


Aguardamos até o momento o pronunciamento do poder judiciário para saber se será descumprido o Estatuto da Criança e do Adolescente, uma vez que o despejo das famílias que vivem em suas casas próprias na região do Isidoro tratá a cena pública uma violação de direitos múltipla, não apenas aos mais jovens, mas irá cessar do direito a moradia e a dignidade humana.


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Leonardo Koury – Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais

sábado, 2 de agosto de 2014

Plebiscito Popular porque o poder emana do Povo




O que é um Plebiscito Popular?

Um Plebiscito é uma consulta na qual os cidadão e cidadãs votam para aprovar ou não uma questão. De acordo com as leis brasileiras somente o CongressoNacional pode convocar um Plebiscito.

Apesar disso, desde o ano 2000, os Movimentos Sociais brasileiros começaram a organizar Plebiscitos Populares sobre temas diversos, em que qualquer pessoa, independente do sexo, da idade ou da religião, pode trabalhar para que ele seja realizado, organizando grupos em seus bairros, escolas, universidades, igrejas, sindicatos, aonde quer que seja, para dialogar com a população sobre um determinado tema e coletar votos.

O Plebiscito Popular permite que milhões de brasileiros expressem a sua vontade política e pressionem os poderes públicos a seguir a vontade da maioria do povo.

O que é uma Constituinte?

É a realização de uma assembleia de deputados eleitos pelo povo para modificar a economia e a política do País e definir as regras, instituições e o funcionamento das instituições de um Estado como o governo, o Congresso e o Judiciário, por exemplo. Suas decisões resultam em uma Constituição. A do Brasil é de 1988.

 Porque uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?

 Nos meses de Junho e Julho de 2013 milhões de jovens brasileiros foram às ruas para lutar por melhores condições de vida, inicialmente contra o aumento das tarifas do transporte, mas rapidamente a luta por mais direitos sociais estava presente nas mobilizações, pedia-se mais saúde, mais educação, mais democracia. Nos cartazes, faixas e rostos pintados também diziam que a política atual não representa essa juventude, que quer mudanças profundas na sociedade brasileira.

 As mobilizações das ruas obtiveram conquistas em todo o país, principalmente com as revogações dos aumentos das tarifas dos transportes ou até diminuição da tarifa em algumas cidades, o que nos demonstrou que é com luta que a vida muda! Mas a grande maioria das reivindicações não foram atendidas pelos poderes públicos.

 Não foram atendidas porque a estrutura do poder político no Brasil e suas “regras de funcionamento” não permitem que se avance para mudanças profundas. Apesar de termos conquistado o voto direto nas eleições, existe uma complexa teia de elementos que são usados nas Campanhas Eleitorais que “ajudam” a garantir a vitória de determinados candidatos.

 A cada dois anos assistimos e ficamos enojados com a lógica do nosso sistema político. Vemos, por exemplo, que os candidatos eleitos têm um gasto de Campanha muito maior que os não eleitos, demonstrando um dos fatores do poder econômico nas eleições. Também vemos que o dinheiro usado nas Campanhas tem origem, na sua maior parte, de empresas privadas, que financiam os candidatos para depois obter vantagens nas decisões políticas, ou seja, é uma forma clara e direta de chantagem. Assim, o ditado popular “Quem paga a banda, escolhe a música” se torna a melhor forma de falar do poder econômico nas eleições.

 Além disso, ao olharmos para a composição do nosso Congresso Nacional vemos que é um Congresso de deputados e senadores que fazem parte da minoria da População Brasileira. Olhemos mais de perto a sua composição:

- mais de 70% de fazendeiros e empresários (da educação, da saúde, industriais, etc) sendo que maioria da população é composta de trabalhadores e camponeses.
- 9% de Mulheres, sendo que as mulheres são mais da metade da população brasileira.
- 8,5% de Negros, sendo que 51% dos brasileiros se auto-declaram negros.
- Menos de 3% de Jovens, sendo que os Jovens (de 16 a 35 anos) representam 40% do eleitorado do Brasil.

Olhando para esses dados, é praticamente impossível não chegar a conclusão de que “Esse Congresso não nos representa!!!” e que eles não resolverão os problemas que o povo brasileiro, em especial a juventude, levou às ruas em 2013.

E para solucionar todos esses problemas fundamentais da nossa sociedade (educação, saúde, moradia, transporte, terra, trabalho, etc.) chegamos a conclusão de que não basta mudarmos “as pessoas” que estão no Congresso.

