sábado, 10 de janeiro de 2015

Eu não sou Charlie, je ne suis pas Charlie


Alguns chamam os cartunistas mortos de “heróis” ou de os “gigantes do humor politicamente incorreto”, outros muitos os chamam de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo, como os comentários políticos de colunistas da Veja, são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.

O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o Profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a imagem de Nossa Senhora para atacar os católicos…
Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. “É preciso” porque? Para que?

Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência, com trocadilhos infames com “matar” e “explodir”…). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam…

E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). A piada tem esse poder. Mas piada são sempre preconceituosas, ela transmite e alimenta o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas…

“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados, como o racismo ou a homofobia, isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim…

Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis ou bombas.

Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada”. Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até… charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados, um deles com granadas!, nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos”, e ela sabe disso).

Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro do atentado, eu não sou Charlie. Je ne suis pas Charlie.


Leonardo Boff
fonte: https://leonardoboff.wordpress.com/2015/01/10/eu-nao-sou-charlie-je-ne-suis-pas-charlie/

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Venda as vendas



Não use vendas,
as venda.
Receita do Ministério da Fazenda.
Espero que você entenda,
que usando esta venda não verá o que terás de ver.
Tem alguém no planalto não querendo votar a emenda,
sim, a emenda constitucional da educação
e você não sabia? Culpe a venda!
Tem policial corrupto, medico sem papel para anotar receita
e criança sem merenda, será que somente eu quero que entendas?
O espaço é infinito e não acredite somente em lendas,
olha que tem alguém que te recomenda tirar as vendas para enxergar o que antes você não via.
Tenha estômago forte e nem adianta rezar “ave Maria”, porque tem criança disputando no lixo com ratos e cachorros a única refeição do dia, e tem gente na fila do hospital morrendo de pneumonia.
Entenda!
Até a bandeira de Minas te pede para que tire a venda, antes que tardia, enquanto alguns choram, outros têm alegria.
Não seja também desigual,
aceite os momentos tristes, mas também vá as festas a fantasia,
e se a roupa estiver rasgada, e se você tiver com pouco dinheiro,
uma linha e uma agulha no buraco (deixa p’ra lá),
mas vê se remenda, se não o dinheiro cai, daí não tem leite, arroz, feijão e sem dinheiro piora sua situação, assim serás mais um pedinte que não teve oportunidade (ou opção) .
Deixe de pensar somente com o coração e use também a razão, tire a venda e faça melhor, a venda.
O capitalismo recomenda.



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Leonardo Koury – Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Haitianos no Brasil e a nova lei de migração




"Nenhuma pessoa é ilegal, todos somos imigrantes."
Fórum Social Mundial de Migrações



A 34 anos o Brasil expressou em uma lei os direitos de emigrantes e imigrantes, porém uma lei distante do que consideramos coerente no âmbito da justiça social e da luta em pró dos Direitos Humanos.

Num país essencialmente racista, classista e discriminatório entre seus cidadãos nativos, como confiar para além das garantias legais que a sociedade teria compreensão com o fluxo migratório, em especial dos países mais pobres e de população negra que utilizam outras línguas e dialetos para livre expressão.

Fato é que a escolha entre a legalização ou o refúgio político são poucas entre as saídas e os direitos estabelecidos. Segundo a constituição o estrangeiro residente no Brasil, entre outros direitos deve compreender que: saúde, assistência social, educação e trabalho são garantias legais e devem ter políticas públicas de fomento e ordenação.

O que se esconde por trás da não positivação de uma nova lei de migração no Brasil é a visão ainda polarizada entre o imigrante ideal na sua forma europeizada e de um imigrante problema. Não se discute o grande número de imigrantes europeus que fogem da crise econômica da Europa e se organizam na costa norte do Brasil.

Para além dos estereótipos, as leis e por consequências suas garantias devem buscar compreender uma cidadania universal e o combate a opressão.

Como exemplo, a população haitiana no Brasil, em grande parte está apta ao mundo do trabalho, disposta a migração definitiva e a compartilhar saberes, mas, por outro lado, vistos como mão de obra barata e um problema social internacional.