Precisamos mudar “as regras do jogo”, mudar o Sistema Político Brasileiro. E isso só será possível se a voz dos milhões que foram as ruas em 2013 for ouvida. Como não esperamos que esse Congresso “abra seus ouvidos” partimos para a ação, organizando um Plebiscito Popular que luta por uma Assembléia Constituinte, que será exclusivamente eleita e terá poder soberano para mudar o Sistema Político Brasileiro, pois somente através dessa mudança será possível  alcançarmos a resolução de tantos outros problemas que afligem nosso povo.​

Semana da Pátria de 1 à 7 de Setembro estaremos em todo Brasil construindo #UmaNovaPolítica porque todo poder emana do Povo! - http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/

terça-feira, 15 de julho de 2014

Somos todos Palestinos





A luta pela liberdade marca a história de um povo que de forma árdua disputa território contra seu maior opressor. Não é uma disputa religiosa. Ingenuidade é entender a Palestina enquanto um problema entre judeus e muçulmanos.

A Palestina deixou de existir oficialmente, quando em 1946 o desejo bélico, dos estadunidenses transformou no estado de Israel uma colonia americana. Contudo a história não foi apagada pelo desejo de continuar a luta de um povo marcado pela opressão e por sua coragem.

Conhecidos como aqueles que enfrentam armas pesadas com estilingue, o povo palestino resiste a opressão imperialista e tem apoio majoritário da maioria dos países no mundo, apesar de que a ONU não o reconheça, o que vale é a luta pela Liberdade.

O povo palestino não irá submeter aos desmandos capitalistas e o povo árabe resistirá a ganância dos países imperialistas que não preocupam com a vida e sim empunham pilhas da morte em troca do capital. A unidade da luta pela liberdade do povo palestino não é nada além de uma grande vitória visto todo genocídio impresso no oriente médio.

#SomostodosPalestinos #FreePalestine




Mais imagens acesse o Álbum :
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.724494757610721.1073741837.417854978274702&type=1



Leonardo Koury Martins - Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais e Filho de Árabes

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A Juventude quer #UmaNovaPolítica




Por: Leonardo Koury Martins

Em todo país a discussão sobre a Política, ainda mais, depois das transformações sociais e econômicas ocorridas nos últimos doze anos, trazem a cena pública o que será no futuro. Estamos dizendo do futuro, pois conseguimos hoje construir um presente, diferente dos últimos quinhentos anos. Temos a condição de não pensar no passado como saudade, mas de aprender com o passado e desejar a melhoria da vida de brasileiras e brasileiros, mesmo que ainda marcados pela opressão capitalista.

Por sua vez, a juventude em sua constituição: na constituição biológica, humana, questionadora e desejosa por transformação; tem nestes últimos anos dado sua contribuição por uma discussão de mais futuro e mais mudanças.

Seja pelas mobilizações das redes e das ruas, em todo país, como exemplo em Minas Gerais, a organização da juventude em busca de uma política que identifique os desejos da classe trabalhadora torna-se mais pulsante.

É inegável que junho de 2013 foi um marco histórico neste início de década, mas a inundação da juventude nos novos espaços educacionais, na cultura, na discussão sobre segurança e contra o proibicionismo, trouxeram não só para a juventude, mas para todo país uma outra forma de pensar e de fazer política.

Os anseios dessa juventude, em especial, da juventude que se encontra na nova classe trabalhadora e que traz da cultura da periferia o desejo de emergir socialmente, não apenas para o ingênuo consumismo, mas para discutir seu papel no que é de interesse público é avivador. A juventude se organiza através do feminismo, da luta contra os homicídios na juventude negra, pela construção de uma política de educação que seja no desejo paulo freiriano: o de não ensinar a obedecer, mas em ajudar a pensar.

A juventude, constrói cotidianamente sua identidade buscando ser democrática e de massas e deixa avidamente os sonhos de uma sociedade com justiça social e igualdade de condições, inclusive na sua diversidade de cores e expressões.

E para buscar o desejo de #UmaNovaPolítica a juventude é hoje, no conjunto dos movimentos sociais e na organização popular o seguimento etário que mais levanta as bandeiras da Reforma Política, do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Política, porque uma sociedade de desigualdade começa a ter fim, quando o início da discussão é de trazer a cena pública uma outra forma de participação e democracia no país.

Não haverá democracia se não existir uma Política que seja a cara da Juventude, e não pode ser a cara da juventude uma democracia que seja diferente da construída pela Classe Trabalhadora. Só pode haver uma nova política, se toda juventude tiver o compromisso de mudar a política para termos nas comunicações, no congresso, no campo e nas cidades um poder que verdadeiramente emana do Povo.


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Leonardo Koury – Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Marco Civil da Internet no Brasil



Não adianta chorar: aprovado em todas as instâncias devidas e sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, o Marco Civil da Internet finalmente começou a valer na data de hoje, dia 23 de junho de 2014. 

Dessa forma, todos os usuários brasileiros da rede mundial de computadores estão submetidos às novas regras, direitos e deveres estabelecidos pela lei de agora em diante. As operadores de internet por exemplo não podem baixar a velocidade ou vender pacotes para vídeos ou músicas de forma separada, uma iniciativa de deixar livre o uso para quem acessa as redes.

As regras máximas em vigor no Brasil não possuíam uma definição clara e específica de exatamente o que é a internet até a data de ontem. 

No entanto, com a mudança de data, passa a valer oficialmente a descrição que a classifica como “o sistema constituído do conjunto de protocolos lógicos, estruturado em escala mundial para uso público e irrestrito, com a finalidade de possibilitar a comunicação de dados entre terminais por meio de diferentes rederes”.

Abaixo uma regra feita pelo tecmundo sobre os avanços do novo Marco Civil da Internet, clique para ampliar e ler com mais qualidade:

 clique aqui

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Por uma comunicação classista




Nas últimas semanas, algumas declarações feitas por políticos brasileiros e pela imprensa, deixam a todas e todos claramente a noção que a Direita brasileira tem se posicionado publicamente e tomado espaço na mídia.

Jair Bolsonaro ao discursar na Câmara dos Deputados, se posicionou como porta-voz nacional e lança sua candidatura a presidência a favor da família e contra as lutas sociais e os Direitos Humanos. Outro discurso exposto com o carácter neofacista, foi o do prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda. O atual prefeito da capital mineira disse ao jornal O Tempo no qual se percebe pós junho de 2013 um aumento das manifestações e que as mesmas, começaram a ocorrer de forma mais violentas e de que é necessário a repressão do Estado para a garantia da ordem pública.

O que perpassa por estes discursos e o que nós, classe trabalhadora temos que perceber, é que a cada dia no Brasil fica mais nítido os posicionamentos à Direita, bem como deve ser papel dos movimentos de Esquerda frente a luta pela melhoria das condições de vida do povo e pela organização dos movimentos sociais.

Na discussão destes e de outros políticos de Direita, o contraponto sobre as pautas da diversidade e da pluralidade e da desmilitarização das políticas a cada dia se tornam mais necessárias como bandeiras coletivas. Estas manifestações em torno da Questão Social nos fazem refletir sobre o cerceamento por parte do Estado, que aliado a classe dominante, coíbe a liberdade de expressão e oprime as lutas sociais.

Que o compromisso de organizar a classe trabalhadora e a tomada de consciência sejam a cada dia o foco central da nossa estratégia de possibilitar uma nova política.

O discurso da Direita é fácil, simplificado e parte do senso comum para massificação do povo, porém devemos criar a cada dia, mecanismos de comunicação social de maneira expressiva, para que o discurso fácil seja a consequentemente substituído pelo reconhecimento e pela organização de uma nova ordem societária, longe da opressão e construída nos patamares da igualdade, diversidade e liberdade.

Leonardo Koury Martins - Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais


sábado, 12 de abril de 2014

Nos EUA, a confirmação da mão de Roberto Marinho nos bastidores da Ditadura



Em telegrama ao Departamento de Estado norte-americano, embaixador Lincoln Gordon relata interlocução do dono da Globo com cérebros do golpe em decisões sobre sucessão e endurecimento do regime por Helena Sthephanowitz publicado 05/04/2014 15:25, última modificação 05/04/2014 15:27 LBJ LIBRARY/USA Lincoln Gordon

Embaixador Gordon descreve em detalhes ao Departamento de Estado dos EUA a influência de Marinho. No dia 14 de agosto do 1965, ano seguinte ao golpe, o então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, enviou a seus superiores um telegrama então classificado como altamente confidencial – agora já aberto a consulta pública. 

A correspondência narra encontro mantido na embaixada entre Gordon e Roberto Marinho, o então dono das Organizações Globo. A conversa era sobre a sucessão golpista. Segundo relato do embaixador, Marinho estava “trabalhando silenciosamente” junto a um grupo composto, entre outras lideranças, pelo general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar; o general Golbery do Couto e Silva, chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI); Luis Vianna, chefe da Casa Civil, pela prorrogação ou renovação do mandato do ditador Castelo Branco.