Romper estas perspectivas e análises discriminatórias e construir cotidianamente os diretos humanos pensando no mundo que queremos e não no que estamos é nossa maior função.


Solidariedade a todos os povos do mundo!



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Leonardo Koury – Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais

domingo, 19 de outubro de 2014

Elites e o ódio de um Brasil que antes era escrito com Z e não com S



A grande diferença entre os governos PSDB e PT, principalmente no que tange a questões de identidade e relação estabelecida internacional é a discussão internacional.

Ao longo de muitas décadas o Brasil foi um país esquecido internacionalmente. Nada além de uma república corrupta e analfabeta, de grande projeção em riquezas naturais, mas sobre domínio político e ideológico estadunidense. 

Sejamos sinceros ao lembrar episódios tristes da nossa história, quando o ex presidente Fernando Henrique pedia permissão a Inglaterra e Estados Unidos para alguma tomada de decisão. A discussão de autonomia e independência surgia para o mercado, mas nunca para a Soberania Nacional.
Nos últimos doze anos, poderia enumerar profundas diferenças em relação a cultura e a discussão de estado. Porem é necessário ao menos três episódios para marcar tais diferenças, estes perpassam a economia, cultura e posição política internacional.

Pensar que as empresas brasileiras, reféns da moda estrangeira e de uma pequena elite, foi promovida internacionalmente com apoio do governo brasileiro. A engenharia, como exemplo, tem financiamento do BNDES, que antes não se tinha, para financiar obras brasileiras em especial na América Latina e África. Tal iniciativa não apenas gerou divisas ao Brasil, como revolucionou a tecnologia e a criação de empregos brasileiros em vários cantos do mundo.

No âmbito da Cultura, o reconhecimento de um país Latino Americano a si mesmo, bem como o processo de valorização do turismo sul americano e caribenho foi uma das grandes marcas do Brasil. 
Não apenas no eixo turismo de férias, mas do turismo de negócios e do turismo da educação. Muito além do ciências sem fronteiras, programa criado no Governo Petista, as relações internacionais no que tange a Ciência, Cultura e Relações Internacionais cresceram quase que do Zero e trazem o Brasil no topo da integração internacional. Nunca houveram tantas discussões no âmbito das Políticas Sociais e suas perspectivas internacionais, bem como integrações na discussão sobre culinária africana e latina. 

As posições políticas do Brasil, seja nos organismos internacionais ou mesmo na cooperação internacional é destacável. A relação política com a África que nunca havia saído do papel mudou, o Brasil passa a ter como seu maior parceiro comercial a China e não mais os Estados Unidos, além do BRICS que integra uma nova condição de financiamento e desenvolvimento dos países que antes dependiam do Banco Mundial e sua cartilha liberal.

Questões como o reconhecimento do território palestino, a discussão sobre uma intervenção realmente humanitária que acontece hoje no Haiti e a posição do Brasil frente a voz dos excluídos, que superaram o mapa da fome da ONU/PNUD, mas não deixam de ter posição contra os ataques imperialistas.

Apenas um país que possam manter a soberania e compreender que América Latina é um importante eixo da luta contra o imperialismo pode ser chamado de uma país do futuro. Contrário disso será o repetido discurso contra Cuba e a submissão ao governo Norte Americano. 
Não sinto saudades de um governo que assinava o Brasil com Z e não com S.


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Leonardo Koury – Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Preconceito Social e Racial nas Urnas



Este pequeno texto não tem a intenção de fazer um relato sobre Dilma ou Aécio, mas será uma fonte de críticas da atual conjuntura humana que  vivemos nas últimas semanas no Brasil.

Uma onda de Ant-Algo que não é medo do “Antes ou do Agora”, mas sim uma forma relativamente óbvia de anular o debate democrático. Ser anti partidário ou se considerar intelectualmente superior é uma forma simples de negar os argumentos do outro e desfazer toda argumentação de que maiorias ou minorias democráticas se formam na diferença de opiniões e não da negação do ser. Vale lembrar que apartidário é diferente de ser anti-partidário.

Na última semana em especial, assustei-me ao perceber nas redes sociais, discursos de ódio e afirmação de que Dilma foi para o segundo turno com voto de pessoas negras e burras, nordestinas que estão presas no “cabresto” do Bolsa Família. Esta afirmação surgiu em de alguns eleitores do Estado de São Paulo que constroem através do Facebook e Twitter uma forma de organizar seus amigos e familiares para eleger Aécio presidente.

Se o voto é Secreto, como sabem que os eleitores do PT são os que tem menor escolaridade? Se o voto é secreto quer dizer que São Paulo, o Estado com o maior índice de famílias pobres brasileiras que tem o direito à transferência de renda, tem eleitores pobres mas inteligentes que não querem viver mais de Bolsa Família e os eleitores do Nordeste brasileiro são menos inteligentes? Como subsidiam estes argumentos se não for pelo preconceito social e racial?

Se o voto é Secreto como definem se quem votou era negr@ ou branc@, pobre ou rico?

Cheguei a ler também, que eleitores homossexuais preferem Dilma e Luciana Genro porquê elas não tem pudor. Porem como sabem ao certo que quem as elegeu tem essa ou aquela orientação sexual? Quem define que a comunidade LGBT é minoria ou maioria social?

A grande questão, inclusive para se enfrentar pós eleições, é que temos o dever de intensificar o debate sobre Direitos Humanos, como também, o debate sobre Raça e Classe no país qual uma parcela de sua população se identifica a cada dia com conceitos de uma economia liberal e determinantes preconceituosos. Essa parcela populacional que constrói o discurso afirmando não diferenças humanas, mas sim desigualdades e opressões.


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Leonardo Koury – Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Livro descreve Lutas do Povo Brasileiro



O Núcleo de Estudos e Formação Política Rosa Luxemburgo em parceria com o sitio Rebelion.Org lança um Livro que tem como objetivo fazer o Fichamento de diversas lutas sociais ocorridas no Brasil ao longo dos séculos.

A proposta deste material é formatar um Catálogo de Imagens e um registro de Fichamento das principais lutas sociais que marcaram a história do Brasil.

Trata-se de reconhecer o papel popular nas transformações sociais, políticas, econômicas e construir um outro olhar diferente de uma história elitizada, contada pelos homens brancos europeizados, que retratam: heróis, reis e outros mitos individuais.

Torna-se necessário alentar sobre o papel do poder popular, uma vez, que este é a grande mola propulsora de mudanças em qualquer estrutura social.

Da luta dos índios e escravos por resistirem a escravidão até os dias atuais, como a juventude nas ruas contribuindo por um diálogo de mudanças, no marcante junho de 2013.

Este material pretende fugir do academicismo e considerar análises e perspectivas que dialogam de forma coletiva na organização de uma luta que antes de mais nada é a luta do povo brasileiro.

Como prevê o paragrafo único do primeiro artigo da constituição aprovada em 1988, todo poder emana do povo. Que lutemos para efetivar nossos sonhos por uma nova ordem, longe de qualquer forma de opressão.

O desejo é que este fichamento tenha possibilidade de contribuir para a curiosidade do leitor e para que o mesmo utilize qualquer meio de pesquisa para aprofundar sobre os conhecimentos presentes neste material e outros que aqui não foram citados, mas são correlatos presentes em pesquisas a qualquer sitio eletrônico.

A construção do conhecimento deve ser sempre uma alternativa importante a não subordinação à classe dominante pela classe trabalhadora.

Apenas o conhecimento e a livre organização popular pode ser emancipatória como expressa Paulo Freire através de suas vivências e escritas.

As lutas sociais acontecem todos os dias, no cotidiano da classe explorada na revolta pelos flagelos trazidos na exploração e contra seus opressores. Tenhamos no cotidiano o olhar construtivo da crítica social e contra as diversas manifestações que configuram a Questão Social no embate das relações entre o capital e o trabalho.

 Baixe o Livro

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Desabrigar o Isidoro é ir contra o ECA





Inicio este pequeno artigo com a palavra desabrigar. A mesma sugere segundo o dicionário o entendimento de deixar sem abrigo. No caso oito mil famílias e milhares de crianças e adolescentes que hoje estão morando em suas casas no entorno do Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Desabrigar simboliza desproteger aquelas e aqueles que já tem suas moradias, construídas com as próprias mãos, fruto da resistência de quem um dia se sentiu injustiçado pela falta de políticas públicas e pela escravidão do aluguel.