No início de julho de 1965, a pedido do grupo, Roberto Marinho teve um encontro com Castelo para persuadi-lo a prorrogar ou renovar o mandato. O general mostrou-se resistente à ideia, de acordo com Gordon.

Revista do Brasil: parece que foi legal, mas foi golpe. No encontro, o dono da Globo também sondou a disposição de trazer o então embaixador em Washington, Juracy Magalhães, para ser ministro da Justiça. Castelo, aceitou a  indicação, que acabou acontecendo depois das eleições para governador em outubro. O objetivo era ter Magalhães por perto como alternativa a suceder o ditador, e para endurecer o regime, já que o ministro Milton Campos era considerado dócil demais para a pasta, como descreve o telegrama. De fato, Magalhães foi para a Justiça, apertou a censura aos meios de comunicação e pediu a cabeça de jornalistas de esquerda aos donos de jornais.

No dia 31 de julho do mesmo ano houve um novo encontro. Roberto Marinho explica que, se Castelo Branco restaurasse eleições diretas para sua sucessão, os políticos com mais chances seriam os da oposição. E novamente age para persuadir o general-presidente a prorrogar seu mandato ou reeleger-se sem o risco do voto direto. 

Marinho disse ter saído satisfeito do encontro, pois o ditador foi mais receptivo. Na conversa, o dono da Globo também disse que o grupo que frequentava defendia um emenda constitucional para permitir a reeleição de Castelo com voto indireto, já que a composição do Congresso não oferecia riscos. Debateu também as pretensões do general Costa e Silva à sucessão. Lincoln Gordon escreveu ainda ao Departamento de Estado de seu país que o sigilo da fonte era essencial, ou seja, era para manter segredo sobre o interlocutor tanto do embaixador quanto do general: Roberto Marinho.

E seu relato, Gordon menciona Marinho entre os cérebros da continuidade 
do golpe. E cita Milton Campos como muito respeitável (clique e amplie para leitura)


Eleições diretas poderiam das margens para o golpe; como o marechal Lott; 
regime criaria eleição indireta (clique e amplie para leitura)


Marinho discutiu com Caslelo Branco a possibilidade de 
Costa e Silva vir a sucedê-lo (clique e amplie para leitura)

O histórico de apoio das Organizações Globo à ditadura não dá margens para surpresas. A diferença, agora, é confirmação documental.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

BH sem Rumo - A cidade do Lacerda


Nos últimos tempos, Belo Horizonte anda parecendo uma cidade governada por um indivíduo e não por um projeto que tem um programa de governo e concepções coletivas para ser organizado. 

Quem não percebeu que do nada, uma rua vira mão-inglesa, que uma avenida deixa de ter rotatória, que o metrô que era pra ser metrô vira BRT? Que até mesmo uma liminar impedindo o aumento da tarifa de ônibus passa a ser desobedecido pelos gestores municipais em conluio com as empresas de ônibus.

No dia sete de abril, na Avenida Cristiano Machado. Moradores dos Bairros: Dona Clara, Minaslândia, Primeiro de Maio e Suzana pararam através de manifestação o trecho entre as avenidas Cristiano Machado e Sebastião de Brito, que antes existia um cruzamento e agora deixou de existir. Os moradores alegam que não houve diálogo assim como a extinção dos pontos de ônibus no local.

Conhecido como A CIDADE SEM RUMO, de Márcio Lacerda a cidade continua assim; sem democracia e na mão dos empresários. Cidadã e cidadão de Belo Horizonte, o que você tem a ver com isso?



sábado, 29 de março de 2014

Machismo não é senso comum e sim Opressão




A alguns anos, venho escrevendo e me dedicando propriamente em dialogar sobre as relações sociais e o poder. Debate que infere a construção de pensamentos e reflexões sobre a teoria e a prática numa sociedade de classe.

Estes últimos dias, um debate antigo e de características masculinizadas, moralista e conservadora traz a cena pública a seguinte questão. Se mulheres e seu comportamento formam a oportunidade e justifica um ato de violência masculina. Portanto as condições de diálogo sobre os 65% dos entrevistados e entrevistadas que respondiam que justificava o estupro vão mais do que só uma justificativa.

Numa sociedade em que seu sistema de produção econômico, por si, promove a desigualdade como fonte de sua manutenção, necessita de engendrar de forma cultural e em sua organização social conceitos muito além de senso comum.