Um dos grandes avanços sociais presentes na Constituição Federal é a garantia de direitos voltadas a Crianças e Adolescentes. Um conjunto normativo, pós 88, permitiu um sistema integrado de políticas sociais e um vasto arcabouço jurídico que fomentou a cidadania de muitos brasileiros da primeira infância à juventude.

De acordo com a constituição, o artigo 227º diz que Crianças e Adolescentes tem prioridade absoluta e é antes de mais nada um dever do Estado assegurar este conjunto a sociedade civil toda proteção integral a família.

Em Belo Horizonte, a qualquer momento este direito pode ser descumprido por parte da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e do Governo Estadual. Existe um risco das oito mil famílias de três ocupações (Rosa Leão, Esperança e Vitória) nas cidades de BH e Santa Luzia, no entorno da mata do Isidoro, serem despejadas de forma opressora pela Polícia Militar.

A grande questão legal é aonde ficarão as famílias a serem desabrigadas. Em que espaços de acolhimento, uma vez que a cidade não contem vagas a todas as famílias em especial as crianças ali presentes.

Segundo a lei federal 8069/90 o abrigamento dependerá da organização e infraestrutura de responsabilidade do poder executivo (neste caso municipal) e a ordenação da Vara de Infância e Juventude e acompanhamento do Conselho Tutelar. É importante considerar que Belo Horizonte não tem mil vagas de abrigamento para todas as crianças e adolescentes. Portanto aonde ficarão estas famílias? E as crianças e adolescentes? Como se dará o direito ao acesso escolar e outras garantias de cidadania?


Aguardamos até o momento o pronunciamento do poder judiciário para saber se será descumprido o Estatuto da Criança e do Adolescente, uma vez que o despejo das famílias que vivem em suas casas próprias na região do Isidoro tratá a cena pública uma violação de direitos múltipla, não apenas aos mais jovens, mas irá cessar do direito a moradia e a dignidade humana.


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Leonardo Koury – Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais

sábado, 2 de agosto de 2014

Plebiscito Popular porque o poder emana do Povo




O que é um Plebiscito Popular?

Um Plebiscito é uma consulta na qual os cidadão e cidadãs votam para aprovar ou não uma questão. De acordo com as leis brasileiras somente o CongressoNacional pode convocar um Plebiscito.

Apesar disso, desde o ano 2000, os Movimentos Sociais brasileiros começaram a organizar Plebiscitos Populares sobre temas diversos, em que qualquer pessoa, independente do sexo, da idade ou da religião, pode trabalhar para que ele seja realizado, organizando grupos em seus bairros, escolas, universidades, igrejas, sindicatos, aonde quer que seja, para dialogar com a população sobre um determinado tema e coletar votos.

O Plebiscito Popular permite que milhões de brasileiros expressem a sua vontade política e pressionem os poderes públicos a seguir a vontade da maioria do povo.

O que é uma Constituinte?

É a realização de uma assembleia de deputados eleitos pelo povo para modificar a economia e a política do País e definir as regras, instituições e o funcionamento das instituições de um Estado como o governo, o Congresso e o Judiciário, por exemplo. Suas decisões resultam em uma Constituição. A do Brasil é de 1988.

 Porque uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?

 Nos meses de Junho e Julho de 2013 milhões de jovens brasileiros foram às ruas para lutar por melhores condições de vida, inicialmente contra o aumento das tarifas do transporte, mas rapidamente a luta por mais direitos sociais estava presente nas mobilizações, pedia-se mais saúde, mais educação, mais democracia. Nos cartazes, faixas e rostos pintados também diziam que a política atual não representa essa juventude, que quer mudanças profundas na sociedade brasileira.

 As mobilizações das ruas obtiveram conquistas em todo o país, principalmente com as revogações dos aumentos das tarifas dos transportes ou até diminuição da tarifa em algumas cidades, o que nos demonstrou que é com luta que a vida muda! Mas a grande maioria das reivindicações não foram atendidas pelos poderes públicos.