Para manter a desigualdade entre gênero e sexualidade, promove não apenas singelas denominações heteronormativas, mas produzem cotidianamente a afirmação da necessidade de opressão para o alinhamento societário. O uso da força deve ser justificado quando o mais fraco ressalta suas características individuais. Afinal, para a opressão sexista, mulheres e  homens de respeito deveriam usar roupas adequadas no local de trabalho, no local de lazer, no local e local..

A grande questão também permeia o racismo quando negras e negros não estão devidamente vestidos, pois uma bata africana não é uma roupa adequada para se trabalhar em um banco ou em uma grande empresa.

A descaracterização das diferenças, reafirma a uniformização do padrão social que traz aos negros e negras, as mulheres a inferioridade e subalternidade. Também afirma a necessidade de criminalização a livre orientação sexual, a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.

Não é apenas um discurso da moral e das normas sociais que estão em jogo, mas a construção de um padrão, de uma centralidade cultural que por trás reafirma a necessidade de que o modelo de produção capitalista não seja questionado.

Oprimir não é um ato de defesa de costumes, mas de ataque a toda forma de levante da opressão. A liberdade ameaça não apenas a hegemonia cultural, mas ameaça aqueles que fazem da individualidade, da disputa e da descaracterização das diferenças o motor para não se aprofundar na mais-valia e nas reais condições de poder atualmente estabelecidas.

Portanto, nestes discursos de defesa da família é perceptível a fragilidade de sua construção humanista, pois os mesmos que defendem a vida e negam o direito ao aborto, defendem e justificam que mulheres por suas atitudes sejam estupradas, como também defendem a juventude e aos pobres que não tem acessos reais a justiça a pena de morte.

Defendem a vida e se preciso a morte para todo ou qualquer discurso que desfaça o padrão de sociedade que acreditam. Defendem as possibilidades de consumo e seu padrão burguês de vida, mas marginaliza as lutas sociais e reafirmam o marginal padrão que norteia a desigualdade e as relações econômicas.

Termino parafraseando e construindo uma relação em complementar Malcolm X, quando ele diz que não devemos confundir a violência do opressor com a reação e a resistência do oprimido; e que façamos da opressão nossa bandeira e conquista não apenas por novos direitos, mas que não limitemos em legalidades, mas sim de mudar o mundo, pois apenas uma nova ordem pode construir uma nova sociedade.



Leonardo Koury Martins - Escritor, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais

domingo, 16 de março de 2014

Mapa da Desigualdade Econômica no Capitalismo





Nova pesquisa revela que PIB mundial atinge maior valor da história, mas divisão segue extremamente desigual.

Cinco anos depois do início da crise econômica mundial, marcada pela quebra do banco norte-americano Lehamn Brothers, os indicadores financeiros seguem apontando para uma concentração da riqueza ao redor do globo. De acordo com o relatório "Credit Suisse 2013 Wealth Report", um dos mapeamentos mais completos sobre o assunto divulgados recentemente, 0,7% da população concentra 41% da riqueza mundial.

Em valor acumulado, a riqueza mundial atingiu em 2013 o recorde de todos os tempos: US$ 241 trilhões. Se este número fosse dividido proporcionalmente pela população mundial, a média da riqueza seria de US$ 51.600 por pessoa. No entanto, não é o que acontece.

A Austrália é o país com a média de riqueza melhor distribuída pela população entre as nações mais ricas do planeta. De acordo com o estudo, os australianos têm média de riqueza nacional de US$ 219 mil dólares.

Apesar de serem o país mais rico do mundo em termos de PIB (Produto Interno Bruto) e capital produzido, os EUA têm um dos maiores índices de pobreza e desigualdade do mundo. Se dividida, a riqueza dos EUA seria, em média, de mais de US$ 110 mil dólares. No entanto, é atualmente de apenas US$ 45 mil dólares - menos da metade.

Entre os países com patrimônio médio de US$ 25 mil a US$ 100 mil, se destacam emergentes como Chile, Uruguai, Portugal e Turquia. No Oriente, Arábia Saudita, Malásia e Coreia do Sul. A Líbia é o único país do continente africano neste grupo. A África, aliás, continua com o posto de continente com a menor riqueza acumulada.

Mesmo com o crescimento da riqueza mundial, a desigualdade social continua com índices elevados. Os 10% mais ricos do planeta detêm atualmente 86% da riqueza mundial. Destes 0,7% tem posse de 41% da riqueza mundial.