 Não foram atendidas porque a estrutura do poder político no Brasil e suas “regras de funcionamento” não permitem que se avance para mudanças profundas. Apesar de termos conquistado o voto direto nas eleições, existe uma complexa teia de elementos que são usados nas Campanhas Eleitorais que “ajudam” a garantir a vitória de determinados candidatos.

 A cada dois anos assistimos e ficamos enojados com a lógica do nosso sistema político. Vemos, por exemplo, que os candidatos eleitos têm um gasto de Campanha muito maior que os não eleitos, demonstrando um dos fatores do poder econômico nas eleições. Também vemos que o dinheiro usado nas Campanhas tem origem, na sua maior parte, de empresas privadas, que financiam os candidatos para depois obter vantagens nas decisões políticas, ou seja, é uma forma clara e direta de chantagem. Assim, o ditado popular “Quem paga a banda, escolhe a música” se torna a melhor forma de falar do poder econômico nas eleições.

 Além disso, ao olharmos para a composição do nosso Congresso Nacional vemos que é um Congresso de deputados e senadores que fazem parte da minoria da População Brasileira. Olhemos mais de perto a sua composição:

- mais de 70% de fazendeiros e empresários (da educação, da saúde, industriais, etc) sendo que maioria da população é composta de trabalhadores e camponeses.
- 9% de Mulheres, sendo que as mulheres são mais da metade da população brasileira.
- 8,5% de Negros, sendo que 51% dos brasileiros se auto-declaram negros.
- Menos de 3% de Jovens, sendo que os Jovens (de 16 a 35 anos) representam 40% do eleitorado do Brasil.

Olhando para esses dados, é praticamente impossível não chegar a conclusão de que “Esse Congresso não nos representa!!!” e que eles não resolverão os problemas que o povo brasileiro, em especial a juventude, levou às ruas em 2013.

E para solucionar todos esses problemas fundamentais da nossa sociedade (educação, saúde, moradia, transporte, terra, trabalho, etc.) chegamos a conclusão de que não basta mudarmos “as pessoas” que estão no Congresso.

Precisamos mudar “as regras do jogo”, mudar o Sistema Político Brasileiro. E isso só será possível se a voz dos milhões que foram as ruas em 2013 for ouvida. Como não esperamos que esse Congresso “abra seus ouvidos” partimos para a ação, organizando um Plebiscito Popular que luta por uma Assembléia Constituinte, que será exclusivamente eleita e terá poder soberano para mudar o Sistema Político Brasileiro, pois somente através dessa mudança será possível  alcançarmos a resolução de tantos outros problemas que afligem nosso povo.​

Semana da Pátria de 1 à 7 de Setembro estaremos em todo Brasil construindo #UmaNovaPolítica porque todo poder emana do Povo! - http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/

terça-feira, 15 de julho de 2014

Somos todos Palestinos





A luta pela liberdade marca a história de um povo que de forma árdua disputa território contra seu maior opressor. Não é uma disputa religiosa. Ingenuidade é entender a Palestina enquanto um problema entre judeus e muçulmanos.

A Palestina deixou de existir oficialmente, quando em 1946 o desejo bélico, dos estadunidenses transformou no estado de Israel uma colonia americana. Contudo a história não foi apagada pelo desejo de continuar a luta de um povo marcado pela opressão e por sua coragem.

Conhecidos como aqueles que enfrentam armas pesadas com estilingue, o povo palestino resiste a opressão imperialista e tem apoio majoritário da maioria dos países no mundo, apesar de que a ONU não o reconheça, o que vale é a luta pela Liberdade.

O povo palestino não irá submeter aos desmandos capitalistas e o povo árabe resistirá a ganância dos países imperialistas que não preocupam com a vida e sim empunham pilhas da morte em troca do capital. A unidade da luta pela liberdade do povo palestino não é nada além de uma grande vitória visto todo genocídio impresso no oriente médio.