Os pesquisadores da Credit Suisse também fizeram uma projeção sobre o crescimento dos milionários ao redor do mundo nos próximos cinco anos. Polônia e Brasil, com 89% e 84% respectivamente, são os países que mais vão multiplicar seus milionários até 2013. No mesmo período, os EUA terão um aumento de 41% do número de milionários, o que representa cerca de 18.618 de pessoas com o patrimônio acima de 1 milhão de dólares.



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Nova classe trabalhadora e o Movimento Estudantil




O movimento estudantil universitário tende a manifestar as expectativas da classe média, ainda que possa ter um caráter progressista. Por isso, quando se engajam, os estudantes da nova classe trabalhadora tendem a fazê-lo em movimentos para fora dos limites das universidades.

Os protestos de junho marcaram uma virada de ciclo político no país e o momento atual é de relativa ascensão das lutas populares. A juventude vem desempenhando papel importante nesse processo – um papel que os analistas têm tido dificuldade em interpretar. Exemplo disso encontra-se em pesquisas realizadas durante as manifestações em diversas capitais. Nas ruas, 52% dos manifestantes declararam ser estudantes (Ibope), enquanto em São Paulo a proporção chegou aos 70% (Datafolha). Esse dado parece paradoxal se considerado à luz da crise que muitos analistas acreditam acometer o movimento estudantil há décadas, que é interpretada como um desinteresse do estudante pela política, reforçado com a baixa adesão ao movimento por parte dos setores da classe trabalhadora que tem alcançado o ensino superior (Pochmann, 2014).

Esse aparente paradoxo revela a fragilidade das leituras correntes sobre a experiência de engajamento estudantil no Brasil, o que prejudica uma adequada resposta a questões que vão adquirindo maior importância na nova conjuntura. Por exemplo, que contribuição pode dar o movimento estudantil neste novo ciclo em termos de potência de transformação social? Ou: pode ser ele um canal de manifestação da “nova classe trabalhadora”, que chega às universidades em maior número, e tem sido um ator decisivo neste novo momento político? A adequada abordagem dessas questões envolve a consideração de uma variável rara ou insuficientemente tratada nos estudos dedicados ao movimento estudantil: sua composição e seu conteúdo de classe.

Classes sociais: definições gerais sobre um tema controverso

O tema das classes sociais envolve muita polêmica (Bobbio, 1998; Bottomore, 1997). Não é nosso objetivo abordá-las em profundidade, mas apenas buscar definições gerais que nos serão úteis. Em primeiro lugar, é preciso estabelecer um critério para nossa definição de classe social. Adotamos aqui o critério da posse de propriedade, o qual permite reconhecer desigualdades sociais fundamentais que condicionam profundamente as experiências e dinâmicas de grupos sociais e ajudam a dimensionar sua potência transformadora, proporcional à sua incidência sobre as relações de produção – determinantes aos demais aspectos da sociedade. São proprietários os que detêm a posse dos meios de produção, trabalhadores os que vendem aos proprietários sua força de trabalho como condição de sustento, enquanto entre ambos se localizam as classes médias, que incluem setores como pequenos proprietários e antigos profissionais liberais (Pomar, 2013).

Adicionalmente, não se pode negligenciar o fato de que é constitutiva do capitalismo a separação entre a esfera da economia e a da política, conduzindo a uma igualdade político-jurídica formalmente estabelecida sobre desigualdades econômicas reais que não chegam a ser juridicamente reconhecidas ou justificadas. Isso reforça a descontinuidade entre a localização objetiva de classe (“classe em si”, definida em relação à posse de propriedade) e seu reconhecimento como comunidade de interesses correspondentes a essa localização (“classe para si”). É na política que esse reconhecimento pode ou não acontecer, daí a importância de considerarmos aspectos como as faixas de renda ou o acesso à educação superior: elas estabelecem grupos cujos critérios de estratificação não se reduzem aos critérios de classe, mas manifestam de modo mais imediato conflitos de interesse mais profundos, notadamente os de classe.


Fonte:http://www.teoriaedebate.org.br/materias/nacional/nova-classe-trabalhadora-e-o-movimento-estudantil 

“Acordei com um sonho e com o compromisso de torná-lo realidade"
Leonardo Koury Martins

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
Saramago

"Teoria sem prática é blablabla, prática sem teoria é ativismo"
Paulo Freire

"Enquanto os homens não conseguirem lavar sozinhos suas privadas, não poderemos dizer que vivemos em um mundo de iguais"
M.Gandhi

"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres"
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