#SomostodosPalestinos #FreePalestine




Mais imagens acesse o Álbum :
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.724494757610721.1073741837.417854978274702&type=1



Leonardo Koury Martins - Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais e Filho de Árabes

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A Juventude quer #UmaNovaPolítica




Por: Leonardo Koury Martins

Em todo país a discussão sobre a Política, ainda mais, depois das transformações sociais e econômicas ocorridas nos últimos doze anos, trazem a cena pública o que será no futuro. Estamos dizendo do futuro, pois conseguimos hoje construir um presente, diferente dos últimos quinhentos anos. Temos a condição de não pensar no passado como saudade, mas de aprender com o passado e desejar a melhoria da vida de brasileiras e brasileiros, mesmo que ainda marcados pela opressão capitalista.

Por sua vez, a juventude em sua constituição: na constituição biológica, humana, questionadora e desejosa por transformação; tem nestes últimos anos dado sua contribuição por uma discussão de mais futuro e mais mudanças.

Seja pelas mobilizações das redes e das ruas, em todo país, como exemplo em Minas Gerais, a organização da juventude em busca de uma política que identifique os desejos da classe trabalhadora torna-se mais pulsante.

É inegável que junho de 2013 foi um marco histórico neste início de década, mas a inundação da juventude nos novos espaços educacionais, na cultura, na discussão sobre segurança e contra o proibicionismo, trouxeram não só para a juventude, mas para todo país uma outra forma de pensar e de fazer política.

Os anseios dessa juventude, em especial, da juventude que se encontra na nova classe trabalhadora e que traz da cultura da periferia o desejo de emergir socialmente, não apenas para o ingênuo consumismo, mas para discutir seu papel no que é de interesse público é avivador. A juventude se organiza através do feminismo, da luta contra os homicídios na juventude negra, pela construção de uma política de educação que seja no desejo paulo freiriano: o de não ensinar a obedecer, mas em ajudar a pensar.

A juventude, constrói cotidianamente sua identidade buscando ser democrática e de massas e deixa avidamente os sonhos de uma sociedade com justiça social e igualdade de condições, inclusive na sua diversidade de cores e expressões.

E para buscar o desejo de #UmaNovaPolítica a juventude é hoje, no conjunto dos movimentos sociais e na organização popular o seguimento etário que mais levanta as bandeiras da Reforma Política, do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Política, porque uma sociedade de desigualdade começa a ter fim, quando o início da discussão é de trazer a cena pública uma outra forma de participação e democracia no país.

Não haverá democracia se não existir uma Política que seja a cara da Juventude, e não pode ser a cara da juventude uma democracia que seja diferente da construída pela Classe Trabalhadora. Só pode haver uma nova política, se toda juventude tiver o compromisso de mudar a política para termos nas comunicações, no congresso, no campo e nas cidades um poder que verdadeiramente emana do Povo.


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Leonardo Koury – Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Marco Civil da Internet no Brasil



Não adianta chorar: aprovado em todas as instâncias devidas e sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, o Marco Civil da Internet finalmente começou a valer na data de hoje, dia 23 de junho de 2014. 

Dessa forma, todos os usuários brasileiros da rede mundial de computadores estão submetidos às novas regras, direitos e deveres estabelecidos pela lei de agora em diante. As operadores de internet por exemplo não podem baixar a velocidade ou vender pacotes para vídeos ou músicas de forma separada, uma iniciativa de deixar livre o uso para quem acessa as redes.

As regras máximas em vigor no Brasil não possuíam uma definição clara e específica de exatamente o que é a internet até a data de ontem. 

No entanto, com a mudança de data, passa a valer oficialmente a descrição que a classifica como “o sistema constituído do conjunto de protocolos lógicos, estruturado em escala mundial para uso público e irrestrito, com a finalidade de possibilitar a comunicação de dados entre terminais por meio de diferentes rederes”.

Abaixo uma regra feita pelo tecmundo sobre os avanços do novo Marco Civil da Internet, clique para ampliar e ler com mais qualidade:

 clique aqui

“Acordei com um sonho e com o compromisso de torná-lo realidade"
Leonardo Koury Martins

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
Saramago

"Teoria sem prática é blablabla, prática sem teoria é ativismo"
Paulo Freire

"Enquanto os homens não conseguirem lavar sozinhos suas privadas, não poderemos dizer que vivemos em um mundo de iguais"
M.Gandhi

"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres"
Rosa Luxemburgo